segunda-feira, 1 de março de 2010

1989 - Bo Diddley Live in Paris 89'

Que Bo Diddley é uma lenda insofismável do blues, isto é fato. O musico americano inovou na cena musical ao adotar uma batida diversa na utilizada pelo blues da década de 50, misturando elementos da rumba para dar ao estilo um viés mais dançante, por assim dizer.

O registro que ora vem à baila é uma prova não apenas da habilidade de Diddley, mas também de sua energia nos palcos. Já contando com 61 anos de idade quando da gravação deste álbum, Bo esbanja entusiasmo e vibração, fazendo com que a platéia participe ativamente de todas as canções do show, ora pedindo gritos, ora ordenando que as luzes se acendessem para platéia para que ela, então, cantasse em seu lugar.

Já na primeira canção, Diddley mostra inspiração. A jam confeccionada com o restante da banda (e simplesmente intitulada "Bo Diddley") apresenta à platéia uma prévia do que ela pode esperar do restante do show.

As duas músicas que sucedem esta intro, "I'm A Man" (regravada pelo Yardbirds) e "Jeanette Jeanette" levam o público ao intenso universo de Diddley, que acelera as canções para dar-lhes maior energia e vibração.

Outros destaques são "Roadrunner", regravada posteriormente pelo Aerosmith no álbum "Hookin' on Bobo", "Mona", "Make up Your Mind Tonight" e "Just Like Bo Diddley Do", que contagia a platéia em uma espécie de apologia do musico para si mesmo. Aliás, como citamos o álbum de covers de blues lançado pelo Aerosmith, fica claro que Bo Diddley foi a referência para a construção do referido disco de Tyler e sua trupe. Diversas canções do álbum do Aerosmith contém passagens de canções de Diddley, como em "You Gotta Move" e "Back Back Train". Para confirmar tal fato, experimente ouvir em sequência este bootleg de Diddley seguido por "Hookin' On Bobo" do Aerosmith.

Afora todos estes atrativos, o ponto alto do disco fica por conta de "He's A Hell of Man", outro "elogio" do nada humilde Bo Diddley para si mesmo. Nesta canção, Bo surpreende a platéia com uma base "swingada" de blues carregadas de efeitos similares ao wah wah, construindo uma linha melódica de surpreendente qualidade, enquanto a platéia o acompanha com palmas.

Como se não bastasse isso, Diddley começa a recitar com sua voz inconfudível que ele, Bo Diddley, é um inferno de homem, enquanto as cantoras de apoio bradam em bom tom o seu nome. Em seguida, o restante da banda trata de acompanhar o mestre de cerimônias, incendiando mais uma vez a platéia sob seu comando. Certas passagens desta canção também se remetem à experimentação do jazz. Não é por menos que Bo Diddley é a maior inspiração de Jaco Pastorius, um dos maiores baixistas (isso mesmo, baixista) da história do jazz.

Bo Diddley faleceu em 2008, meses antes de completar oitenta anos de idade. No entanto, deixou um vasto material e uma incontestável e marcante influência em diversos artistas, como Jimmy Page, Eric Clapton e Jimi Hendrix.

Live in Paris 89' não é apenas um retrato de Diddley em plena forma, mas também uma pintura e demonstração da força impactante do blues na cultura musical, como um todo. Aproveite também a exclusiva entrevista de Bo Diddley à imprensa francesa.

Faixas:

1. Bo Diddley
2. I'm A Man
3. Jeanette Jeanette
4. I've Seen Then All
5. I Broke The Chain
6. Roadrunner
7. Who Do You Love
8. Mona
9. Make Up Your Mind
10. Just Like Bo Diddley
11. He's a Hell of Man
12. Can I Put my Finger in It
13. Bo Diddley Interview


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