sábado, 20 de março de 2010

1989 - Bleach

O cenário que ensejou o registro do primeiro trabalho em estúdio do Nirvana era caótico. Em meio a shows em locais lúgubres (quase desprovidos de público) e uma crise financeira insofismável, os primeiros degraus alçados na carreira do grupo foram, por certo, cobertos em brasa.

Já havia algum tempo que o Nirvana firmara um contrato de gravações com a Sub Pop, selo independente e, aparentemente, sem muitas perspectivas a oferecer no momento. Ainda que bandas importantes do punk e da música independente americana houvessem estampado em seus registros a marca do selo, fato é que a Sub Pop não oferecia um vislumbre de êxito às bandas que trafegavam sob seu manto. E, por mais que em meio a uma cena anacrônica como a percebida em Seattle de 1986-1988, onde qualquer incentivo era visto de bom grado, com o Nirvana as chances de sucesso foram igualmente diminutas.

"Bleach" apresenta fielmente o que era o grupo na época. O Nirvana nunca se preocupou muito em aparar arestas e aperfeiçoar em demasia o seu som (quiçá, "In Utero" seja a única excessão) e, com este álbum, a banda exsurge em seu estado bruto, mesmo que acompanhada por uma segunda guitarra, guiada por Jason Everman, que posteriormente se juntaria ao Soundgarden (cabe frisar que rezam boatos que a contribuição de Everman tenha sido nula neste disco). Mas não há desabono algum nessa constatação: muito embora em "Bleach" não seja encontrada uma construção musical comparada a "Nevermind" e o precitado "In Utero", canções como "Blew", "School", "Negative Creep" (que funciona infinitamente melhor on stage),"Downer" e "About a Girl" trazem certo brilho ao registro.

No entanto, ainda que tais canções incrementem a atmosfera criada na audição, a pedra fundamental de "Bleach" é, incontestavelmente, "Love Buzz", cover da banda holandesa Shocking Blue.

Música preferida dos shows, embora a banda ainda estivesse na transição da fase embrionária ao amadurecimento, a canção oferece o que o Nirvana tinha de melhor no momento. A letra incisiva combina perfeitamente com a postura ébria de "Kurdt" Cobain, e a sonoridade alicerçada em sobreposições de bases e solos de guitarra revestindo a linha de baixo reproduzida por Novoselic entragam ao ouvinte um interessante momento de diversão.

"Bleach" definitivamente não é o registro peremptório do Nirvvana, afinal, o grupo possui em sua discografia o álbum que é considerado o melhor dos anos 90, responsável por toda uma movimentação que culminou em uma nova desinência musical. Mas, ainda assim, merece ser ouvido com atenção e zelo. Trata-se de um disco cru e interessante, que talvez não represente todo o potencial bombástico da banda. Mas, de qualquer modo, traz diversas nuances em si que devem ser relevadas.

Mesmo que muitos torçam o nariz ainda hoje para o Nirvana, este álbum é o primeiro passo de uma das bandas mais marcantes da história da música. E, por isto, deve ao menos ser analisado com respeito e atenção. Afinal, ninguém tem a perder com isso: muito pelo contrário. Mas, agora, deixemos os berros e distorções falarem.

Cheers!!!

Faixas:

1. Blew
2. Floyd The Barber
3. About a Girl
4. School
5
. Love Buzz
6. Paper Cuts
7. Negative Creep
8. Scoff
9. Swap Meet
10. Mr. Moustache

11. Sifting
12. Big Cheese
13. Downer


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2 comentários:

  1. "Bleach" é Visceral. Neste álbum, contém canções grudentas e fortes. Um belo trabalho apreciado por fãs fiéis. Músicas marcantes como: school, love buzz, About a girl e Blew são incontestáveis.

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  2. um dos melhores discos do mundo! nunca esquecerei a benfloginância da adolescência com essas músicas retardadas! a capa explica tudo

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