sábado, 27 de março de 2010

2009 - Let There be Rock: A História da Banda AC/DC

Escrever sobre o AC/DC não é uma simples tarefa. Aliás, antes pelo contrário: retratar com palavras a trajetória biográfica de um dos maiores patrimônios do rock n' roll reveste-se em uma missão determinantemente hercúlea.

Este é o painel que a jornalista americana Susan Masino traçou em sua obra "Let There be Rock: A História da Banda AC/DC", que há pouco tempo atracou em livrarias tupiniquins. Por mais que a existência de uma obra deste tipo sobre um dos grupos de rock mais emblemáticos da história seja louvável, transformando-se em um indispensável item de colecionador, a obra trafega, em certos momentos, na contramão.

Dizem os maiores apreciadores da literatura que, em grande parte, a qualidade de um livro pode ser observado já em sua introdução. Portanto, embora esta seja uma das lições proferidas por nossos Imortais da Academia Brasileira de Letras, não usaremos tal pressupostos para julgar a mais recente biografia do AC/DC pois, se assim o fizessemos, não passariamos mesmo da introdução.

Susan Masino é considerada como uma das mais importantes jornalistas especializadas em rock nos EUA. Sua convivência próxima com grandes nomes da década 70 e 80 (como KISS, Van Halen e Motley Crüe) impulsionou a manufatura de "Rock n' Roll Fantasy: My Life with AC/DC, Van Halen and KISS", sua primeira obra literária e editada originalmente em formato e-book e que alavancou sua carreira como escritora. De fato, Masino é uma amante incondicional do rock e, principalmente, do AC/DC, fator este que possibilitou à autora evidenciar suas andanças com as bandas acima referidas e, provavelmente por isso, ela seja uma das figuras mais queridas pelos grupos ao se tratar do meio jornalístico destinado à música.

Todavia, como se verá adiante, toda a paixão de Masino pelo rock e, em destaque, pela trupe dos irmãos Young acabou por comprometer o viés qualitativo do livro.

Como não poderia ser diferente, "Let There be Rock:..." inicia os trabalhos tratando da história de Angus e Malcom. Oriundos de uma família de músicos, Masino conseguiu captar com clareza a importância desta influência na formação dos irmãos Young. Desde a saída prematura da Escócia para a Austrália, até o sucesso peremptório do Easybeats (banda do irmão de Malcom e Angus, George, que até hoje é considerada como "os Beatles" australianos), a relação e evolução de Angus e Malcom com o rock n' roll é tratada com responsabilidade. Outro ponto importantíssimo que merece destaque é a narrativa da turbulenta infância e adolescência de Bon Scott, pedra fundamental e eterno ícone da banda.

É interessante ler a obra e acompanhar o desenvolvimento do AC/DC visto por "trás" das cortinas. Além de entrevistas com todos os membros do grupo, Masino lançou mão de diversos artigos, resenhas e comentários feitos sobre a banda em publicações de relevância, que vão desde o top de Creem, Kerrang! e Rolling Stone até os fanzines publicados na Austrália que, já em 1975, evidenciavam os primeiros passos do grupo. Tal prospecto é importantíssimo pois corrobora o peso das declarações que permeiam o livro.

Contudo, é nestas primeiras folhas que o leitor poderá encontrar as primeiras dificuldades. Logicamente, o AC/DC possui uma extensa carreira e, ao retornar até a infância dos principais membros da banda, esta observação se torna ainda maior e densa. Logo, a indicação de datas nos títulos dos capítulos e no meio da narrativa auxiliariam a quem deita os olhos sobre a obra a se "localizar" na vasta história no grupo, que beira já quatro décadas. No entanto, isso não ocorre: inúmeras são as vezes em que o leitor tem que parar a leitura, voltar duas ou três páginas, e então saber em qual ano a autora está concentrando sua atenção, uma vez que os capítulos levam somente o nome de discos e canções. Levando em consideração a intensidade do AC/DC, que desde seu "nascimento" passou anos excursionando sem pausas consideráveis, a indicação de datas é indispensável para que o leitor que ainda não decorou a data de lançamento cronológica dos álbuns do grupo ou o tempo de duração de cada turnê possa se ambientar e apreciar com calma a obra.

Outro ponto negativo reside no hábito intermitente da autora em travar a narrativa para dialogar com o leitor. Essa técnica pode ter funcionado com a genialidade de Machado de Assis mas, para Masino, faltou no mínimo tato. Por vezes, parece que não estamos a ler a história do AC/DC, mas sim, uma confissão extensa de sentimentos da autora.

Talvez, ao incluir tantos pontos de vista extremamente pessoais (revestidos em piadas e comentários desnecessários), Masino tenha condenado à indiferença certos tópicos da história da banda, como a postura de palco de Angus no início da carreira e o fascínio que Bon exercia sobre o público. E, em outras oportunidades, pode-se perceber que a tradução e a edição também pecaram em certos aspectos. No decorrer do livro, algumas frases simplesmente não fazem sentido ao parágrafo que integram. Por sua vez, na relação de fotografias e imagens do livro, algumas delas surgem com legenda totalmente equivocada (como em uma foto em que Brian Johnson aparece sozinho no palco e a legenda nomina a banda inteira "bebericando" em uma bar em Rhode Island).

Felizmente, o livro guarda momentos de êxito que compensam as falhas. Masino merece todos os méritos por captar singularmente a importância de Bon para a banda e o impacto que a sua prematura perda representou ao AC/DC. Adiante, ela narra com maestria o esforço empenhado por Johnson ao substituir Bon Scott e, mesmo todos já sabendo que ele lograria sucesso nessa missão, nós acompanhamos a narrativa como se desconhecessemos o seu final, tal qual em um bom suspense relido. Vale, de fato, muito a pena.

Igualmente, Susan demostrou a importância da influência de George Young para que seus irmãos mais novos sempre respeitassem a essência do rock n' roll. Se o AC/DC é (re)conhecido e respeitado por nunca ter deturpado a fórmula de sua música ao longo de sua carreira, devem certamente isso à George.

Outro ponto interessente é o invejável fôlego da banda: desde 1975 até a segunda metade da década de 80 o grupo simplesmente não parou de excursionar. Nem mesmo a morte de Bon obstou por muito tempo o vigor de trabalho do AC/DC (muito embora, nesse caso particular atinente à perda de Bon e o lançamento quase contínuo de "Back in Black", a banda admita ter se "afundando em trabalho" para suportar o falecimento do amigo), o que ressalta ainda mais o compromisso do grupo com a música e, principalmente, com seu público.

Em suma, diante dos possíveis prós e contras, "Let There be Rock: A História da Banda AC/DC" vale a pena ser adquirido como item de coleção (pois é a primeira biografia do grupo traduzida para o português) e estudado com empenho. Talvez, o único problema do leitor resida na superação da nítida limitação da redação da autora e da tradução falha desta primeira edição em solo brasileiro. Mas, fora isso, a obra apresenta uma visão interessante do grupo e reforça ainda mais a sua importância. Afinal, AC/DC é um sinônimo forte e eterno de rock n' roll.

LET THERE BE ROCK!!!

quarta-feira, 24 de março de 2010

1993, Muddy Water Blues

Salve, salve amantes do Rock 'n' Roll

O que falar sobre nosso querido Muddy Waters, após o excelente post referente a esse mestre do Blues feito pelo amigo Rafael não me sobrou muitas palavras. Alias aqui palavras são pequenas de mais, basta escutar algumas de suas musicas para compreendermos a obra em si.
Nascido no Condado de Issaquena, Mississipi nosso Bluesman nos deixou um legado de obras musicais e de músicos imagináveis, pois são muitos aqueles que seguem seu estilo ou que pelas letras de suas musicas criam bandas (Rolling Stones é um exemplo de peso).
Seguindo esse caminho Paul Rodgers, um dos grandes vocalistas desse universo chamado Rock 'n' Roll deixa registrado sua homenagem ao saudoso Muddy. Após 10 anos da partida de Muddy, Rodgers reuniu um time de primeira para ninguém reclamar e botar defeito nas baquetas ninguém menos do que Jason Boham, Pinno Paladino no Baixo, Ian Hatton na Guitarra Ritmica e Billy Sherwood na Percursão.

Mas a escala musical não acaba por ai. Ainda temos grandes nomes nesse tributo, contamos com a ilustre presença de um dos grandes nomes do blues Buddy Guy na musica Muddy Water Blues (Acoustic Version), Jeff Beck em Rollin' Stone e Good Morning Little School Girl , em Standing Around Crying contamos com David Gilmour e na musica The Hunter temos o homem da cartola "Slash" e para fechar com chave de ouro I'm Ready com Brian May.

Grandes musicos acompanhados por uma excelente voz resulta em um otimo disco, que por sua vez após escuta-lo diversas vezes é capaz de sentirmos a companhia de Muddy Walters junto a esses grandes músicos.

Paul Rodgers acertou em cheio ao se dedicar a esse tributo que em minha opinião é o melhor já realizado até hoje.
Espero que gostem.
Abraços

Set List
1. Muddy Water Blues (Acoustic Version) (w/ Buddy Guy)
2. Louisiana Blues (w/ Trevor Rabin)
3. I Can't Be Satisfied (w/ Brian Setzer)
4. Rollin' Stone (w/ Jeff Beck)
5. Good Morning Little School Girl (Part 1) (w/ Jeff Beck)
6. (I'm Your) Hoochie Coochie Man (w/ Steve Miller)
7. She's Alright (w/ Trevor Rabin)
8. Standing Around Crying (w/ David Gilmour)
9. The Hunter (w/ Slash)
10. She Moves Me (w/ Gary Moore)
11. I'm Ready (w/ Brian May)
12. I Just Want To Make Love To You (w/ Jeff Beck)
13. Born Under A Bad Sign (w/ Neal Schon)
14. Good Morning Little School Girl (Part 2) (w/ Richie Sambora)
15. Muddy Water Blues (Electric Version) (w/ Neal Schon)



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segunda-feira, 22 de março de 2010

1973 - Who do We Think We Are

Depois de devassar o mundo com "Machine Head" e "Made in Japan", todos esperavam que o Purple seguisse pela mesma trilha densa e explosiva que apresentavam até então. No entanto, "Who do We Think We Are" pisou no freio e evidenciou um contraponto que nem o mais cético admirador de Blackmore e cia poderia imaginar.

O álbum marca o fim da primeira fase com Ian Gillan nos vocais. Seja pelo desgaste da extensa agenda de shows ou o esgotamento do relacionamento de Blackus, este registro representa uma fase de transição do Purple.

Trata-se de um excelente álbum, permeado por todas as qualidades tradicionais que a banda detinha até então. Os riffs de Blackmore continuam inspirados e a capacidade de improviso do grupo resta cristalina ao longo das faixas.

"Woman from Tokyo" é um belo exemplo disso. A faixa trafega pelo marcante fraseado de guitarra, alterando seu compasso em diversos momentos, dando uma amostra do que a banda é capaz de arquitetar em estúdio. "Smooth Dancer" é, provavelmente, a canção mais forte do álbum. Dançante e extremamente hard rock, ela empolga e excita até mesmo o ouvinte mais desatento. Ela também prepara o terreno para o que seriam as canções do álbum posterior, "Burn", detentor de uma levada mais funk que o usual. "Rat Bat Blue" introduz o Deep Purple em essência: uma banda engajada com sua sonoridade, sempre guiada pela combinação das frases de Blackmore e Jon Lord. Poderia constar facilmente no tracklist de "Fireball" ou "Machine Head".

As duas faixas que arrematam o disco apresentam uma atmosfera diversa da usual, seja pela construção musical ou pelas letras apresentadas. Talvez, "Place in Line" (plena candidata ao prêmio de canção mais completa e bem trabalhada do álbum) e "Our Lady" apontem para a vontade da banda em alterar o rumo de sua sonoridade, que exsurge permeada por efeitos manejados por Lord e por backing vocals dificilmente percebidos nos álbuns anteriores do Purple. Seja pela surpresa ou pela coragem, vale muito a pena ouvir com atenção estas duas faixas, marcadas pela alteração das linhas vocais de Gillan.

Diante dos discos precedentes, "Who do We Think We Are" foi extremamente subestimado, ainda que seja uma excelente álbum. Por certo, hoje em dia é muito mais simples chegar à essa conclusão do que no momento de seu lançamento, que foi extremamente carregado de expectativas. Junto com Gillan, Roger Glover também deixou a banda, possibilitando o "renascimento" de um novo Purple, com Coverdale nos vocais e Glenn Hughes na voz de apoio e baixo. Portanto, "Who do We Think We Are" é uma excelente despedida de uma Era do Deep Purple, que deve ser saboreada com sabedoria.

Cheers!!!

Faixas:

1. Woman From Tokyo
2. Mary Long
3. Super Trouper
4. Smooth Dancer
5. Rat Bat Blue
6. Place in Line
7. Our Lady


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sábado, 20 de março de 2010

1989 - Bleach

O cenário que ensejou o registro do primeiro trabalho em estúdio do Nirvana era caótico. Em meio a shows em locais lúgubres (quase desprovidos de público) e uma crise financeira insofismável, os primeiros degraus alçados na carreira do grupo foram, por certo, cobertos em brasa.

Já havia algum tempo que o Nirvana firmara um contrato de gravações com a Sub Pop, selo independente e, aparentemente, sem muitas perspectivas a oferecer no momento. Ainda que bandas importantes do punk e da música independente americana houvessem estampado em seus registros a marca do selo, fato é que a Sub Pop não oferecia um vislumbre de êxito às bandas que trafegavam sob seu manto. E, por mais que em meio a uma cena anacrônica como a percebida em Seattle de 1986-1988, onde qualquer incentivo era visto de bom grado, com o Nirvana as chances de sucesso foram igualmente diminutas.

"Bleach" apresenta fielmente o que era o grupo na época. O Nirvana nunca se preocupou muito em aparar arestas e aperfeiçoar em demasia o seu som (quiçá, "In Utero" seja a única excessão) e, com este álbum, a banda exsurge em seu estado bruto, mesmo que acompanhada por uma segunda guitarra, guiada por Jason Everman, que posteriormente se juntaria ao Soundgarden (cabe frisar que rezam boatos que a contribuição de Everman tenha sido nula neste disco). Mas não há desabono algum nessa constatação: muito embora em "Bleach" não seja encontrada uma construção musical comparada a "Nevermind" e o precitado "In Utero", canções como "Blew", "School", "Negative Creep" (que funciona infinitamente melhor on stage),"Downer" e "About a Girl" trazem certo brilho ao registro.

No entanto, ainda que tais canções incrementem a atmosfera criada na audição, a pedra fundamental de "Bleach" é, incontestavelmente, "Love Buzz", cover da banda holandesa Shocking Blue.

Música preferida dos shows, embora a banda ainda estivesse na transição da fase embrionária ao amadurecimento, a canção oferece o que o Nirvana tinha de melhor no momento. A letra incisiva combina perfeitamente com a postura ébria de "Kurdt" Cobain, e a sonoridade alicerçada em sobreposições de bases e solos de guitarra revestindo a linha de baixo reproduzida por Novoselic entragam ao ouvinte um interessante momento de diversão.

"Bleach" definitivamente não é o registro peremptório do Nirvvana, afinal, o grupo possui em sua discografia o álbum que é considerado o melhor dos anos 90, responsável por toda uma movimentação que culminou em uma nova desinência musical. Mas, ainda assim, merece ser ouvido com atenção e zelo. Trata-se de um disco cru e interessante, que talvez não represente todo o potencial bombástico da banda. Mas, de qualquer modo, traz diversas nuances em si que devem ser relevadas.

Mesmo que muitos torçam o nariz ainda hoje para o Nirvana, este álbum é o primeiro passo de uma das bandas mais marcantes da história da música. E, por isto, deve ao menos ser analisado com respeito e atenção. Afinal, ninguém tem a perder com isso: muito pelo contrário. Mas, agora, deixemos os berros e distorções falarem.

Cheers!!!

Faixas:

1. Blew
2. Floyd The Barber
3. About a Girl
4. School
5
. Love Buzz
6. Paper Cuts
7. Negative Creep
8. Scoff
9. Swap Meet
10. Mr. Moustache

11. Sifting
12. Big Cheese
13. Downer


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1969 - Tommy

Imagine que você é um garoto nascido no limiar entre dois séculos. Assim como um novo ciclo, seu nascimento coincide com a assunção de uma nova era. Tristemente, este novo século é recepcionado rapidamente por uma grande guerra, a primeira que esta era conheceria e você, mais do que qualquer outro, sentiria todo o peso dos horrores que o confronto representa: seu pai, ao partir para as trincheiras em nome de seu país, não retornou junto com os demais companheiros. Indiretamente você, uma pequena criança, era mais uma vítima reflexa da guerra.

Pouco tempo passa e sua mãe, único vínculo de afeto que você possui, conhece outro homem por quem se apaixona e inicia uma nova vida. Com fim da guerra ocorrido já há alguns anos você vive uma espécie de vida tranquila, até seu pai regressar milagrosamente ao lar. Por um momento, você pensa que seus sonhos e preces foram atendidos mas, em um estalar de dedos, mais rápido que a queda de uma lágrima, o que era júblilo torna-se pavor. Seu pai ao retornar mata o novo amor de sua mãe e você, uma frágil criança, presencia tal crime em todos os seus detalhes: nunca vira, nem irá mais ver, a violência em estado tão bruto.

Com receio das consequências, seus pais, em uma conduta de suprema mediocridade, forçam você a acreditar que não viu, ouviu e que nem irá falar nada para ninguém, nunca. Consequentemente, como efeito da pressão daqueles que deveriam lhe amar, você fica cego, surdo e mudo, ainda criança e com o futuro em sua frente, futuro este se tornara escuro, silente e opaco pela sua nova condição.

Ainda assim, na adolescência você adquire uma nova paixão: o pinball, e consegue tornar-se campeão na modalidade do jogo, trazendo fama e fortuna para sua família. Em constante melhora, você consegue gradativamente curar os traumas causados por seus pais e volta a ver, ouvir e falar novamente. Associado ao milagre, você se torna uma figura messiânica, considerado como um profeta por seus seguidores, cujo número não para de crescer. No entanto, como o tempo não parou para o século que nasceu junto consigo, ele também não resolveu parar para você e, não muito depois, você acaba por ficar sozinho e desacreditado de suas profecias, abandonado por aqueles que o seguiam.

Esta é história por trás de "Tommy", álbum conceitual do The Who lançado em 1969 e considerado com um dos melhores do estilo opera rock. A construção musical é incontestavelmente bela: Townshend fez um trabalho incrível ao mesclar elementos de ópera ao rock n' roll do Who. Roger Daltrey também merece destaques por sua performance vocal. Canções como "Overture" e "It's a Boy" confirmam essa tese.

Outros excelentes momentos são observados em "Go to The Mirror", "Tommy Can You Hear Me" e "We're Not Gonna Take It", que encerra a história com louvor. "Tommy" apresenta diversas nuances ao longo de todas as faixas, fator que assevera a necessidade de ouví-lo mais de uma vez para tentar absorver todas as pérolas que a obra tem a oferecer. O álbum ganhou uma excelente versão cinematográfica em 1975, que contou com a participação de Jack Nicholson, Eric Clapton, Tina Turner, Elton John e Ann Margareth, indicada ao Oscar de melhor atriz ao interpretar a mãe de Tommy, representado por ninguém menos que Roger Daltrey.

Tanto o álbum como o filme, consoante o exposto, fazem-se detentores de densa atenção. Afinal, essa obra é a precursora de discos conceituais ao mesmo tempo em que incentivou a produção de musicais de rock, palco que antes era ocupado apenas por obras da Broadway. Sem "Tommy", não teríamos "The Wall" e tão pouco "Hair". Literalmente, uma obra de arte.

Cheers!!!

Faixas:

1. Overture
2. It's a Boy
3. 1921
4. Amazing Journey
5. Sparks
6. Eyesight to the Blind
7. Christmas
8. Cousin Kevin
9. Underture
10. Do You Think It's All Right
11. Fiddle About
12. Pinball Wizard
13. There's a Doctor
14. Get to The Mirror
15. Tommy Can You Hear Me
16. Smash The Mirror
17. Sensation
18. Miracle Cure
19. Sally Simpson
20. I'm Free
21. Welcome
22. Tommy's Holyday Camp
23. We're Not Gonna Take It


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quinta-feira, 18 de março de 2010

2007, Casa Diablo

Salve, Salve amantes do Rock 'n' Roll.

O que precisamos para saber onde estão as vaquinhas?...Apenas pare e escute com atenção o som dos sinos pendurados em seus pescoços..
Isso mesmo, hoje vamos de "White Cowbell" ou "Sino Branco da Vaca"

Casa Diablo foi lancado em 2007 sendo o segundo álbum da banda, gravado com os maiores avanços da magia negra, física, duas fitas do antiquado modo analógico e cientista nucleares, tudo isso para resultar em um grande album de Southern Rock ,um monte de misturas de estilos,levadas de blues e divertidas apresentações, essa que seria o mais forte da banda.

Para os músicos esse album representa todo o estilo de um rocker dos anos 70, tantos no respeito pelos riffes como em suas apresentações, estilo e outros.



Espero que apreciem essa banda que é pouco divulgada pelas terras Brasileiras...

Um abraço...e até outra vez.




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quarta-feira, 17 de março de 2010

1995 - It's Five O'Clock Somewhere

Após a extensa turnê de Use Your Illusion, o Guns n' Roses poderia ser qualquer coisa, menos uma banda unida. Extenuados com a convivência entre si e desgastados com outras querelas mais, o grupo que melhor representou o hard rock se desmantelava a cada segundo que passava. Axl demonstrava os sinais de seu insulamento convulsivo, que repelia qualquer tipo de aproximação de quem quer que fosse, e o resultado evidenciou-se mais do que rapidamente: em pouco tempo, todos os membros estavam se distanciando drasticamente.

Após as tentativas infrutíferas de "renascimento" com "The Spaghetti Incident?" e a regravação de "Simpathy for The Devil" dos Stones, o G n' R passou a conversar apenas através de seus agentes. Em 1994, a banda ruiu definitivamente.

Foi nesse ambiente e nessa ocasião que Slash, Matt Sorum e Gilby Clark reuniram-se com o baixista Mike Inez e com o vocalista Eric Dover para dar sequência à uma série de bases de canções que Slash havia escrito (e que haviam sido desprezadas por Axl), que acabaram por representar o primeiro disco do Snake Pit, que ora vem à tona no Rock Pensante.

E, faticamente, diversas faixas lembram muito os últimos suspiros de criatividade do G n' R. Canções como "Neither Can I", "Dime Store Rock" e "Beggars & Hangers On" (que, inclusive, abrem em sequência cronológica o disco) poderiam muito bem aparecer em ambos os "Illusions". São excelentes músicas, em destaque para a primeira e a terceira. Muitos críticos quando analisam este registro, procuram nas letras possíveis alfinetadas de Slash em Axl. Em verdade, tal reflexão é pouco proveitosa: se encararmos as letras de "It's Five O'Clock Somewhere" como honestas manifestações do hard rock, as resultantes serão muito mais aprazíveis.

Ademais, o álbum reserva boas surpresas, como a densa "I Hate Everybody (But You)" e a dançante "Be The Ball", que, se constantemente observadas como "ataques" de Slash, acabam por perder seu sentido. O bom mesmo é ouvir o disco de modo apartado à problemática havida entre as duas figuras emblemáticas do G n' R, que, aliás, havia só começado.

Muito embora o disco seguinte do Snake Pit, "Ain't Life Grand", de 2000, seja dotado de uma musicalidade muito mais interessante, "It's Five O'Clock Somewhere" possibilita ao ouvinte momentos memoráveis de diversão. Afinal, é o "Sr. Cartola" quem dita as regras e, cá entre nós, nada melhor do que isso.

Cheers!!!

Faixas:

1. Neither Can I
2. Dime Store Rock
3. Beggars & Hangers On
4. Good to Be Alive
5. What You Want to Be
6. Monkey Chow
7. Some City Ward
8. Jizz da Pit
9. Lower
10. Take it Away
11. Doin' Fine
12. Be The Ball
13. I Hate Everybody (But You)
14. Back and Forth Again


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1972 - Harvest

As vicissitudes que permeiam a história do desenvolvimento da extensa carreira de Neil Young são emblemáticas. Com "Harvest", Young tornou-se o astro e símbolo do folk rock na década de 70. Talvez este seja o sonho de qualquer músico: transformar-se em uma referência no que faz. Contudo, Neil Young trafegou na contra mão e, ao invés de ter o mundo ao alcance da vista, decidiu pegar um desvio e desligar-se de tudo o que o conectava ao sucesso.

Tanto isso é verdade que a maioria das canções que compõem "Harvest" (um disco recheado de singles) ficaram de fora do set list dos shows de Young, em especial "Heart of Gold", que tocou exaustivamente nas rádios quando do seu lançamento. Poucos são os registros do músico e compositor executando ao vivo tal música: talvez, ela represente tudo o que Young nunca quis ser.

Afora tudo isso, não há como negar que "Harvest" seja uma das pedras fundamentais do folk. Grande parte das canções possuem uma mensagem direta a ser transmitida: Neil Young confeccionou um excelente trabalho ao escrever as letras deste álbum. Em âmbito de musicalidade, também não há o que discutir. Músicas como "Out On The Weekend", "A Man Needs a Maid" e a própria "Heart of Gold" criam um universo peremptoriamente interessante, demonstrando toda a essência do folk presente no autor dos versos. Quando nos acostumamos com este "caminhar" do disco, somos pegos de surpresa por "Are You Ready For The Country?" que alicerça uma peça interessante, que mistura a levada de piano típica do blues com os compassos originalmente percebidos no country.

Outro grande momento de "Harvest" é encontrado em "Old Man", uma canção permeada por uma das letras mais instigantes e sinceras já compostas por Neil Young. Ao estampido seco do baixo, Young desabafa com pesar: "velho homem, dê uma olhada na minha vida / eu sou um bocado como você / preciso que alguém que ame-me por todo o dia". Gradativamente, a faixa agrega novos elementos, como a inclusão de cordas de banjo e o encaixe perfeito de backing vocals femininos.

E, ao fim da canção, quando ainda estamos refletindo sobre o significado da letra (que, segundo Burhan Wazir, um dos co-editores da inglesa Times, nada mais era do que uma homenagem de Neil ao seu caseiro), "There's A World" muda totalmente o ambiente, com a presença de uma introdução composta pelo exercício de uma pequena orquestra de violinos, flautas e harpas. A canção poderia muito bem figurar como a trilha sonora de um filme épico, tamanha a dimensão que possui. Por conseguinte, não há como deixar de falar de "Alabama", canção mais rock n' roll do álbum, e de "Neddle and Damage Done", outro desabafo sincero do cantor.

"Harvest" é um disco sem precedentes na história do folk, rivalizando abruptamente até mesmo com os trabalhos de Bob Dylan. Pouco tempo após o lançamento deste disco, Neil Young iniciou uma queda ladeira abaixo no que diz respeito à sua integridade emocional, provocada pela perda de dois amigos próximos (o guitarrista do Crazy Horse Danny Whitten e seu agente Bruce Berry) por overdose de heroína. No entanto, como ocorre com as grandes mentes criativas da música, toda esta problemática acabou por fomentar o excelente e sombrio álbum "Tonight's The Night", de 1975. Por ora, cabe-nos a função de apreciar devidamente este registro que é considerado por muitos como o auge da criatividade de Young.

Cheers!!!

Faixas:

1. Out On The Weekend
2. Harvest
3. A Man Needs a Maid
4. Heart of Gold
5. Are You Read for The Country?
6. Old Man
7. There's A World
8. Alabama
9. Needle and the Damage Done
10. Words (Between the Lines of Age)


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2003 - Live at Astoria

Steve Siro Vai pode ser considerado - isto sem incorrer em exageros - como a personificação da virtuose. Por certo, ninguém é capaz de brincar com as seis cordas como ele: é como se as guitarras, sob suas ordens, literalmente falassem.

O registro em foco apresenta o mestre em uma de suas mais otimizadas performances. Acompanhado por um time de musicos excelentes, dentre os quais destaca-se o baixista Billy Sheehan, Vai coloca em plena concretude toda a sua capacidade técnica e qualidade como showman.

Já na primeira canção, "Shyboy", cantada por Sheehan, percebe-se a linguagem peculiar de Steve Vai adota para fazer soar sua guitarra. Diversas técnicas são entrelaçadas por ele no decorrer da canção, transformando-se em uma verdadeira aula àqueles que se dedicam ao estudo das seis cordas ou apenas apreciam sua perfeita execução. O mesmo ocorre em "The Animal", onde a banda como um todo esbanja uma apurada técnica. Em verdade, nesta canção pode-se vislumbrar com maior clareza a inluência de Frank Zappa nas composições de Vai. A conexão com o jazz, ao mesmo passo, também é evidente.

Mas é na segunda parte do show que as pérolas repousam. A sequência arrasadora de "Fire" e "Little Wing", ambas de Hendrix, provam a competência de Vai em executar covers fiéis ao original, dando-lhe também um viés interessante por agregar novos elementos e características que pertencem à si.

"Whispering A Prayer" é provavelmente o momento mais tocante de todo o registro. Vai conduz o público em uma atmosfera leve e intimista, enquanto explora sussuros e lamentos de sua guitarra, incorporando efeitos ao som bruto e natural do instrumento que, sob suas mãos, expressa-se calmamente. Parace, de fato, que está a sussurar uma oração, como o título sugere.

Outro ponto importante do disco é a performance de "For The Love of God", clássico de Vai que consta no álbum "Passion and Warfare" de 1990, que o Rock Pensante disponibilizará ainda neste semana.

Em suma, "Live at Astoria" é um excelente registro do trabalho on stage de Steve Vai, um dos maiores e mais emblemáticos nomes relacionados à virtude instrumental. Tal álbum não merece ser ouvido simplesmente, mas sim degustado.

Cheers!!!


CLIQUE NA IMAGEM P/ FAZER O DOWNLOAD DO DISCO 1:





Faixas:

1. Shyboy

2. Giant Balls of Gold
3. Erotic Nightmares
4. Blood and Glory
5. Dave's Party Piece
6. Blue Powder
7. The Crying Machine
8. The Animal
9. Bangkok
10. Tony's Solo
11. Bad Horsie
12. Chamaleon
13. Down Deep Into The Pain

CLIQUE NA IMAGEM P/ FAZER O DOWNLOAD DO DISCO 2:






Faixas:

1. Fire
2. Little Wing
3. Whispering a Prayer
4. Incantation (with drum solo)
5. Jibboom
6. For The Love of God
7. Liberty
8. The Attitude Song

1980, Rise Up

Salve, salve amantes do Rock 'n' Roll
Hoje vamos de Peter Frampton, isso mesmo, um dos primeiros integrantes do Humble Pie (já postado aqui no Rock Pensante) junto com  Steve Marriott.
Pouco se conhece desse grande musico que ainda está por ai, então um pouco de Peter Frampton com o Álbum Rise Up.

Peter Frampton (Beckenham, Kent, 22 de abril de 1950) é um músico britânico mais conhecido por seu trabalho solo nos anos 70 como roqueiro de arena. Ele tornou-se famoso, entretanto, como integrante do The Herd quando se tranformou num ídolo das adolescentes na Grã-Bretanha. Frampton ficou famoso por ser o primeiro guitarrista a utilizar do recurso da¨guitarra falada¨, que seria anos depois imitado por Slash (Guns n' Roses) e Richie Sambora (Bon Jovi). Ele então passou a trabalhar com Steve Marriott (dos The Small Faces) na banda Humble Pie, assim como em álbuns de Harry Nilsson, Jerry Lee Lewis e George Harrison. Sua estréia solo foi em 1972 com Wind of Change.

A explosão solo de Frampton veio com Frampton Comes Alive, seis vezes platina e que incluía os sucessos "Do You Feel Like We Do", "Baby, I Love Your Way" e "Show Me the Way". Foi o álbum "ao vivo" mais vendido de todos os tempos. Depois que o álbum seguinte I'm in You foi lançado, Frampton envolveu-se em um sério acidente de carro nas Bahamas. Enquanto se recuperava, ele atuou em 1978, com os Bee Gees, no filme Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, um fracasso retumbante. Nos anos 80, Frampton voltou a gravar, mas nunca mais retornou às paradas de sucesso. Seu último álbum foi Now, quando ele embarcou em turnê com a banda Styx para promovê-lo.

Depois do atentado ao World Trade Center em Nova Iorque, Frampton decidiu tornar-se um cidadão americano. Ele teve papel ativo na campanha eleitoral de 2004 do candidato John Kerry. Recentemente Peter Frampton ganhou o seu primeiro Grammy pelo seu álbum totalmente instrumental "Fingerprints", lançado no fim de 2007 que conta com integrantes do Pearl Jam, Rolling Stones, Allman Brothers Band e outros.


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terça-feira, 16 de março de 2010

1976 - Jack O Estripador

O segundo registro de estúdio do Made In Brazil superou e muito as expectativas que circundavam seu lançamento. Se o primeiro disco, de 1974, havia firmado a banda como um expoente do rock n' roll nacional (isto levando a já mencionada contida sonoridade do álbum), com "Jack O Estripador", o Made foi coroado como uma das perenes bandas do rock brazuca.

Nem é preciso mencionar as inúmeras influências creditadas à banda por diversos nomes consagrados que surgiram posteriormente: com este segundo álbum, o Made In Brazil dava os primeiros passos na fixação de seu nome na memória do rock n' roll.

Em um prospecto comparativo com o registro precedente, "Jack O Estripador" possui uma sonoridade mais abrangente, que condensou perfeitamente os excelentes vocais de Percy Weiss com backing volcals femininos de maior destaque. Quiçá, o único contraponto resida em algumas letras, intrinsecamente pueris, como a que compõe a faixa título e "São Coisas do Amor (Batatinhas)". Porém, em "O Cigano" essa primeira impressão é extenuada por completo: a canção plenamente madura, mostra uma letra interessante recitada ao acompanhamento de linhas de violão e flauta que preparam o solo para o brusco aumento de densidade da música.

"Não Transo Mais I" flerta com o blues dançante percebido nos EUA na década de 50 / 60. A musicalidade é excelente: a letra irônica encaixa perfeitamente na pulsação dos riffs de guitarra e da presença do acompanhamento em piano. O refrão, marcante como todo bom blues, gruda em nosso pensamente e custa a nos deixar.

Em suma, "Jack O Estripador" é um registro ímpar na história do rock brasileiro, onde uma banda não mediu esforços para fazer um bom som e divertir-se. Provavelmente, poderemos encontrar uma sonoridade similar no primeiro disco do Barão Vermelho, algum punhado de anos depois. Eis, pois, um dos melhores "segundo disco" de uma banda de rock n' roll.

Cheers!!!

Faixas:

1. Jack O Estripador
2. São Coisas do Amor (Batatinhas)
3. O Cigano
4. Banheiro
5. Meu Amigo Elvis
6. Tratamento de Choque
7. Vou Te Virar de Ponta Cabeça
8. Não Transo Mais I
9. Os Bons Tempos Voltaram
10. Quando A Primavera Chegar
11. O Rock De São Paulo
12. Se Eu Pudesse Voar
13. Não Transo Mais II


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segunda-feira, 15 de março de 2010

1974 - Made in Brazil

O Made In Brazil é, provavelmente, a banda brasileira mais antiga ainda em ativdade. Embora hodiernamente não manifestem o impacto adquirido na década de 70, época do seu surgimento, sua importância para o rock n' roll tupiniquim é inquestionável.

Seu álbum de estréia é até hoje considerado por muitos como um dos melhores já alicerçados no Brasil. De fato, a banda dos irmãos Vecchione construiu um excelente trabalho na década de seu surgimento. Muitas das pérolas da banda encontram-se presentes nesse registro, porém, talvez ele sofra da "superestima" geralmente atrelada ao primeiro trabalho de uma banda de sucesso perene. Explicaremos melhor este ponto de vista.

Em aspectos musicais, "Made In Brazil" (também conhecido por "banana") é musicalmente bem construído. O time de musicos que acompanharam os Vecchiones é de invejar. Dentre eles, destaca-se Rolando Castello Jr. que, apesar de não realizar um desempenho comparável com o percebido na Patrulha do Espaço, carrega com louvor as batidas condutoras do álbum. As guitarras também merecem elogios, assim como a sequência de metais que surgem em algumas canções, como "Intupiu o Trânsito" e "Aquarela do Brasil", ambas faixas de pleno potencial.

No entanto, os vocais de Cornelius Lúcifer deixaram um pouco a desejar. A voz estranhamente rouca do frontman custa a encaixar corretamente na maioria das canções, com exceção de "Tudo Bem, Tudo Bom", que flui muito bem e empolga até o segundo final. "Vamos Todos a Festa" e "Menina Pare de Gritar" oferecem a mesma atmosfera, onde todos os integrantes demonstram do que são capazes.

Sendo assim, embora peremptoriamente clássico, o álbum de estréia ficou devendo em relação à qualidade, que evoluiu muito com "Jack Estripador" e "Paulicéia Desvairada", trabalhos que deram sequência ao disco homôniomo de 1974. Mas, ainda assim, "Made In Brazil" merece o reconhecimento por ser um dos primeiros álbuns de rock n' roll densos de nossa história. Merece ser apreciado.

Cheers!!!

Faixas:

1. Anjo da Guarda
2. Mina
3. Doce
4. Aquarela do Brasil
5. Intupiu o Trânsito
6. Você já Foi Vacinado
7. Tudo Bem, Tudo Bom
8. Vamos Todos à Festa
9. Menina Pare de Gritar
10. Uma Longa Caminhada

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1970, Isle of Wight Festival

Salve, salve amantes do Rock 'n' Roll
Vamos lá...
Em 1966 Rory Gallagher abandonou Fontana Show Band, a orquestra na que vinha tocando desde 1964, com a decisão de formar seu próprio grupo. Rory contava com 17 anos, e era já um virtuoso guitarrista que tinha aprendido a tocar sozinho. Entrou em contato com o baixista Eric Kitteringham e o baterista Norman Damery, ambos músicos da banda de rythm and blues irlandesa The Axels. Iniciaram tocando seu próprio repertorio em salões de festas. A princípios de 1967 estiveram de tocando em Hamburgo (Alemanha), mas voltaram a Irlanda onde começaram a fortalecer raízes entre os seguidores do rythm and blues.

No final de 1967 encontraram-se tocando como residentes em um clube de Belfast, onde conheceram a Eddie Kennedy, que passou a ser seu mánager, e com o que viajaram a Londres, onde cedo se fizeram famosos (conseguem uma residência no conhecido clube Marquee). Gravaram uma demo com a que Kennedy lhes conseguiu um contrato com a discográfica Polydor, mas exigiu a Rory que se desfizesse de Kitteringham e Damery, terminando de lhe convencer a base de enganos. O próprio Kennedy pôs-lhe em contacto com Charlie McCraken (baixo) e John Wilson (batería), com os que gravou dois discos de estudo, Taste (Polydor, 1969) e On The Boards(Polydor, 1970). 

No último apreciam-se as influências jazz da banda, tocando Rory o saxofone em duas canções (It's happened before, it'll happen again e On the boards).
Giraram por toda a Europa (Irlanda, Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Suíça, Holanda,...) e inclusive realizaram uma tour por Estados Unidos da América (onde passaram desapercebidos). O ambiente no grupo foi ficando tenso entre Rory por um lado e Charlie e John pelo outro, devido à intermediação de Kennedy, que, não só lhes defraudava com o dinheiro (que ele cuidava) senão que falava a Rory mau de seus colegas e vice-versa.

O final de Taste chegou após sua atuação no Isle of Wight Festival em 1970, gravada no disco Live at the Isle of Wight (Polydor, 1972) e no filme Message Of Love. 1970 Isle of Wight Festival (1970, estreada pela BBC em 1995), na que se recolhem Sinner Boy e Gamblin' Blues. Rory abandonou e o grupo acabou. Mas Rory continuou com sua carreira solo.

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2005 - Metal: A headbanger's Journey

Documentários que trazem em seu bojo a intenção de retratar o surgimento e desenvolvimento de desinências musicais populares como o heavy metal não faltam na história do cinema. No entanto, quando se trata de apreciar a qualidade de tais documentários, os números reduzem-se bruscamente. Com a exceção de "Os Anos do Heavy Metal: A Decadência da Civilização Ocidental", de 1988, poucos foram os trabalhos confeccionados no século XX que preocuparam-se em observar o metal sob um prisma sociológico, buscando um liame entre as suas origens e seu impacto atual. Neste novo século que adentramos, "Metal: A Headbanger's Journey" merece destaque incontestável por ser, provavelmente, a melhor obra cinematográfica destinada ao gênero.

Sam Dunn, que posteriormente dirigiu o bem sucedido "Flight 666" do Iron Maiden, capta com sua lente a situação cultural que ensejou a surgimento do heavy metal passando por diversos tópicos e assuntos referentes ao tema, como o preconceito sofrido pelos jovens adeptos ao som e estilo de vida headbanger e a censura promovida em meados da década de 80 nos Estados Unidos.

Dunn viajou o mundo para fazer este documentário. Formado em Ciências Sociais com ênfase em Antropologia, o sociólogo inspirou-se no preconceito que sofreu enquanto jovem para estudar a estruturação do metal. Não se trata apenas de um estudo empírico, mas sim científico, destinado a explicar as causas e consequências deste movimento cultural singular da história humana. Assim, Dunn traça um prospecto que parte desde o debate de qual seria a primeira banda de metal da história para alçar as diversas ramificações derividas de seu núcleo, explicando as tendências que permeiam o power metal, death metal, black metal, entre tantos outros.

Diversas entrevistas foram realizadas e, aliadas à imagens históricas (como esta ao lado, de Dee Snider depondo no Senado americano contra a censura), serviram de esteio fundamental para construção desta excelente obra elucidativa sobre o heavy metal. Diversos países da Europa e da América do Norte (o próprio Dunn é canadense de origem) foram visitados com o objetivo de entrevistar figuras que fizeram a história do gênero, como Tony Iommi, Bruce Dickinson, Vince Neil, Lemmy Kilmister, Rob Zombie entre tantos outros. O documentário também cobriu a realização do festival Wacken Open Air, maior encontro headbanger da Europa, provendo ao espectador a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre as razões que impulsionam o comportamento daqueles que adotam o heavy metal como estilo de encarar, compreender e viver a vida.

Sam Dunn ainda dirigiu em 2008 o documentário "Global Metal", que preocupa-se explorar o impacto do metal no comportamento de jovens criados em diversas culturas, passando por países da América do Sul, Ásia e Oriente Médio.

"Metal: A Headbanger's Journey" é um excelente registro sobre um estilo musical que, desde a sua assunção, congrega-se intrinsecamente com a juventude e com seus fiéis amantes, independentemente de idade. Além de oferecer um rol de entrevistas de cair o queixo, o documentário evidencia-se como uma oportunidade ímpar de estudar o heavy metal em fonte segura. Indispensável à todos que amam o gênero.

Cheers!!!

P.S.: O formato disponibilizado a seguir pelo Rock Pensante segue o padrão oferecido pelo blog Arapa Rock Motor (http://arapongasrockmotor.blogspot.com/), especialista em filmes e documentários, responsável também por legendas e traduções. Ao pessoal do Arapa, nosso sincero agradecimento.

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Parte 1













Parte 2


sábado, 13 de março de 2010

1972 - Slayed?

O Slade é uma banda no mínimo curiosa. Mesmo sendo comparada constantemente com outros nomes do rock setentista, como T. Rex e a trupe de Ziggy Stardust, o grupo sempre manteve o modo original de compor e executar sua sonoridade.

Por certo, "Slayed?", datado de 1972, seja o melhor registro da banda, que ainda hoje integra insofismavelmente a música popular inglesa. Embora a banda tenha lançado uma série de coletâneas na década de 80, nada compensa mais do que a audição deste disco, com certeza mais superior do que qualquer compilação de sucessos ou algo do gênero.

O humor e a ironia sempre fizeram parte do espírito da banda. Desde o nome até a grafia dos títulos de suas canções (para eles, "Goodbye, Goodbye" se transformava em "gudbuy, gudbuy") eram uma maneira de criticar a identidade musical inglesa em transição no fim dos anos 60. Afora o deboche e a falta de zelo, as canções de "Slayed?" são essenciais. Embora o single do disco tenha ficado por conta de "Mama Weer All Crazee Now" (ou em correto inglês, "Mama We Are All Crazy Now"), diversas outras canções merecem atenção.

É o caso de "How D'you Ride", "I Won't Let It Appen Agen", "Let The Good Times Roll/Feel So Fine" e a deliciosa "Move Over", que combina um riff consistente com linhas de baixo pesadas o suficiente para fazer o Castelo de Buckingham vir abaixo. Os vocais de Noddy Holder mesclam-se perfeitamente à estas linhas, passando por diversas mudanças rítmicas e explosões sonoras. Com plena certeza, é o ponto alto do disco.

O Slade provavelmente nunca atingiu o pico de criativadade alcançado com "Slayed?", ainda que tenham gravado excelentes trabalhos posteriormente. Seja pela inspiradora época na qual se encontravam ou pelas situações ensejadas na gravação do álbum, fato é que o quarto registro do Slade é uma criativa mistura de crítica, hard rock e força. Não é de surpreender, então, que ele seja considerado um dos melhores discos dos anos 70.

Cheers!!!

Faixas:

1. How D'you Ride
2. The Whole World Goin' Crazee
3. Look At Last Nite
4.
I Won't Let It Appen Agen
5. Move Over
6. Gudbuy't Jane
7. Gudbuy Gudbuy
8. Mama Weer All Crazee Now
9. I Don't Mind
10. A) Let The Good Times Roll / B) Feel So Fine

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1971, Deuce


Salve, Salve amantes do Rock 'n' Roll
Para o deleite de final de semana, vamos escutar Rory Gallagher, que para mim é um dos melhores guitarristas do mundo.
Rory Gallagher é irlandês de nascimento e iniciou o seu sucesso como guitarrista, após formar o “power trio” Taste em 1965. Uma banda irlandesa de blues pesado e com elementos de jazz e rock, que alcançou fama no final dos anos 60. Após participar do Isle of Wight Rock Festival em 1970, famoso festival o qual também participaram  Jimi HendrixThe WhoEmerson, Lake & PalmerMiles Davis e muitos outros, ele encerrou a banda, formou um power trio com Gerry McAvoy, baixista que o acompanhou por quase toda a sua carreira e Wilgar Campbell na bateria e partiu para uma vitoriosa carreira solo.

Lançou seu primeiro disco, chamado apenas Rory Gallagher e a partir daí, sua carreira começou a decolar e no mesmo ano de 1971 lançou seu 2º disco, chamado Deuce após seis meses do primeiro onde o objetivo principal era gravar as músicas como um show ao vivo e o resultado foi um álbum com pouca produção e totalmente elétrico. Palavras do próprio Rory: "Eu amo tocar para o povo. O público significa muito para mim. Não é uma coisa vazia. Eu amo gravar também, mas preciso de um contato regular e frequente com o público, porque ele me dá energia!!!" Daí é possível entender o por quê da gravação de Deuce ao vivo no estúdio e sem overdubs. Deste disco a música "Crest of a Wave" que tem uma melodia fantástica, um vocal poderoso, forte e um solo de "slide" onde Rory mostra um pouco da sua técnica com sua Fender Stratocaster, sem pedais, que o acompanhou por toda carreira desde os 15 anos de idade e também "In Your Town", que se tornou um clássico de seu repertório.

Em 1978, Rory voltou ao formato de power trio e recrutou Ted McKenna, ex baterista da Alex Harvey Band. Gravaram o álbum Photo Finish, com um trabalho maravilhoso de slide guitar. Com esta formação, Rory ainda gravou mais dois discos e depois deu uma parada, vindo a lançar mais tres álbuns, sendo o último Fresh Evidence em 1990.
Infelizmente, depois de 16 álbuns gravados, muitos shows e grande reconhecimento dentro da comunidade musical Rory Gallagher faleceu em 14 de junho de 1995, depois de contrair uma infecção hospitalar, quando se recuperava de uma cirurgia de transplante de fígado. Bono Vox (U2) na época falou: “Rory foi um dos grandes guitarristas de todos os tempos e um grande cavalheiro, uma pessoa muito simples.” Em seu enterro, pelas ruas de Cork, cidade Irlandesa, Rory foi reverenciado por uma multidão. Rory Gallagher pôs a Irlanda no mapa da música rock mundial, foi um dos grandes guitarristas do rock e do blues e merecia muito mais que apenas a lembrança de seus fãs.

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