quarta-feira, 3 de março de 2010

1959 - Kind of Blue

Não há o que contestar: Miles Davis é forte candidato para o "cargo" de compositor da obra prima definitiva do jazz. Registrado e lançado em 1959, "Kind of Blue" é uma confirmação insofismável do talento de Davis enquanto instrumentista dotado de uma comovente espontâneidade.

O disco, em todas as suas faixas, retratam tal qualidade, estendida àqueles que acompanharam Miles em tal empreitada: ninguém menos que John Coltrane no sax tenor, "Cannonball" Adderley no sax alto, Bill Evans no piano e Paul Chamblers no contrabaixo. O álbum gira em torno do trompetista, mas não se pode relevar a extrema qualidade dos musicos que o auxiliaram a gravar este álbum.


Miles Davis sempre deteve uma obsessão fortíssima em relação à sua técnica, obsessão esta demonstrada em quase todos os seus discos. Quando da época do lançamento do disco "Bitche`s Brew", Miles declarou: "eu era o melhor aluno de trompete em minha classe, mas os prêmios e reconhecimentos sempre iam aos meninos louros de olhos azuis. Determinei-me a ser melhor que qualquer branco no meu instrumento". Foi o comum preconceito das décadas de 40 e 50 que impulsionou o jovem Davis a se dedicar exaustivamente ao estudo do trompete e, de fato, não há ser humano algum (seja branco, negro, pardo ou javanês) que o supere em tal mister.

As faixas que compõe "Kind of Blue" nos conduzem em uma tranquila viagem pelo mundo do jazz evidenciado por Miles Davis. Em "So What", somos recepcionados pelo emocionante entrelace do trompete de Miles com o sax de Coltrane, que em um intervalo por vez, abrem espaço para o solo dos outros intrumentos que costuram a canção. Em uma apresentação em Dallas, no ano seguinte ao lançamento, deste álbum, Davis e Coltrane estenderam esta música em uma nuance de 13 lindos minutos de alicerçamento melódico memorável, fato que torna "So What" ainda mais emblemática.

A canção que lhe sucede, "Freddie Freeloader", também guarda uma beleza inconfundível. Permeada por solos premeditadamente talhados nos mínimos detalhes, a presente faixa cresce e diminui de densidade a cada minuto, como em uma brincadeira de jam de aquecimento. Tal brincadeira é referência até hoje para diversos musicos, dentre os quais destacamos o guitarrista Stanley Jordan, que regravou "Freddie Freeloader" em seu primeiro álbum, "Magic Touch".

Mas as pérolas do disco residem em "Blue in Green" e "All Blues", verdadeiros estandartes do jazz em sua essência criativa.

O trabalho em conjunto desempenhado por todos os instrumentistas nessas canções chega a emocionar. Os verbetes despejados pelo piano de Evans, combinado coma presença de Davis e Coltrane, conduzem os cinco minutos iniciais de "All Blues", preparando o terreno para Adderley e Chamblers desenvolverem suas próprias linhas nos minutos restantes, onde todos adicionam seus "tijolos" nessa verdadeira muralha sonora.

"Blue in Green" possui um ar um pouco mais triste que as demais canções, talvez resultante do lamento que o título da canção sugere. Mas, ainda assim, eleva-se ao ponto de destaque deste álbum que é referência peremptória para todos os nomes de impacto do jazz e da música, como um todo. Desde Pat Metheny à Jimmy Page, "Kind of Blue" é considerado como uma das mais perfeitas manifestações artísticas da história humana. Melhor que Miles, só o velho Ludwig.

Cheers!!!

Faixas:

1. So What
2. Freddie Freeloader
3. Blue In Green
4. All Blues
5. Flamenco Sketches
6. Flamenco Sketches (Alternative Take)


CLIQUE NA IMAGEM P/ FAZER O DOWNLOAD:




Um comentário:

  1. Excelente post Rafael. Irei baixar quanto chegar em casa....
    Abraços

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