segunda-feira, 1 de março de 2010

1955 - In The Wee Small Hours

Quando Sinatra entrou nos estúdios da Capitol Records, em meados de 1954, para iniciar os trabalhos que resultariam no disco em questão, as previsões não eram as mais otimistas.

Até então, Sinatra não conseguia manter a regularidade de seus contratos com restaurantes e casa noturnas, sendo que o contrato adquirido com a Capitol resultou da "teimosia" de Adam Livingston (um dos diretores da gravadora), que há tempo já era seu fã.

No entanto, depois de terminar a primeira sessão de gravações, ficou claro que "In The Wee Small Hours" seria um divisor de águas na carreira de Frank Sinatra.

Quem está acostumado com a figura bon vivant de Sinatra, representada pelo jeito galante do cantor, deve se preparar para deparar-se com algo totalmente oposto. Como asseverou Wil Fulford-Jones (jornalista do Time Out e colaborador da Rolling Stone), neste álbum Sinatra é apenas um homem, que canta com profunda sinceridade e poesia suas amarguras. Talvez o que poucos saibam é que tais desventuras resultam do fim do relacionamento de Sinatra com Ava Gardner, em 1954. Por certo, não fosse este relacionamento turbulento, Frank Sinatra não teria interpretado com tanta veemência as canções que compõe "In The Wee Small Hours".

Juntamento com o talento incontestável de Sinatra, outro responsável por esta masterpiece do jazz é Nelson Riddle, que em 1955 era apenas um jovem arranjador contratado sem muitas perspectivas pela Capitol.

Em sonetos típicos de separação, Riddle captou a angústia de Frank Sinatra e a canalizou em perfeitas canções como "In The Wee Small Hours of The Morning", que abre o álbum e sua inquebrantável sequência representada por "Mood Indigo".

Outros faixas que constroem e aperfeiçoam o álbum é "What is This Thing Called Love", originalmente composta por Cole Porter e reverberada tremulamente por Sinatra; "Glad To Be Unhappy", cuja introdução de piano prepara o espírito do ouvinte para receber a metralhadora reclamatória composta por Hart e Rodgers, enquanto outros intrumentos de corda tomam conta do ambiente vagarosamente, conduzindo a canção de modo silente e relevante.

"I'll Be Around", cuja letra em primeira evidencia um certo ar pueril, também merece destaque por manter o mesmo clima denso em todo o seu desenvolver, apostando na mesma receita utilizada de "Glad To Be Unhappy" apresentar-nos a triste atmosfera que envolvia o cantor naquele momento.

Talvez por força do destino, Frank Sinatra utilizou as amarguras de "In The Wee Small Hours" como importante degrau para alçar todo o sucesso que alcançou. No mesmo ano, após o lançamento deste disco, Sinatra ganharia um Oscar pela sua atuação em "A Um Passo da Eternidade", reforçando a confirmação das várias facetas artísticas que possuia. Literalmente, um clássico.

Faixas:

1. In The Wee Small Hours of The Morning
2. Mood Indigo
3. Glad To Be Unhappy
4. I Get Along Without You Very Well
5. Deep In a Dream
6. I See Your Face Before Me
7. Can't We Be Friends?
8. When Your Love has Gone
9. What is This Thing Called Love
10. Last Night When We Were Young
11. I'll Be Around
12. Ill Wind
13. It Never Entered in My Mind
14. Dancing on The Celling
15. I'll Never Be The Same
16. This Love of Mine

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Um comentário:

  1. Excelente Rafael, esse sim é um álbum que não se pode faltar na coleção.
    Abraços

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