segunda-feira, 8 de março de 2010

1970 - Fun House

Explosão talvez seja um bom sinônimo para o desempenho "on stage" de Iggy Pop e os Stooges. Entre os acordes densos de Ron Ashton e a loucura de Pop, o que se percebia era a energia vibrante de uma banda que queria se divertir e implodir as estruturas do público que literalmente se arriscava para assistir aos seus shows.

Em "Fun House" toda essa energia usual verificada nos palcos foi canalizada em um excelente e memorável registro de estúdio. Até mesmo os preparativos para composição e para as breves sessões de gravação se assemelhavam a uma festa de backstage: como a maioria das canções ainda não haviam sido finalizadas, o produtor Brian Ross-Myiring trancafiou os Stooges em um quarto de hotel para uma festa que durou 2 dias inteiros. Entre uma garrafa e um tombo, as canções de "Fun House" começavam a delinear os alicerces da "casa dos prazeres" a qual o título faz menção.

As duas faixas iniciais do disco são a prova disto. "Down The Street" e "Loose" nos impulsionam a saltar e dançar através da condução vibrante percebidas em seu desenvolvimento. Iggy, encharcado no que mais gostava, entoa os versos desconexos com uma veemente sinceridade, que pouco se importa com quem está a ouví-los.

Já na sequência, "T.V. Eye" acelera os batimentos cardíacos com o riff memorável de Asheton combinado com as linhas de baixo reverberadas por Dave Alexander. Mas, já no início, é Pop quem rouba a cena, incluindo na trilha gritos extremamente violentos e selvagens. Se alguém possuia alguma dúvida da capacidade da banda soar tão pulsante em estúdio, de modo semelhante no que se presenciava no palco, deixou de possuí-la ao ouvir esta faixa. Nela, os Stooges são a fúria em roupagem humana.

Se estas primeiras canções fomentam o lado festivo e insano do grupo, as seguintes representam literalmente a ressaca após uma noite de excessos. Assim, "Dirt" reduz a velocidade para evidenciar a plena capacidade criativa da banda. Esta faixa mostra-se recheada de nuances e devaneios brilhantes, que trafegam desde o dedilhado singular de Asheton à combinação imperdível das quatro cordas de Alexander ao beat sólido provido por Scott Asheton. A letra, novamente no sense e extremamente tocante, encaixa perfeitamente na voz embriagada de Iggy.

"1970", ainda que mais vibrante, apresenta a mesma característica da canção que acabou por suceder. Nela, a banda experimenta sem maiores problemas uma mistura não tão usual de uma levada de bateria entrecortada pelas manifestações de Asheton e Alexander. Por derradeiro, a canção introduz um brilhante solo de sax executado por Steve MacKay, enquanto Iggy berra a pleno pulmão, como se precisasse acreditar no que entoava: "I FEEL ALL RIGHT".

Mas a estrela do disco é a faixa título, que já na introdução une os berros de Pop, o sax de MacKay e o baixo de Alexander em uma explosão contida de som, claramente abafado pelas linhas das seis cordas de Ron Asheton.

A letra combina muito bem com a proposta da canção, soando sensual e "suja" sem perder o sentido. Logo, "Fun House" torna-se um espaço para livre imporvisação, numa aproximação da banda com o jazz, ainda que o tenham feito de modo inconsciente.

"L.A. Blues" vem para arrematar com grandeza o disco, oferecendo novamente um pouco da vibração ostentada nas três faixas iniciais do álbum. O começo caótico da canção se estende por todos os seus cinco minutos de duração. É o rock n' roll em seu estado bruto.

"Fun House" é, por certo, o melhor registro dos Stooges em sua época. Com ele, não é mais preciso ir à uma apresentação para compreender toda a fúria e vigorosidade da banda: basta deixar a agulha baixar (ou, ainda que com menos charme, apertar o play) e ser espancado pela catapulta sonora de Iggy e seus comparsas. Talvez, seja essa a atitude que nos falte nos dias de hoje.

Cheers!!!

Faixas:

1. Down The Street
2. Loose
3. T.V. Eye
4. Dirt
5. 1970
6. Fun House
7. L.A. Blues

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