terça-feira, 2 de março de 2010

1995 - Ensaio Sobre a Cegueira


É com imenso prazer que colocamos à disposição a primeira "estante" da Biblioteca Pensante, espaço destino à resenha de livros e sua disposição para download. Sendo assim, vamos à obra em questão!
José Saramago possui um gênio criativo que encanta a todos que passam os olhos por suas obras. Detentor de uma escrita insofismavelmente cativante e incisiva, dotada de uma pontuação significativamente peculiar, o mestre português capta como ninguém as problemáticas que corroem o homem em seu âmago. É o caso de “Ensaio sobre a Cegueira”.
Neste romance inigualável, Saramago engendra uma teia narrativa que apreende o leitor já nas primeiras linhas. Em uma típica cena cotidiana, um homem para o carro à espera do sinal que, em minutos, irá autorizar sua passagem. Quando o sinal finalmente abre, o homem vê-se impossibilidade de ensejar qualquer tipo de reação. Em meio aos sons de buzinas e reclames dos motoristas que impacientemente aguardam que tal homem retire seu veículo e permita a passagem, ele sai aos tropeços do automóvel, bradando em lágrimas: “estou cego”.
Assim, inicia-se a história que gira em torno de uma epidemia de cegueira peculiar, chamada de “treva branca”, justamente por ser o inverso da cegueira usual, que nos remete à escuridão. Nela, ao invés da ausência de luz, é precisamente a sua presença em demasia que causa tal ofuscamento. Em pouco tempo, a quantidade de cidadãos contagiados pela treva branca ascende abruptamente, o que força o governo local a separá-los do restante da sociedade, internando-os em um manicômio há muito tempo desativado.
Neste sítio desenvolvem-se uma série de acontecimentos que mostram o homem em seu estado bruto, com uma conexão límpida dos problemas que hoje enfrentamos em sociedade. A cada passagem, percebemos a nossa semelhança com os personagens e suas atitudes, que, na maioria das vezes, não orientam-se pelo sentimento de ética e solidarismo. Logo, Saramago nos induz a uma “auto reflexão”, expondo o que há de mais humano em nossos pensamentos, ainda que tais imagens, em certos momentos, nos causem horror. Fernando Meirelles, na adaptação cinematográfica da obra, evidencia com louvor o universo caótico criado por Saramago, recomendando-se, aqui, que também o filme seja assistido.
De fato, como bem indica o autor, “dentro de nós há uma coisa que não tem nome, e esta coisa somos nós.” Nascemos cegos, crescemos cegos. Mas, quiçá, seja de nossa escolha morrer cegos. Para a cura desta cegueira, Saramago não nos propõe a abrir os olhos, mas sim fechá-los na busca da compreensão do que de fato “somos” nós.
Talvez, este exercício de alteridade e reflexão seja o elemento que falta em nosso desenvolvimento enquanto pessoas e cidadãos. Obra eterna da literatura portuguesa, que merece ser lida em diversos momentos de nossas vidas.
Cheers!!!
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