sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

2008 - "Slash" (Slash & Anthony Bozza)



Retratar uma vida através de palavras não é tarefa fácil. Lembranças, sonhos e sentimentos das mais variadas espécies trafegam em grande parte das vezes na contramão, enquanto trava-se uma verdadeira luta com a própria memória para distinguir aquilo que é real e de fato aconteceu, daquilo que não passou de uma inspiração áspera que poderia ter acontecido. Ainda que árdua, esta foi mais uma batalha vencida por Slash, que não teve receio algum em entrar na montanha russa de seu passado para redescobrir sua própria história e dividí-la por uma via surpreendentemente cativante: a sinceridade. É este o sentimento que guia a leitura de "Slash", biografia escrita pelo guitarrista com o auxílio de Anthony Bozza. 

Slash é uma daquelas poucas pessoas capazes de atrair para si, na mesma fração de segundo, diversas significações. Para uns, não passa de um "junkie safado", que não faz mais do que aproveitar-se de um passado superestimado. Para outros, sua postura é uma referência sincera sobre a explosão que é a relação humana com o rock n' roll, que faz de sua figura uma espécie de catalisador de energia por onde quer que passe. A imagem esfarrapada do ébrio guitarrista empunhando uma Les Paul e escondendo a face sob uma cartola não era apenas uma alusão a si mesmo: chega a traduzir, com esta representação, uma síntese de tudo que rock n' roll poderia proporcionar e cobrar, tudo isso na velocidade de um estalo. À exemplo de tantos outros, a partir de sua imagem muitos jovens fizeram guitarras imaginárias explodir em seus quartos ao som de suas canções; outros, mais descomprometidos, simplesmente adotaram seu estilo de vida e tornaram-se tão ébrios, em determinado período da vida, como ele. De uma forma ou de outra, Slash, primeiramente através do Guns n' Roses, esteve presente na vida de milhares de pessoas que atravessaram as marés violentas da juventude.

Em "Slash", Saul Hudson narra de modo incrivelmente sincero sua história, desde as alucinadas corridas de bicicleta pelas ruas californianas e os primeiros furtos da juventude, até a conquista do mundo com o Guns n' Roses e sua consequente e incontrolável deterioração. Sem a presença de um formalismo exagerado e desnecessário na escrita, em diversos momentos pode-se ler frases diretas de Slash, cuja intensidade não foi filtrada (para nossa sorte) pelo co-autor e revisor Anthony Bozza. A narrativa utilizada segue a mesma linha introduzida por J. D. Salinger em "The Catcher un the Rye", através de um modo intimista e dialogal que deixa transparecer, a todo instante, um convite ao leitor para  não se limitar a apenas ler a história, mas também participar de seus meandros. A versão original em inglês é repleta desses momentos marcantes, que se reproduzem em grande parte da versão brasileira. Mas, como não poderia ser diferente, alguns tropeços na tradução são percebidos em certos momentos, representados por frases desconexas e passagens truncadas que, na versão americana, têm um significado totalmente diverso e limpo.

À exemplo dos ícones da música que surgiram em momentos precedentes e posteriores, Slash teve, em sua infância, uma forte ligação com a arte, introduzida, em primeiro passo, por seus pais. Desde a prematura saída da pequena cidade inglesa de Stroke-on-Trent (onde também nasceu Lemmy Kilmister, do Motörhead) até a chegada aos EUA, onde sua personalidade tomou os primeiros contornos, Slash dava sinais que trilharia um caminho diverso dos demais: assim como Kurt Cobain, Saul utilizava-se de desenhos para expressar o que sentia, quando pequeno. Ao longo de seu crescimento, os desenhos deram lugar a uma aos sentimentos pulsantes da adolescência, onde a música e pequenos atos de vandalismo marcavam cada vez mais sua personalidade. Foi também neste período que Slash deu o ponta-pé inicial na sua relação com as drogas e escolheu a guitarra, com incentivo da avó, como novo meio de canalizar e expressar o que sentia.


Da adolescência raivosa até as raízes do que viria ser o Guns n' Roses, o livro traz uma miríade de acontecimentos marcantes que, página por página, se desdobram em momentos cômicos, confusões e problemas graves. Se pairava no ar alguma dúvida sobre a origem da violência e agressividade que a banda deixava transparecer no início de sua carreira, ela se esgota na leitura deste livro. Nada de marketing ou sensacionalismo: o Guns n' Roses era, de fato, a banda mais perigosa do mundo. Seus membros desfrutavam de uma união impulsionada pela pobreza, um sentimento hedonista imensurável e completa falta de qualquer tipo de razão. A fase mais criativa do Guns n' Roses, justamente a que precedeu a gravação de "Appetite for Destruction", era sustentada por poucas refeições, porres homéricos, sexo, drogas, prisões e balbúrdias: nessa época, o Gn'R apresentava-se em pocilgas literalmente banhadas à vômito e causava tumulto onde quer que fosse. Todas essas experiências são retradas com uma vivacidade marcante, passível de transmissão somente por quem as viveu e sentiu. 

A narrativa sobre o crescimento do Guns n' Roses representa um momento relevante do livro, não apenas pelo fato de dar ao leitor a chance de acompanhar boa parte do processo de composição das canções que formataram os álbuns da banda, mas também (e principalmente) por evidencar a dificuldade com que a o grupo se firmou e a facilidade com que ruiu. A deterioração da banda é mostrada por um viés tocante, que chega a angustiar: desde a expulsão de Adler até o enclausuramente psicológico de Axl, Slash pincela um quadro tortuoso e, em nenhum momento, se esquiva de suas próprias responsabilidades. Ainda que indiretamente, assume que parte dos efeitos que derrubaram o Guns vieram da dificuldade de comunicação entre os integrantes, inclusive dele mesmo. A conturbada relação com Axl também é alvo de explanações, desde a cumplicidade do início da carreira até o afastamento derradeiro na metade da década de 90, mas sem objetivar ofensas ou algo semelhante: apesar de contar a história sob seu ponto de vista, Slash foi sensato a ponto de tecer vários elogios e criticar de modo comedido a postura de Axl, visto que esta foi a razão fundamental de sua saída.

O mergulho profundo de Slash nas drogas e sua luta em reabilitar-se também merece destaque. Chega a espantar a lucidez com que o guitarrista relata suas alucinações (que envolviam, na maior parte das vezes, pequenos monstros antropomórficos que o obrigou a, certa vez, destruir um quarto de hotel e fugir nú por um campo de golf - charge ao lado) e o sofrimento com as infindáveis crises de abstinência enfrentadas com a esperança de abandonar o uso praticamente cotidiano de heroína, cocaína e crack, que sucedeu a explosão de "Appetite for Destruction" no mundo. Neste ponto, certamente quem merece aplausos é Anthony Bozza, que conseguiu conduzir o relato de Slash por uma trilha nítida e clara: neste caminho, mostra-se o preço cobrado por tal "estilo de vida", e o rock n' roll não parece tão glamouroso como antes. Essa rotina do Guns n' Roses foi explicitada com um cuidado interessante: é possível "passear" pelos tormentos de Izzy com as drogas e seu afastamento súbito para a reabilitação própria; pelos incompreensíveis e sucessivos atrasos de Axl e seu temperamento imprevisível, que causaram estragos em boa parte da turnê dos Illusions (como o incidente em St. Louis, que custou à banda U$ 200.000,00 em indenizações); e pelo esfacelamento gradual do Guns n' Roses  com questões contratuais inimagináveis em uma banda que surgiu, literalmente, do fundo do poço. Quem passa a conhecer os primeiros passos do Gn'R, se surpreende com os tropeços de seu fim.

Enfim, "Slash", autobiografia de um dos maiores nomes das seis cordas, traz uma gama variada de histórias que conduzem o leitor em uma viagem que vai da mais profunda degradação ao céu em uma velocidade vertiginosa, apenas para, em seguida, tornar a cair, com a diferença que, nesta última queda, é o próprio Slash quem abre as asas e pausa os acontecimentos. Levando-se em conta tudo o que se submeteu e suportou, o guitarrista merece aplausos por, hoje, estar onde se encontra. Além do mais, todos ganhamos com isso. Ou, ao menos, ganham aqueles que admiram o seu trabalho.


Cheers!!!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Slash: Confirmado local do Show em Curitiba


Ao menos em princípio, as especulações sobre o local do show de Slash em Curitiba  já se encerrou: ainda no início do dia, o site oficial do guitarrista divulgou que o Curitiba Master Hall foi escolhido como o abrigo da apresentação de um dos ícones mais representativos do hard rock. Será lá que, no dia 08/04/2011, apenas três dias após o great gig do Iron Maiden, centenas de amantes da boa música poderão desfrutar um momento  no mínimo, único.

Quanto aos ingressos, as informações ainda são um tanto desencontradas. Por consequência da escolha do local, pode-se deduzir que, à exemplo de Twisted Sister e Motorhead, será o Disk Ingresso o responsável pelas vendas dos tickets. No site oficial, juntamente à lista de shows, já há a opção de compra dos ingressos: ao clicar em "Tix", somos direcionados à página do Curitiba Master Hall; mas ainda não há qualquer menção específica ao show e aos ingressos. O mesmo ocorre na página do Disk Ingresso: aparentemente, será necessário mais alguns dias de espera até a divulgação de valores.

 Quanto ao show, as expectativas não poderiam ser melhores. Esta será a primeira vez que Slash virá à Curitiba e, pelas suas últimas apresentações, pode-se ter certeza que dia 08/04/2011 será uma noite e tanto. O guitarrista, ao consolidar a tour de seu primeiro disco solo, conseguiu juntar uma banda e tanto: o baterista Brent Fitz, que acompanha Alice Cooper em seus shows; o baixista Dave Henning, da banda americana Big Wreck e o guitarrista Bobby Schneck (que já tocou com Weezer, Green Day e Aerosmith)  cumprem com louvor a tarefa de ampliar ainda mais a vibração das canções apresentadas, tendo em vista que os shows não contemplam apenas as faixas do novo álbum, trazendo também clássicos do Snakepit, Velvet Revolver e, claro, Guns n' Roses.

Prova disto é a quantidade e qualidade de apresentações que Slash tem feito nesta turnê: além de participar de conceituados festivais (como o Download Festival, Rock Am Ring e Glastonbury), o guitarrista por diversas vezes adicinou "temperos" especiais às noites, com a presença de alguns dos convidados que participam do novo disco: Alice Cooper deu uma baita canja em um show na França em meados de junho deste ano (bootleg este que será apresentado aqui no Rock Pensante nos próximos dias) cantando "Scholl's Out"; Lemmy Kilmister, esterna voz do Motörhead, também participou de shows na Europa e E.U.A integrando a faixa "Doctor Alibi". Para os shows que ocorrerão no Brasil, à exemplo dos demais concertos, será Myles Kennedy o frontman de Slash. Contrariando algumas perspectivas pessimistas havidas antes do início da turnê, Myles deu conta do recado com folga: sua voz encaixou-se em todos os formatos de canções, seja do Gn'R ou Velvet Revolver.

Como não poderia ser diferente, vários sonham com uma possível reunião de Slash com ninguém menos que Ozzy Osbourne, já que ambos estarão no Brasil na mesma semana para suas respectivas apresentações. Em diversas comunidades no Orkut e no sítio virtual Slashonlinebrasil, a expectativa é grande em torno de uma canja de Slash em um dos shows de Ozzy, ou vice-versa. Mas, sejamos sinceros: é algo difícil de ocorrer, já que "Crucify the Dead", canção que Ozzy canta no disco de Slash, raramente integra os set lists dos shows. Isto sem contar o vetor financeiro que catalisa as apresentações e participações no mundo do rock. O jeito é esperar. 

O Rock Pensante estará atento às movimentaçõe sobre os shows de Slash no Brasil, em especial, logicamente, o que ocorrerá em nossa cinza cidade. Como forma de comemorar a primeira apresentação do "Sr. Cartola" em solo paranaense, já preparamos uma série de postagens que serão exibidas semanalmente sobre o artista, desde resenhas até notas informativas. Vamos todos aproveitar esta celebração!
Cheers!!!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

2010 - Order of the Black (w/ bonus tracks)


Certas coisas são fáceis de afirmar, seja em nosso cotidiano ou em relação à música. Assim como dizemos sem pensar muito que o "céu é azul", dizemos que também que Zakk Wylde é um dos gênios criativos mais relevantes dos últimos 15 anos. Seja com o Ozzy Osbourne, com o Black Label Society ou com qualquer coisa ou pessoa, Zakk é capaz de criar bons momentos para os amantes do som pesado. "Order of the Black", último lançamento do BLS é a prova cabal disto: apesar do excelente desempenho de Nick Catanese, John DeServio e Will Hunt, o que brilha mesmo é a estrela luciferiana de Wylde.

"Order of the Black" inicia-se com uma dupla explosão: "Crazy Horse" e "Overlord" mostram a força natural do Black Label Society em grande estilo. Delas, destaca-se "Overlord": densa e calcada em um riff que fica preso na alma, a faixa e suas variações de velocidade são a nítida garantia de um "whiplash" maravilhoso. "Parade of the Dead", apesar da sequência manjada do riff, também desfere alguns socos no ouvido de quem a ouve.

Mas "Order of the Black" não é só peso: Wylde e companhia consolidaram momentos reflexivos interessantíssimos, o que traduz a incrível capacidade produtiva da banda em, vejam só, compor frases calmas aptas a fazer um estádio inteiro cantar à luz de chamas de isqueiros. "Darkest Days" é a primeira delas: com um refrão forte e  a marcante contribuição de Wylde no piano, a canção gruda em nossa memória e custa a sair. É "chicletuda", na melhor acepção do termo. "Time Waits for no One" aposta nesta mesma fórmula, mas vai além: a letra é de uma sensibilidade que bate de frente com a figura ríspida e carrancuda de Zakk Wylde. O solo da canção é igualmente marcante, e potencializa aquele momento "ser ou não ser" (com direito a caveira e tudo o mais) que faz o sujeito mais superficial a parar e pensar na vida. "Shallow Grave", ainda que mais tímida e menos completa em critérios musicais, também se vale desta mesma premissa.

Voltando ao que sabe fazer de melhor, o Black Label Society garante a variação de peso/velocidade com outras canções: "Riders of the Damned", "Black Sunday" e "Southern Dissolution" aproveitam-se dos tradicionais picks de Wylde para fazer a cabeça balançar. A versão simples de "Order of the Black" encerra-se em "January", faixa predominantemente acústica que vale a atenta audição. Mas, nesta versão disponibilizada pelo Rock Pensante, mais duas canções são introduzidas, ambas de natureza tênue: "Junior's Eyes" e "Helpless". A primeira, na verdade um tributo ao Black Sabbath, visto que a canção figura no álbum "Never Say Die", poderia ser muito bem um dos singles do álbum: a letra tipicamente sabbatiana conduz uma singular viagem do ouvinte ao tom do piano e do lamento de Zakk Wylde. Em termos simples, "Junior's Eyes", mesmo sendo um cover, é um dos momentos mais marcantes da carreira do Black Label Society.

Em termos gerais, "Order of the Black" traduz um dos melhores trabalhos do BLS. Muito bem produzido, o álbum apresenta diversas faces do grupo, seja em sua vertente tradicionalmente pesada e bruta, seja em seu formato mais comedido e reflexivo. Os vocais de Zakk Wylde estão mais lapidados, e, em certos momentos, chegam a lembrar muito do que Ozzy Osbourne já fez, principalmente nas canções mais calmas, como "Junior's Eyes" e "Time Waits for no One". Pode parecer exagero à primeira vista, ou, até mesmo, uma blasfêmia, mas não se está querendo comparar o incomparável; em todo caso, parece-nos natural que Zakk lance mão de meios oriundos de Ozzy, depois de acompanhá-lo por tanto tempo. E o resultado, a despeito das contradições, foi sensacional. "Order of the Black" merece ser ouvido até os tímpanos explodirem.

Cheers!!!

Set List:

1. Crazy Horse
2. Overlord
3. Parade of the Dead
4. Darkest Days
5. Black Sunday
6. Southern Dissolution
7. Time Waits for no One
8. Godspeed Hellbound
9. War of Heaven
10. Shallow Grave
11. Chupacabra
12. Riders of the Damned
13. January
14. Junior's Eyes (bonus track)
15. Helpless (bonus track)

CLIQUE AQUI P/ FAZER O DOWNLOAD 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

2006 - Tribute to Rainbow: Joe Lynn Turner and The New Japan Philarmonic


Não é de hoje que o rock e a música clássica trafegam e constroem seus caminhos de mãos dadas. Na história, desde o pioneiro "Concert for Group and Orchestra", temos diversos exemplos de bandas que se aventuraram em consolidar uma releitura de seu trabalho com a fusão entre o peso e o refinamento. No sentido oposto, a recíproca também é verdadeira: não faltam tributos de orquestras à bandas lendárias, de Led Zeppelin a Iron Maiden. E com o Rainbow a coisa não foi diferente.

A banda fundada por Blackmore sempre teve, por razões óbvias, uma ligação direta com a música erudita. "Blackus" nunca escondeu que suas maiores influências decorriam da música clássica, especialmente da vertente barroca. Diversas canções do Rainbow (e, claro, também do Deep Purple) são uma menção direta à esta influência. Yngwie Malmsteen, mais do que uma lenda das seis cordas, ostenta orgulhosamente o fato de que foi Blackmore quem construiu a ponte que o levou até a música clássica e guiou todo o seu desenvolvimento técnico na guitarra. Enfim, por estas razões, e por tantas outras, nada mais justo que o Rainbow recebesse uma direta homenagem produzida por uma excelente orquestra; e mais: nada melhor do que Joe Lynn Turner fazer "as vezes" de porta-voz desta festa.


E assim consolidou-se este excelente bootleg, que o Rock Pensante traz com o maior contento. "Tribute to Rainbow" apresenta canções provavelmente escolhidas a dedo, mostrando duas fases do grupo que o público conhece bem: a que contava com o eterno Ronnie James Dio nos vocais e, logicamente, a que contou com Turner como frontman. Outro ponto importante neste tributo é a predominância da orquestra no alicerçamento sonoro. Nada de guitarras, bateria e baixo acompanhado a New Japan Philarmonic: apenas ela e Turner é que preencheram o vazio com todo o sabor artístico que a música pode proporcionar.

No primeiro disco, predominam as canções da "Era Dio": "Catch the Rainbow" introduz um ímpar momento de reflexão, com a execução perfeita da orquestra e a força da voz de Turner, que honrou com glória o legado de Dio no Rainbow. "Gates of Babylon" e "Rainbow Eyes" também fazem valer a atenta audição, seja para captar as inovações providas pela orquestra ou apenas para apreciar sua beleza. Já no segundo disco, é a "fase Turner" que mostra sua face. "Stone Cold", "Street of Dreams", "Maybe Next Time" e "Stranded" reascenderam a chama de um dos mais curiosos momentos do Rainbow. Com o gradativo crescimento da força das canções (captado pela orquestra), instantaneamente preenchemos as lacunas deixadas pela ausência de distorção e beat com nosso imaginário: somos nós quem conduzimos guitarras, baixos e baterias ao nosso próprio deleite. É de se imaginar o quão interessante seria uma homenagem ao Rainbow nestes mesmo moldes, acrescidos de fato com o peso do hard rock.

Mas, sem exageros, talvez o ponto alto do tributo encontre abrigo em "Spotlight Kid", canção do álbum "Difficult to Cure", primeiro com Turner nos vocais. Nesta faixa percebe-se a nítida ligação do Rainbow com a música clássica: a orquestra não mudou sequer uma passagem da canção, mas, quem a ouvir pela primeira vez e não souber que foi Richie Blackmore quem a escreveu, possivelmente irá creditar a composição à algum ícone da música do século XVIII ou XIX. "Spotlight Kid" representa toda a extensão erudita incrustada no espírito do Rainbow pela influência de Blackmore. Simplesmente fantástico.

Enfim, "Tribute to Rainbow: Joe Lynn Turner and The New Japan Philarmonic" constituí um tributo e tanto para umas das mais importantes bandas de hard rock de todos os tempos. Além de uma reverência merecida, é também a chance de apreciarmos o trabalho da banda sob outro prisma, aproveitando todas diferenças e semelhanças criativas decorrentes do rock e da música clássica. Como não poderia ser diferente, é nossa obrigação creditar este tesouro ao blog Rockkk and Rulezzz, que primeiro apresentou este bootleg ao público. Conheçam o site acessando o link nos comentários da postagem.

Cheers!!!

Set List:

Disc One

1. Tune Up
2. Eyes of the World
3. Catch the Rainbow
4. Gates of Babylon
5. Weiss Heim
6. Raibow Eyes
7. 1812 Overture (Dedicated to Cozy Powell)

Disc Two

1. Elgar Pomp and Circunstance
2. Spotlight Kid
3. Stone Cold
4. Can't Let You Go
5. Stranded / I Surrender
6. Maybe Next Time
7. Street of Dreams

PARA FAZER O DOWNLOAD, CLIQUE AQUI 

Iron Maiden em Curitiba - Ingressos e Mapa do Local do Show


Pois bem. Devido a severos problemas de saúde deste matuto redator, o Rock Pensante teve suas atividades suspensas por mais de um mês. Ainda que não estejamos em condições 100 %, decidimos retomar, ainda que de modo comedido, os trabalhos. E nada melhor do que trazer boas notícias sobre o show do Iron Maiden em nossa cidade.

Os últimos dias foram de verdadeira angústia para os maiden-maníacos curitibanos. Atraso injustificado no início das vendas dos ingressos, impasses quanto ao local do show e uma miríade de boatos (a maioria infundados) conduziram os headbangers à um único local: um gigante ponto de interrogação que, até ontem, parecia difícil de ser dissolvido. Mas hoje, há poucas horas, uma luz insistiu em brilhar no fim do túnel: a produtora responsável pela vindo do Maiden à Curitiba resolveu liberar os valores dos ingressos para o show: a pista VIP custará R$ 250,00 e R$ 160,00 a pista comum. Os ingressos serão vendidos a partir do dia 13 de dezembro pelo site Ingresso Rápido, com pré-venda exclusiva no dia 12 de dezembro para membros do Iron Maiden Official Fan Club. Para visualizar a página da venda, basta clicar AQUI.

Ressalta-se, por óbvio, que é necessária a confecção de um cadastro prévio do usuário para compra do ingresso, tendo em vista que boa parte do pública comprará seu ticket pelo site, necessitando de entrega por SEDEX, ou outro meio. Todavia, haverão em Curitiba pontos físicos de venda, que poderão ser consultados ao fim desta nota, com maiores informações.

Outro ponto importante diz respeito ao local do show. Desde a indicação inicial do Expotrade, um mar de pulgas saltaram às orelhas de todos, como se a possibilidade de alteração (ou, até mesmo, cancelamento) parecia(m) prováveis. O local não é dos melhores e, de fato, incapaz de comportar todo o público que o Iron Maiden é capaz de atrair, isto sem contar a relativa dificuldade de acesso ao Expotrade. Inclusive, muitos indicaram que o atraso no início das vendas dos ingressos deveu-se por um impasse na batida do martelo em relação ao local: em comunidades do orkut, e também em outros sites, há quem jure que a Arena da Baixada é quem abrigará o show. Outros, do meio jurídico (aos quais se filia este redator), acreditam em uma possível liberação da Pedreira Paulo Leminski, vez que o processo de interdição teve reviravoltas relevantes. Pelo sim, pelo não, em princípio o Expotrade mantém-se como sede da grande festa do dia 05/04/2011, tendo sido publicado, inclusive, um mapa do local, que segue abaixo:

 Reforça-se, ainda assim, que apesar da divulgação de valores e do mapa do local, muito provavelmente o Expotrade não sediará a apresentação do Iron Maiden. Todavia, o que realmente importa é que o show ocorra em Curitiba, principalmente com a manutenção dos valores já mencionados, "baratos" se comparados aos demais shows que ocorrerão em 2011. Por exemplo, para o show do U2 em São Paulo, o local mais próximo do palco em 360º chega a custar R$ 1.000,00. Ainda que se leve em consideração toda a produção a ser utilizada pelo U2  nesse show em formato especial, poucas razões justificam este valor absurdo.

Enfim, agora é esperar pelo dia 15 de dezembro, torcendo para que as vendas não sejam novamente canceladas ou atrasadas. Inicia-se a regressiva do show da Donzela de Ferro em nossa cidade, daqui a 120 dias, salvo melhor contagem ou erros cometidos por nós. Em contrapartida, diversos outros shows ocorrerão em Curitiba em 2011, como Motörhead, Blaze Bayley, e Slash. Portanto, fiquem atentos no Rock Pensante para informações sobre os principais shows do próximo ano!

Cheers!!!

IRON MAIDEN - THE FINAL FRONTIER WORLD TOUR


Data: 05/04/2011

Local Provisório: Arena Expotrade (Rodovia João Leopoldo Jacomel, 10454 - Vila Palmital
Cep: 83320-005 - Pinhais - PR)

Valores:
 - PISTA VIP: R$ 250,00 (R$ 125,00 meia entrada)
 - PISTA COMUM: R$ 160,00 (R$ 80 meia entrada)

Pontos de Venda:
 - Virtual: INGRESSO RÁPIDO (http://www.ingressorapido.com.br/Evento.aspx?ID=13239)

 - Lojas Físicas em Curitiba:

FNAC CURITIBA
Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza - Loja 101 (Park Shopping Barigui), 600
Curitiba /PR
Formas de Pagamento:
Amex, Aura, Diners, Dinheiro, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.
Observação:
Compras de ingressos adquiridas através do site ou Call Center não poderão ser retiradas na lojas FNAC.

TEATRO LALA SCHNEIDER

Rua Treze de Maio, 626 - Centro
Curitiba /PR
Horário de Atendimento:
Terça a Quinta das 15:30 às 21:00
Sexta e Sábado das 15:30 às 00:00.
Domingo e Feriado das 14:00 às 21:00.
Formas de Pagamento:
Dinheiro Observação:
Segunda - Feira : Não abre a bilheteria.

TEATRO REGINA VOGUE (SHOPPING ESTAÇÃO)

Sete de Setembro - Lj. 2004, 2275 - Centro
Cep: 80060-070
Curitiba /PR
Horário de Atendimento:
Segunda das 14:00 às 18:00
Terça a Domingo das 14:00 às 22:00.
Formas de Pagamento:
Amex, Aura, Diners, Dinheiro, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.



VM.4 (SHOPPING OMAR)


Rua Vicente Machado, 285 loja 02/04 - (Entrada Também Pela Rua Comendador Araújo, 268)
Curitiba /PR
Horário de Atendimento:
Segunda a Sexta das 09:20 às 20:00
Sábado das 09:30 às 18:00.
Formas de Pagamento:
Amex, Aura, Diners, Dinheiro, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.





quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pão de Hamburguer é a banda do Mês da Galeria Musical


Há pouco falávamos em boas notícias e, de fato, o último semestre de 2010 trouxe elas aos montes. Após consolidar o lançamento de seu primeiro DVD ("Ao Vivo no Guairinha") em formato totalmente independente, o Pão de Hamburguer foi agraciado com o título de Banda Independente do Mês de Novembro, do site carioca Galeria Musical.

O Galeria Musical desenvolve um consistente trabalho com a divulgação de bandas independentes do cenário nacional. A todo momento, o site apresenta o material de bandas de diversos cantos do país, tendo sempre o rock n' roll como fio condutor. Todos os meses, o Galeria Musical escolhe um grupo pela relevância de seu trabalho e pelo espaço alcançado na cena local a qual pertence. E, no mês de novembro, o Pão de Hamburguer foi o grupo escolhido, e o anúncio veio acompanhado de materiais especiais.

Na página do site (para ler, clique AQUI), além do anúncio, é possível ler uma resenha sobre a banda, onde consta um breve prospecto histórico sobre os passos dados por Gabriel, Leozin, Joel, Bruno e Rennan. Há também uma entrevista com banda, que permite ao leitor adentrar no ambiente  franterno da banda, conhecendo mais sobre o processo de composição do grupo, seus objetivos e o que mais faz o olho da rapãozeada saltar.

Mas o melhor ficou para o final. Logo acima da resenha sobre o grupo, há um ícone que conduz o leitor para uma página de download, que contém uma compilação carinhosamente estruturada pela banda. As faixas que compõem o EP são, no mínimo, especiais: de cara, o ouvinte poderá ter contato com três faixas de áudio (em MP3) do DVD "Ao Vivo no Guarinha", como uma canja do que o show trouxe por completo, além de faixas em estúdio das canções mais adoradas pelos fãs da banda. Mas o "pulo-do-gato" fica por conta da exclusiva faixa inédita fornecida pela banda, "Have a Nietzsche Day", que irá compor o conjunto de novas canções consolidadas durante o projeto Gravando Curitiba. A resenha do site Galeria Musical traz detalhes sobre a nova faixa, que é de longe um dos saltos mais criativos dados pelo Pão. Para fechar com chave de ouro, a Galeria Musical também confirmou uma interessante promoção, que irá sortear dois sortudos brasileiros com cópias do DVD "Ao Vivo no Guairinha". Basta acessar http://www.galeriamusical.com.br/bandadomes.php, clicar no ícone da promoção e cruzar os dedos. O sorteio será no dia 19 de Dezembro.

Enfim, essa "nomeação" é o sincero reconhecimento do talento e sucesso gradativamente alcançado pelo Pão de Hamburguer, que começa a alçar asas para o "além-Paraná". Nada mais do que o merecido para uma das melhores bandas de nossa cidade.

Leiam, ouçam, aproveitem!!!!!!

Rock Pensante Entrevista Te Extraño


Das inúmeras incertezas que a vida usualmente nos reserva sob seu manto, já podemos, nesta altura do campeonato, descartar algumas. Por exemplo: Curitiba viveu, em 2010, um de seus melhores momentos artísticos. Com isso, fica fácil afirmar que aquela cena sem sal que antes nos recebia de braços fechados noite após noite já está a se preparar para o seu derradeiro gesto de adeus. Inúmeros grupos foram os responsáveis por esta nobre tarefa e, com muito orgulho, grande parte deles figuram nas páginas deste livreto virtual que por vezes declina seus pecados. Assim, é também fácil acertar que o Te Extraño é um desses grupos que travestiram-se em cores, aromas e prazer para dar o toque final na pintura que tomou conta do céu de nossa cidade.

Mas do que o céu de baunilha de Monet, Te Extraño auxiliou fortemente na criação de uma nova respiração para os ares da arte que hoje predominam. Misturando grande parte do que há de bom no que tangencia as referências musicais,  Carol Alencar, Edgard Lino, Eduardo Cirino, Edi Torres,  Neto, Úrsula Lorenzon e, mais recentemente, Leonardo Bokermann, são responsáveis pela construção de um som capaz de embalar com a mesma intensidade corpos e pensamentos.

Há algumas semanas, o Rock Pensante realizou um produtivo bate-papo com o grupo, para aproximar o Te Extraño  ainda mais do público que está a cotidianamente conquistar. A demora para a publicação da entrevista deveu-se aos problemas de saúde ao qual este matuto redator foi submetido. Com uma mistura de desculpas e saudações, é com prazer que agora publicamos esta entrevista com uma das melhores bandas de Curitiba. Vida longa ao Te Extraño!

ENTREVISTA

Rock Pensante. A sonoridade do Te Extraño é bastante abrangente, com diversos elementos que, diferentes entre si, mesclam-se prazerosamente no trabalho concretizado por vocês. Quais são as principais influências que o grupo possui, tanto no início de seu caminhar como atualmente, e quais os seus respectivos efeitos no processo de composição?

Te Extraño: Com uma diversidade de influências, muitas das quais não são unânimes para todos os integrantes da banda, tentamos fazer combinações desses sons, criando um trabalho final que acaba flertando com as mais diversas linhas do rock. O próprio desafio de fazer músicas que agradem a todos os integrantes e que tenham um pouco de cada um, nos faz ampliar horizontes e também nos faz chegar mais próximos de públicos de vários segmentos. No processo de criação procuramos um equilíbrio entre essas diferentes linhas, e com o passar do tempo temos nos conhecido melhor, sendo influenciados uns pelos outros criando assim uma unidade com espaço para todos. Não vem ao caso indicar quais são estas influências, fazendo parte da brincadeira nosso público tentar descobri-las.

R.P. Todas as canções disponibilizadas por vocês no MySpace agregam, com competência, uma sonoridade abrasiva com letras que fazem o ouvinte pensar. Além delas, percebe-se nas demais, que ainda estão por vir, esta mesma premissa: "A Fuga", por exemplo,conduz o ouvinte para uma viagem mais intimista e introspectiva, enquanto "Rendez-Vous" brinca com a sonoridade das palavras e as mescla com a musicalidade da canção. Enfim, como se dá o procedimento de composição no Te Extraño? O processo flui naturalmente ou cada membro, via de regra, se identifica com função específica no processo de criação?

T.E.: Não temos uma regra, algumas funções acabam por ser trocadas devido ao que vai fluindo com a criação. Se algum de nós traz um esboço de uma música, acabamos todos por imergir nessa idéia, lapidando até chegar num consenso. É claro que algumas funções acabam naturalmente sendo mais específicas devido às habilidades de cada integrante, mas não é uma regra.


R.P. Atualmente, a agenda da banda tem sido bastante agitada. Além de concluir a participação no projeto Gravando Curitiba, o Te Extraño foi classificado para uma das últimas eliminatórias do Kaiser Sound, cuja participação foi interrompida por razões supervenientes à vontade da banda. Como vocês encaram e avaliam a participação nestes dois eventos?

T.E: A participação no evento Gravando Curitiba foi perfeita, com certeza um grande apoio a nossa banda. Além de gravarmos o CD, fomos bem divulgados pela mídia, fizemos um ótimo show no TUC, ainda vamos colher frutos deste projeto por um bom tempo. Quanto ao Kaiser Sound, tem sido um concurso de bandas muito bem divulgado, com uma produção muito boa, felizmente ganhamos uma das eliminatórias, fomos elogiados por todos os presentes no evento, com uma ótima repercussão, o que até aí já foi uma grande vitória para nós, mesmo com essa nossa impossibilidade de participar da semifinal foi uma ótima experiência.

R.P. Ainda sobre o projeto Gravando Curitiba, vocês poderiam falar um pouco sobre as canções que compõem o EP e se há alguma previsão para a data de veiculação deste trabalho?
 
T.E: Ainda não temos uma data para veiculação deste EP, mas já estamos em processo de finalização. Duas destas músicas já podem ser conferidas em nosso myspace, (www.myspace.com/espacoteextrano), Cardumes de Cetim e Florais. As outras músicas serão First Class, A Fuga e Rendez-Vous. O processo de gravação serve pra gente como um laboratório, onde a criação só finaliza após a mixagem final. Estamos satisfeitos com o resultado e esperamos surpreender o público com novidades. 

R.P. Também de modo recente, o Te Extraño passou por modificações em sua formação, com a entrada de Úrsula Lorenzon nos backings e Leonardo Bokermann no baixo, no lugar de Marcelo Esturilho. Quanto à participação de Úrsula, já estava na meta da banda a inclusão de mais uma pessoa para cuidar especificamente desta função? Enfim, quais as contribuições criativas que a banda vislumbra com esta nova formação?

T.E: A Úrsula Lorenzon já vinha participando da banda antes mesmo de nossa estréia, desde então ela vem agregando as mais diversas funções de acordo com a necessidade de cada música, e isto cresceu de tal forma que ela acabou naturalmente se tornando uma integrante oficial da banda pois sua participação é primordial ao nosso trabalho. Além de backing vocal, a Úrsula Lorenzon toca guitarra, percussão, teclado e tem participado de todo o processo criativo. O Leonardo Bokermann no baixo acabou por dar uma nova energia a banda, ele já era nosso amigo e é um ótimo músico, logo no primeiro ensaio já rolou uma ótima química, e também tem participado do processo criativo.

R.P. A cena musical indenpendente de Curitiba, hoje, começa a pulsar com mais vivacidade, tendo em vista os diversos projetos estruturados e o louvável empenho das novas bandas que a compõem, como Pão de Hamburguer, O Trilho, Trem Fantasma e o próprio Te Extraño. Gradativamente, estamos abandonando a reprodução para dar espaço à criação de novas vozes, sons e cores. Como a banda vislumbra este novo momento da cena curitibana? De fato, tais aspectos negativos estão sendo superados?

T.E: Temos curtido este novo momento da cena curitibana, pois é a cena da qual temos participado e conseguido várias oportunidades em pouco tempo de banda. De um modo geral, achamos que o nível dos trabalhos, com relação a gravações, shows, equipamentos, está bem superior comparados a outras épocas que presenciamos. Mas Curitiba sempre foi assim, muitos sons e cores.
R.P Para encerrar, quais são os planos futuros da banda com esta "reabastecida" formação e com este aprimorado cenário musical?

T.E: Compor mais, tocar mais, se divertir mais... Acho que é isso, a gente ama música e quanto mais pudermos compartilhar isso com mais pessoas, melhor.

Todas as fotos que compõem esta matéria foram registradas pelo fotógrafo Marco Stammer
_ _ _

Já ouviu Te Extraño hoje? Não???? Eis, então, uma boa oportunidade para tanto!
Ouça as canções disponíveis no Myspace: http://www.myspace.com/espacoteextrano

Quer conhecer ainda mais a banda? Siga o Te Extraño no Twitter: @t_extrano
O Te Extraño também possui um espaço virtual onde é possível tomar contato de notícias sobre a banda, fotos e letras das canções. Acessem: http://www.teextrano.wordpress.com

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

13/11 - Dr. Sin e Silvermoon

  
Sábado será um dia extremente relevante para o rock n' roll curitibano: o Dr. Sin aterrisará no palco do Hangar Bar para cumprir sua apresentação no Rex Som Music Festival, que contou também com o show da banda Cachorro Grande.

Para melhorar ainda mais este quadro, a aberuta do show de sábado à noite ficará a cargo de um dos maiores nome do hard rock curitibano: Silvermoon fará da noite um momento ainda mais especial. Ronaldo Jr, tecladista da banda, adiantou ao Rock Pensante as expectativas que permearam estes dias que antecederam o show: "As expectativas são das melhores pra esse show. Até então é o nosso show mais importante... sem contar que tocar no mesmo palco, na mesma noite que o Dr. Sin é uma honra pra qualquer banda. Esses caras são muito bons!!" 

Gradativamente, a Silvermoon consolidou seu nome no cenário curitibano. A cada apresentação, a banda inclui a cada noite, além de uma nova experiência na bagagem, novos elementos para seus shows. Na noite da apresentação com o Dr. Sin a premissa não é diferente: "A cada show que passa sempre estamos incluindo algumas músicas novas no repertório", afirmou Ronaldo Jr.. "Nem todo show é possível apresentar muitas novidades, pois dependendo do evento, o tempo de apresentação é menor... De qualquer maneira, pode-se esperar músicas novas no repertório da banda e a energia e performance que sempre apresentamos!"

Enfim, agora é com a gente: eis nosso dever de comparecer em massa no Hangar  e prestigiar dois grandes nomes do rock n' roll!!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Oficializadas as datas da "The Final Frontier World Tour" em 2011: Curitiba está novamente no Roteiro


O que antes era apenas especulação e otimismo hoje, dia 02 de novembro de 2010, pontualmente às 16 hrs se confirmou: o Iron Maiden voltará às paragens tupiniquins em 2011. E mais do que isso: CURITIBA faz parte do novo roteiro da Donzela de Ferro. Ao menos essa é a base que sustenta a divulgação das datas oficiais da turnê do novo álbum da banda, "The Final Frontier", lançado neste ano e responsável por um dos maiores números de vendagem de 2010.

"Around the World in 66 Days!" é o que promete o Iron Maiden na primeira parte de sua turnê, que começará em Moscou no dia 11 de fevereiro e se encerrará no dia 10 de julho em São Petersburgo, também na Rússia. Ao todo, serão mais de vinte shows em 13 países diferentes e, novamente, em tempo recorde, o que somente será possível com a utilização do Ed Force One, Boing exclusivo da banda que os leva aos quatro cantos do mundo economizando gastos e distribuindo energia. No comunicado oficial do grupo em seu web site (clique AQUI para ler), há tsmbém a confirmação do novo design do Ed Force One, que trará em si a simbologia característca da arte do novo álbum. Será a borde deste "tapete mágico", como o próprio Bruce o chama, que o Maiden percorrerá mais de 50.000 milhas, valor superior a 80.450 km. 

Segundo Dickinson, a escolha por trazer de volta o Ed Force One deu-se pela diversão e bons resultados obtidos com a Somewhere Back in Time World Tour nos anos de 2008 e 2009: "A banda e toda a equipe se divertiu tanto viajando deste jeito", afirmou a eterna voz da Donzela, "que nos pareceu lógico formatar esta parte da The Final Frontier Tour do mesmo modo, para que pudessemos ver a maior quantidade possível de fãs ao redor do mundo. (...) Assim, estaremos em lugares onde o Maiden nunca esteve antes." A prova disto, por exemplo, resido o fato da banda visitar Cingapura, território não visitado pelo grupo antes.
Outro ponto importante e de forte interesse aos fãs diz respeito ao set list que servirá de base para a The Final Frontier World Tour, vez que o Maiden é conhecido por manter a mesma relação de músicas em grande parte de suas apresentações. Bruce Dickinson, no mesmo comunicado, deu algumas pistas do que os maidenmaníacos podem esperar: "O set list vai ser diferente nesta parte da turnê. Certamente tocaremos mais canções do novo álbum e também material mais recente, mas também incluíremos uma dose saudável das canções favoritas de nossos fãs mais antigos, assim como sabemos que também estaremos tocando estas mesmas canções pela primeira vez para fãs que irão ouvir essas canções ao vivo pela primeira vez." Deste modo, o que já era em certo ponto esperado também se confirmou: ao contrário dos shows de 2010, que antecederam o lançamento de "The Final Frontier" e contaram apenas com "El Dorado" em sua formatação, a banda privilegiará o novo disco e parte do material recente, visto nos álbuns "Brave New World", "Dance of Death" e "A Matter of Life and Death". Resta saber como será essa "dose saudável" de clássicos que Bruce prometeu. Alguém se arrisca a palpitar?

Outro ponto tratado por Dickinson refere-se à produção do show da banda nesta nova turnê: "Levaremos em nosso avião a uma quantidade ainda maior de produção que utilizamos neste ano, o que inclui certamente Eddie, e pretendemos reproduzir o espetacular show de luzes em tantos lugares que forem possíveis. Tudo isso garante uam viagem fantástica para todos! Nos vemos em breve!" Diversas críticas apontaram as apresentações da banda que antecederam o lançamento do novo disco (como a que ocorreu na América do Norte com o Dream Theater) como um espetáculo tanto musical como visual; então, devemos esperar que, no mínimo, esses mesmos espetáculo se repitam positivamente em 2011.

Quanto aos shows, o Brasil será agraciado com seis apresentações: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belém, Recife e Curitiba. Na América do Sul, serão ao todo quatro shows (sem contar os que ocorrerão em nosso país): Colômbia, Peru, Argentina e Chile também receberão a nova turnê da Donzela de Ferro. Quanto ao show em Curitiba, o local escolhido foi o Expotrade, que já albergou a apresentação derradeira do Oasis em solo brasileiro. Agora é torcer que não ocorra nenhuma espécie de cancelamento, vez que a Pedreira Paulo Leminski, local que recebeu o último show do Maiden em 2008, ainda encontra-se interditada por sucessivas e ridículas decisões judiciais sustentadas por puro preconceito e implicância.

Devemos agora acertar os relógios, marcar as agendas e guardar uma grana, já que os ingressos dos últimos shows de grande porte têm sido bastante caros e, até certo ponto, absurdos. Vejam abaixo a completa lista das datas que compõem a The Final Frontier World Tour. Nos vemos em 05 de abril de 2011!!!
Cheers!!!

FEBRUARY
Fri 11
Tue 15
Thu 17
Sun 20
Wed 23
Thu 24
Sat 26
Sun 27

Moscow, RUSSIA
SINGAPORE
Jakarta, INDONESIA
Bali, INDONESIA
Melbourne, AUSTRALIA
Sydney, AUSTRALIA
Brisbane, AUSTRALIA
Sydney, AUSTRALIA

Olympiski
Singapore Indoor Stadium
Stadium Utama Gelaro Bung Karno Senayan
Garuda Wisnu Kencana
Hisense Arena
Entertainment Centre
Showgrounds (Soundwave Festival)
Eastern Creek Raceway (Soundwave Festival)

MARCH

Fri 4
Sat 5
Mon 7
Thu 10
Sat 12
Sun 13
Thu 17
Fri 18
Sun 20
Wed 23
Sat 26
Sun 27
Wed 30


Melbourne, AUSTRALIA
Adelaide, AUSTRALIA
Perth, AUSTRALIA
Seoul, KOREA
Tokyo, JAPAN
Tokyo, JAPAN
Monterrey, MEXICO
Mexico City, MEXICO
Bogota, COLOMBIA
Lima, PERU
Sao Paulo, BRAZIL
Rio De Janeiro, BRAZIL
Brasilia, BRAZIL


Showgrounds (Soundwave Festival)
Bonython Park (Soundwave Festival)
Steel Blue Oval (Soundwave Festival)
Chamsil Gymnasium
Super Arena
Super Arena
Banamex Theatre
Foro Sol
CC Sapo
Estadio San Marcos
Morumbi Stadium
HSBC Arena
Nilson Nelson Parking Lot

APRIL

Fri 1
Sun 3
Tue 5

Fri 8
Sun 10
Wed 14
Sat 16
Sun 17


Belem, BRAZIL
Recife, BRAZIL
Curitiba, BRAZIL

Buenos Aires, ARGENTINA
Santiago, CHILE
San Juan, PUERTO RICO
Sunrise, Florida, USA
Tampa, Florida USA

Parque De Exposicoes
Parque De Exposicoes
Expotrade

Velez Sarsfield
Estadio Nacional
Coliseo De Puerto Rico
Bank Atlantic Center
St Pete Times Forum

JULY
Jun 30 - Jul 3
Fri 1
Wed 6
Fri 8
Sun 10


Roskilde, DENMARK
Gothenburg, SWEDEN
Oslo, NORWAY
Helsinki, FINLAND
St Petersburg, RUSSIA


Roskilde Festival
Ullevi Stadium
Telenor
Olympic Stadium
SKK Peterburgskiy

Plexo Solar: Nova Música, Novo Som



Nelson Rodrigues, lá pela segunda metade do século passado, dizia que bom mesmo é quando as coisas ocorrem depressa. Com a música, em raras exceções, as coisas funcionam igualmente bem deste jeito: é sempre gratificante ver quando novos "construtores" aceleram positivamente a demonstração de sua arte, fazendo do relógio um aliado ao invés de um obstáculo. Com o Plexo Solar foi assim: depois de sua primeira apresentação em julho deste ano, sob a égide e incentivo da banda Trem Fantasma, o grupo utilizou muito bem o seu tempo e, hoje, todos já podem aproveitar o primeiro EP do grupo em seu MySpace. Ainda bem.

O Plexo Solar consolidou-se em 2009, ano ainda recente, sob o formato de power trio, com iniciativa dos amigos e guitarristas Alexandre Provensi e Matheus Godoy . Com as idas e vindas normais de uma banda em início de caminhada, o baixista Fred Romero juntou-se ao grupo e Marcelo Liberato assumiu a regência das baquetas do Plexo, transformando a banda em um quarteto, formação atual que consolidou as gravações inéditas em questão. Essa alteração de "formatação" por vezes é essencial e, com raríssimas exceções, imprescindível para o crescimento criativo da banda. Exemplos desta regra são vistos no Trem Fantasma - banda originada no power trio que ampliou sua gama criativa e seu alcance com a chegada de Marcos Dank - e o Pão de Hamburguer, que também começou como trio e atualmente conta com 5 integrantes. Nem é preciso dizer que ambas as bandas, hoje, estão fazendo história.

Pois bem. Da fonte musical provida pelos Beatles, Beach Boys, Mutantes e Novos Baianos é que surgiu a base fundante da sonoridade do Plexo Solar. Nas 4 canções que compõe o EP de estréia da banda ("Crime no Alvoredo", "Enquanto o Dia Passa", "Insano e Salvo" e "No Escuro") os elementos criativos das influências acima citadas encontram-se presentes; basta ouvir com atenção as faixas para chegar a tal constatação.

"Crime no Alvoredo", canção responsável por recepcionar o ouvinte, recria a atmosfera de um assassinato ocorrido na capital gaúcha nos anos finais do século XIX. A faixa foi originalmente concebida por Alexandre Provensi, mas jamais teria se concretizado sem a participação incisiva dos demais integrantes: Matheus acolchetou muito bem as linhas de guitarra em formato de slide enquanto Marcelo improvisa um solo vocal que aproxima-se a sonoridade musical de, vejam só, um trompete. Outra colaboração fundamental percebida nesta faixa é a execução de piano reverberada por Hermann Ruthes, responsável também por abrir as portas da Polizu Records ao Plexo Solar. Com tudo isso, "Crime no Alvoredo" consegue conduzir fielmente o ouvinte por um porão de Porto Alegre do século XIX: a canção se desenvolve e cresce com facilidade, envolvendo o ouvinte sem perceber.

"Enquanto o Dia Passa", por sua vez, pauta-se em uma construção musical mais focada nos vocais para alterar a atmosfera criada pela canção de abertura, dando um ar introspectvo e intimista à audição. Novamente, a participação de todos os integrantes foi fundamental para o alcance do resultado final percebido. Talvez por isso o nome da banda não poderia ter sido melhor escolhido: se "plexo" quer significar uma espécie de entrelaçamento e comunicação de nervos, formando uma rede única e comunicante, o objetivo foi alcançado. Mas também não podemos esquecer o significante provido pelo ocultismo sobre o que seria o "plexo solar": uma espécie de centro da vitalidade e da circulação nervosa, de que parte o impulso motor do coração. Sabendo dessas perspectivas, ainda que de modo inconsciente, a audição das canções da banda fica ainda mais interessante.

A faixa seguinte, "Insano e Salvo", aumenta ainda mais a atmosfera instrospectiva criada pela canção precedente. Dotada de uma letra inteligente que nos conduz à uma relevante reflexão sobre a nossa parca sanidade, a música toca na alma de quem a ouve de diversos modos. Nela, além da influência vocal beatle percebida no eterno "Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band", a expansão instrumental também impressiona. Quando "Insano e Salvo" libera seus primeiros ruídos, a impressão que temos é a do surgimento de uma canção concisa e direta. Mas antes do fim do primeiro minuto já esquecemos essa premissa: a sonoridade trafega em tantas vias que nos perdemos deliciosamente em suas variáveis. "Insano e Salvo" contou ainda com a ímpar participação de Rayman Juk, do Trem Fantasma, no órgão analógico.

A faixa derradeira, "No Escuro", troca todos os elementos providos pelas 3 canções anteriores e aposta na surpresa para conquistar quem a ouve. O verso inicial, acompanhado pela frase de seis cordas que abre simultaneamente a canção, deixa de remeter o ouvinte a John Lennon para introduzí-lo à inspiração da musicalidade brasileira. Wilson Simonal iniciou uma de suas famosas pérolas, "Não Vem que Não Tem", do mesmo modo que Alexandre Provensi reverberou o seu "Eu te disse", neste EP. O balanço, o tom e a intenção são similares. A troca de tonalidade foi benéfica: "No Escuro" consegue navegar por diversas influências sem tirar totalmente o pé da sonoridade forte do rock n' roll, como provam os dois solos insculpidos na canção. Talvez por ser um dos mais antigos trabalhos do Plexo Solar, "No Escuro" tenha trocado tanto de roupagem ao longo do tempo. O riff que encerra a canção também merece aplausos.

As canções que compõem o EP do Plexo Solar contaram, além da produção de Hermann Ruthes, com a atenção singular de Leonardo Montenegro, guitarrista do Trem Fantasma, para a lapidação da sonoridade das seis cordas. O resultado não foi apenas relevante, como também impressionante, vez que cada canção consegue transpassar um sentimento, ou uma gama de sentimentos, totalmente diversos entre si. 

Por todas essas razões, e por tantas outras que ainda vamos descobrir com o tempo, o Plexo Solar vale a pena ser ouvido, (re)ouvido, discutido e apreciado. São canções sinceras, leves, densas e que nos fazem pensar: tudo isso em uma fração de segundos. Agora é esperar pelas novas apresentações da banda. A boa música é garantida.

Cheers!!!

OUÇAM MÚSICA CURITIBANA!!!
Plexo Solar no MySpace: http://www.myspace.com/oplexosolar

Sigam também a banda no Twitter (@plexo_solar) e no Orkut

sábado, 30 de outubro de 2010

Quando a Política vira Cabresto da Arte: Explicações sobre a Postura do Rock Pensante

Esta será uma postagem nada usual do que geralmente se lê por aqui. Possivelmente, ela seria desnecessária, mas nosso público cresceu e, com cerca de 150 a 200 acessos diários, o mínimo que devemos fazer é expor nosso descontentamento, ainda mais com os fatos que se tem sucedido nos últimos dias. Ontem, uma gota d'água acabou por encher nosso copo, e é por isso que, neste momento, antes de darmos sequência ao nosso trabalho, confeccionaremos essa desabafo em revide às ofensas gratuitas que temos recebido nos últimos dias.

Desde fevereiro tenho sido o responsável pela maior quantidade de postagens deste blog. Além de ser apaixonado por música e escrever constantemente sobre ela (isto há quase 10 anos, quando veiculava em pequenos jornais acadêmicos meus pontos de vista), sou estudante de Direito e militante na área política, justamente porque não há como desvincular a senda jurídica da esfera política. Com o Rock Pensante, meu objetivo maior era o de auxiliar a cena independente de Curitiba a se (re)expandir. Começamos com pequenas resenhas e hoje fazemos coberturas de show, entrevistas, fotos e o que mais for necessário para propagar a arte de nossa cidade. Sempre fizemos isso sem pedir nada em troca, e as bandas com quem já cruzamos sabem muito bem disso. O Rock Pensante nasceu para ser um espaço de debate e propagação e, hoje, nos orgulhamos de fazer parte da caminhada de tantos grupos de artistas, todos eles relatados em nossos murais. Além de contatos artísticos, fizemos verdadeiros amigos, com quem hoje tenho a honra de dividir sonhos, problemas e objetivos.

Recentemente, expandimos nossa comunicação para um outro veículo virtual, o Twitter, na esperança de fortalecer ainda mais a divulgação dos passos dados pelas bandas curitibanas e, por igual, conhecer grupos novos, que ainda não haviamos mantido o contato. Por igual, o Twitter do Rock Pensante acabou por servir também como espaço para demonstração de devaneios próprios, como opiniões em diversos assuntos, dentre eles a política, vez que é impossível separar quem somos daquilo que escrevemos. Contudo, nunca fizemos disso um óbice para nosso trabalho. Nosso pensamento político nunca serviu como norte para escolhermos que banda ouvir, tratar e divulgar. Mas a recíproca não foi verdadeira: o Rock Pensante e, por consequência, este que está a escrever, foram ultrajados pelo vocalista da banda Wild Child, Jefferson. Em princípio, não iriamos dar o nome aos bois, mas como as ofensas gratuitas persistem e somos albergados pelo direito constitucionalmente garantido de expressar nossas posições, decidimos pelo contrário. Ademais, o Twitter é praticamente uma ferramenta pública, onde todos podem ter contato com o que os outros escrevem ou manifestam. Sendo assim, já que todas as ofensas lá estão, não visualizamos nenhum problema em nomear o agressor.

No início desta semana, procurei a Wild Child para iniciar a confecção do prospecto de sua divulgação, vez que assisti um show da banda e gostei de imediato. Além do famoso "Orkut", nos correspondemos brevemente por Twitter, onde o perfil da banda e do próprio Jefferson passaram a nos seguir, e nós fizemos o mesmo. De imediato, percebi que o vocalista da referida banda defendia um posicionamento político totalmente oposto ao meu, mas esqueci tal fato rapidamente. Afinal, meu objetivo com o Wild Child não era político, e sim artístico. Fizemos uso do Twitter para repassar as atualizações do perfil da banda, e uma breve resenha seria publicada hoje, junto com uma matéria sobre a banda Plexo Solar. Em nenhum momento (como vocês podem perceber ao observar nossa página no twitter, @rockpensante) questionamos a posição do vocalista da banda. 

Aprendi muito cedo a conviver com diferentes posturas em pleno respeito, afinal, todos temos o direito à liberdade de nossa opinião. Mas, por igual, também sabemos que o exercicio deste mesmo direito é livre até o momento em que passa a ofender a dignidade alheia. Nos surpreendemos na noite de ontem como tanto a banda Wild Child, como seu insensato vocalista, deixaram de nos seguir. E, a partir daí, as ofensas começaram: o referido vocalista nos acusou (vejam só) de apoiar o terrorismo, propagar a ditadura e (pasmem) vender influência (ou seja, siga nossa postura política e divulgamos sua banda). Como se não fosse o suficiente, fomos chamados de comunistas e (numa tentativa de rima infeliz do cérebro diminuto do agressor) "nada pensantes". Enfim, uma situação lamentável e injustificada.

Vejam o quadro cômico que se formou: estavamos prestes a divulgar (sem pedir nada em troca) a banda Wild Child com uma resenha que não seria limitada ao nosso blog, mas que também seria reproduzida em dois outros sites parceiros: o Whiplash! (em publicação futura, vez que há uma fila a ser respeitada) e o carioca e irmão Galeria Musical. Estavamos comprometidos a comparecer nos shows do grupo para confeccionar nossas habituais fotos e publicá-las na sequência em nosso espaço virtual. Todavia, por estas ofensas que recebemos sem dar causa alguma, tais fatos não vão se concretizar. Infelizmente, pela primeira vez, fecharemos as portas para um grupo, para uma excelente banda que, por conta do temperamento lamentável de seu frontman, colocou o pensamento político acima da arte. O próprio Jefferson, neste momento, enquanto escrevo estas linhas, acabou de dizer, como somos "ptralhas" (outra tentativa frustrada de uma sacada genial), a Wild Child não precisa do Rock Pensante.
É triste perceber que, depois de XXI séculos de história repletos de exemplos nefastos de como o extremismo político bloqueou o desenvolvimento cultural, ainda existam pessoas que pensam e contaminam o pensamento de outros desta forma. Pelas ofensas proferidas pelo infeliz cidadão, poderíamos certamente provocar a Jurisdição do Estado para corrigir essas agressões(e como construtor do Direito sei bem quais ferramentas usar neste sentido). Mas não o faremos por saber que quanto mais mexemos no veneno, mais ele cresce; e também por estarmos cientes que esses "problemas" são, até certo ponto, comuns, já que estamos constantemente a expor opiniões e receber críticas, com as quais, sem exceção, aprendemos alguma coisa.

Reiteramos que em nenhum momento o Rock Pensante colocou a política sobre os interesses das bandas ou de nosso próprio material. Isso é tão verdade que, mesmo sabendo da postura retrógrada do referido vocalista, nos propusemos a auxiliar sua banda. Por igual, tenho plena certeza que, das várias  bandas que auxiliamos, cada uma delas e seus respectivos integrantes possuem noções políticas diversas. Nunca, em  nenhum momento, sequer coloquei a política como tema de diálogo com as bandas. Por diversas vezes dividi mesas e tempo com várias bandas e o assunto mais distante de música que chegamos a tratar foi futebol ou  o preço absurdo de uma garrafa de cerveja.  Tenho certeza que muitos integrantes das bandas sequer sabiam que era militante político, por exemplo.

Todos nós temos o direito e o dever de defender nossas posições, mas sem jamais ofender e agredir os demais. Essa situação só piora quando as ofensas são gratuitas. É nosso dever aqui também dizer que devolvemos, na mesma monta, as agressões proferidas por Jefferson, vez que não temos que engolir quietos a ignorância, estupidez e intolerância alheias.

Com isso, gostaria de deixar claro que  Rock Pensante é uma estrutura apolítica, que jamais trabalha com base nas tendências militantes das bandas que divulga. O objetivo principal é fazer deste espaço um mural para a arte curitibana, em especial a música, e fazer com que as bandas utilizem-no para crescer e divulgar seu trabalho. Todos aqui são bem vindos, e quem nos conhece sabe bem disso. Agradecemos todos os dias pela oportunidade que as bandas nos dão em conhecer sua música e, depois, divulgá-las. E assim será sempre. Se alguém quiser debater sobre política, haverá espaço para isso. Mas não aqui. Aqui é lugar de música, arte e principalmente respeito. Quem não compreende isto, este sim, não é bem vindo, e certamente jamais irá crescer, tanto artisticamente, como humanamente.


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Corrente Cultural 2010


Entre os dias 03 e 14 de novembro Curitiba se transformará da capital brasileira da cultura: é a edição de 2010 do projeto Corrente Cultural quem se encarregará de tal tarefa. Assim como 2009, diversas são as atrações previstas, dentre os mais variados campos da arte, como literatura, dança, teatro e, claro, música. Além de tudo isso, a Corrente Cultural 2010 preocupou-se com a necessidade de um diálogo amplo e aberto com outros campos do saber, e diversas oficinas (como psicologia, ecologia, acrobacia, regência de coral e até parkour) foram incluídas na progamação deste ano.

Exposições artísticas de diversas correntes (fotografia, artes plásticas, etc) e cinema não foram esquecidos por igual. Exemplo disso é a Mostra de Cinema da Revolução Mexicana, organizada em parceria com o Consulado do México. Variadas exposições de gravuras, círculos de leituras, oficinas para contadores de histórias, mesas para debates e palestras com vários temas também estão previstas. Por igual, uma justa homenagem ao poeta e cantor Ivo Rogrigues está programada para ocorrer no Teatro Universitário Curitiba (TUC), que atualmente tem abrigado os shows das bandas que fazem parte do projeto Gravando Curitiba.

A novidade fica por conta da chamada Virada Cultural, que ocorrerá do dia 06 para o dia 07 de novembro, com mais de 24 horas de espetáculos sem interrupção! Também no dia 06/11 ocorrerá o Cine Virada no Largo da Ordem, com a exibição seguida de 33 (isso mesmo, trinta e três) filmes, às partir das 20:30 hrs.

O Rock Pensante elenca nesta momento algumas das principais atrações musicais deste evento ímpar.  Os shows das bandas curitibanas estarão destacados em vermelho, portanto, marquem em vossas agendas. Fiquem atentos nos links abaixo listados para acessar e conhecer a programação completa (com teatro, exposições, dança, workshop, palestras e debates) e os objetivos da Corrente Cultural. Viva e respirem a cultura!!!!

Cheers!!!

Corrente Cultural na Web (Aqui você tem acesso à programação e mapas completos e detalhados das atrações): http://www.correntecultural.com.br/

Atualize-se de modo instantâneo com as notícias da Corrente Cultural no Twitter.
Sigam:

Rock Pensante: @rockpensante

Corrente Cultural: @correntecultura 



CORRENTE CULTURAL - EDIÇÃO 20210 - CURITIBA



 - Espetáculos Musicais:

*Dia 06/11:

 - Homenagem à Ivo Rodrigues
Local: TUC, às 11:30 hrs
 - Abertura do Evento "Panelaço 2010: 'Ao Ivo' e a Cores. Show com as bandas Blindagem, Giovanni Caruso e o Escambau, Dissonantes, Colaterall, Terminal Guadalupe, Cosmonave, A Interminável Fábrica de Jipes, Match, Los Porongas, Violins, Cabaret e Anacrônica.
Local: TUC, à partir das 12 hrs

 - Paulinho da Viola e Orquestra à base de Cordas
Local: Palco Riachuelo, às 13 hrs

 - Hermeto Pascoal, Aline Morena, Fabio Pascoal & Orquestra Sinfônica do Paraná
Local: Pça. da Espanha, às 15:30 hrs
  
 - Concerto "Dos Regionais às Jazz Bands: Curitiba e a Música Popular na Primeira Metade do Século XX" (Apresentação das obras musicais do compositor e arranjador curitibano José da Cruz)
Local: Museu Paranaense, às 19 hrs


 - O Trilho
Local: Espaço Cult (largo da ordem), às 23:30 hrs

 - Roberto Carlos
Local: Pça. Nossa Srª da Salete, às 20 hrs 

* Dia 07/11:

- Virada Cultural: Shows com as bandas Pato Fu, Sabonetes, Djoa, Wigand, CW7, MUV e Copacabana Club
Local: Ruínas de São Francisco, das 00:00 às 13 hrs

- Pão de Hamburguer
Local: Espaço Cult (Largo da Ordem) às 09:00 hrs
- Mart'nália
Local: Palco Riachuelo, às 12 hrs

- Erasmo Carlos
Local: Palco Riachuelo, às 15 hrs

*Dia 08/11
 - Lu Pasinato (viola)
Local: Largo Curitiba (Projeto Menu Musical), das 19 às 22:00 hrs

*Dia 09/11
 - PALESTRA: "Investimentos em Rock n' Roll - Bate Papo sobre investimentos financeios com Raphael Cordeiro e Luiz Pacheco
Local: FNAC Park Shopping Barigui, às 20 hrs

*Dia 10/11
 - Milagrosos Deocmpositores (lançamento de CD e pocket show
Local: FNAC Park Shopping Barigui, às 20 hrs

*Dia 11/11

- Roda de Choro ao comando de Claudio Menandro e Claiton Rodrigues
Local: Conservatório de MPB, às17:30 hrs 

*Dia 12/11

- Du Gomide e Manchinha (Violão 7 cordas e gaita)
Local: Largo  Curitiba (Projeto Menu Musical), das 19 às 22 hrs

 - Fuá Curitibano (musical popular)
Local: Pça. Rui Barbosa, às 16 hrs

Atualize-se de modo instantâneo com as notícias da Corrente Cultural no Twitter.
Sigam:

Rock Pensante: @rockpensante

Corrente Cultural: @correntecultura