sábado, 6 de março de 2010

1969 - Hot Rats

Frank Zappa é uma daquelas figuras inconfundíveis, dotadas de um gênio criativo singular, percebido em pouquíssimos seres humanos que vagueiam por esta Terra de ninguém. Com "Hot Rats", tal premissa torna-se insofismavelmente verdadeira.

Trata-se de um disco incomum, assim como o próprio Zappa. Diversos elementos musicais trafegam na contra-mão, alicerçando construções musicais complexas, embebidas em peculiaridades e nuances.

Em verdade, "Hot Rats" é um disco instrumental com toques francos de experimentação, fator que o aproxima consideravelmente do jazz enquanto desinência musical aberta para espaços de improvisos e etc. Apenas uma faixa ("Willie the Pimp") destoa das demais, justamente por ser complementada pelos versos entoados por Don Van Vliet, ou, para os íntimos, Captain Beefheart.

De inicio, somos recepcionados por "Peaches en Regalia", canção que condensa, em um mesmo momento, um octave bass manejado por Zappa com uma sequência de flautas orientais, sax e órgão, além de uma levada de bateria que a conduz de modo veemente. É como ouvir Pat Metheny no último volume: a música nos envolve com sua complexidade instrumental que, incrivelmente, chega a soar simples em certos momentos.

A sequência proposta por "Willie the Pimp" (cantada por Beefheart) e "Son of Mr. Green Genes" transporta o ouvinte para um universo mais intimista, se comparado com as demais canções. Novamente, a combinação de instrumentos de sopro, órgão, piano e o power trio de baixo, bateria e guitarra servem como o norte de Zappa, que comanda o desenvolvimento das canções sem se perder em suas incontáveis variações.

Mas o brilho maior de "Hot Rats" fica por conta de "The Glumbo Variations", talvez a maior função da história do jazz com o rock n' roll. As linhas de sax que iniciam a canção preparam o terreno para a catapulta de sons providos pela bateria seguida à galope pelas quatro cordas, que originalmente foram gravadas pelo próprio Zappa. Os solos de guitarra também se agregam sem maiores prejuízos, complementando o espírito inovador que a faixa detém. A música é extensa (como a maioria das trilhas de jazz) e oferece variações interessantíssimas capazes de fazer gregos e troianos brindarem juntos à mesa.

"Hot Rats" forneceu à genialidade de Zappa o sacro toque da eternidade, fato que enseja a lembrança destas gravações até os nossos dias. É um disco interessante para ser ouvido por todos, desde aqueles aficcionados por Rock até os amantes eruditos do jazz. Ouça, ouça de novo e mais uma vez: Frank Zappa não merece menos que isso.

Cheers!!!

Faixas:

1. Peaches en Regalia
2. Willie the Pimp
3. Son of Mr. Green Genes
4. Little Umbrellas
5. The Glumbo Variations
6. It Must Be a Camel


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