sexta-feira, 5 de março de 2010

1974 - Casa das Máquinas

Com certeza, o desejo de sete dentre dez aficcionados por hard rock é regressar aos anos 70, límpida época em que tal desinência musical consolidou-se de modo peremptório.

Seja no Brasil, nos E.U.A ou no "velho mundo", o hard rock sempre atraiu um público fiel e apaixonado, justamente pela quantidade de lendas em formato de bandas que surgiram em tal lapso temporal. Neste momento, nos dedicaremos a tratar de uma dessas lendas, de origem tupiniquim: a Casa das Máquinas.

O grupo formou-se originalmente em 1970, resultando da fusão das bandas Os Incríveis e Som Beat. De início, percebeu-se que a banda seguiria uma trilha que se inclinaria ao hard rock mesclado com o soul e elementos culturais nacionais: um som único, vibrante e com letras que, ao mesmo tempo indicavam deter um ar no sense, eram um tapa na cara de um país em pleno regime de exceção.

A própria performance da Casa das Máquinas sugeria isso: teatralidade, força e originalidade que, em certo ponto, chegam a lembrar os Secos & Molhados. Um exemplo disso (ainda que fuja da comparação com a trupe de Ney Matogrosso) é a presença de duas (isso mesmo, duas) baterias utilizadas concomitantemente no palco, isto pouco tempo após o lançamento deste primeiro e brilhante disco, que trataremos a partir de agora.

O grupo nos recebe com uma faixa exemplificarmente enérgica: "A Natureza" é um hino à essência do homem, guiado pelo riff conciso e perfeito de Carlos Carge e pela levada de bateria que se tornaram a marca registrada desta canção. Os próprios vocais, gravados e colacionados em uma duplicidade que acaba por gerar um efeito interessante, auxiliam a prender a atenção do ouvinte já nos seu primeiros segundos.

A sequência é arrasadora. Assim que "A Natureza" encerra seus trabalhos, "Tudo Porque Eu te Amo" nos absorve em túnel de musicalidade perfeita, condicionada a uma temática profundamente influenciada por Marvin Gaye: em certo momento, a letra não é mais cantada, e sim, recitada. Trata-se de uma faixa dotada de uma sensibilidade rebuscada. "Mundo de Paz", que lhe sucede, surge para quebrar a atmosfera criada pelas duas canções precedentes: os sábios versos mesclam-se à condução rítmica oferecida pela marcação de, vejam só, um sax, responsável por indicar os compassos desta faixa.

"Quero que Você me Diga" é o maior flerte da banda com o soul, que lembra "O Caminho do Bem" de Tim Maia e sua Cultura Racional. A letra cavalga por diversos temas, ao tratar da busca pela verdade e do encontro com Deus. Para criar este link sem engajar um discurso de fé, é preciso ouvir a faixa atentamente, sob pena de compreender erroneamente os dizeres da banda.

"Canto Livre" é, por certo, uma das canções mais conhecidas do grupo, que dificilmente é associada com a assinatura própria da banda, resultante, mais uma vez, da parca memória brasileira em relação aos artistas que não surfam no mainstream. É uma linda construção musical, insofismavelmente bela e sincera.

A faixa seguinte traz de novamente à baila a energia marcante da banda. "Trem da Verdade" aposta na receita original do hard rock ao apostar em um riff marcante como condutor da letra entoada. Trata-se verdadeiramente de um aríete sonoro, que empolga o ouvinte de imediato.

As canções seguintes oferecem uma certa experimentalidade, terreno no qual o grupo aparenta obter êxito. Com a exceção de "Cantem Esse Som com a Gente", as faixas que arrematam o disco deixam escapar o som forte que é encontrado no início deste disco e em "Casa de Rock", que em sua amplitude é puro rock n roll. A Casa das Máquinas é uma dessas bandas que fazem tanta falta nos dias de hoje, carentes de originalidade e criatividade. Resta-nos resgatar tudo isso na obra deixada por eles.

Cheers!!!

Faixas:

1. A Natureza
2. Tudo Porque Eu te Amo
3. Mundo de Paz
4. Quero que Você me Diga
5. Canto livre
6. Trem da Verdade
7. Preciso lhe Ouvir
8. Cantem esse som com a gente
9. Domingo a Tarde
10 Sanduiche de Queijo


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