terça-feira, 27 de abril de 2010

1987, Triumph and Agony


Salve, salve amantes do Rock 'n' Roll.


Esse post vai para as Donzelas do nosso amado rock.

Warlock passou a maior parte de 1983 tocando em bares alemães, e assim construindo uma platéia.
Após gravar uma demo e mandá-la para as gravadoras, a banda obteve um contrato com a gravadora belga Mausoleum.

O “Marco I” na formação (Doro Pesch nos vocais, Peter Szigeti e Rudy Graf nas guitarras, Frank Rittel no baixo e Michael Eurich na bateria) gravou os álbuns Burning the Witches (de 1984) e Hellbound (from 1985), fazendo turnês pela europa para divulgar seus CD’s.

No começo de 1985, Warlock assina contrato com a gravadora Phonogram. No ano seguinte, no meio da tour de Hellbound, o guitarrista Rudy Graf deixa a banda e é substituído por Niko Arvanitis (ex-Stormwind). True As Steel, lançado em 1986, ganhou muita atenção das rádios americanas, junto com o hit Fight For Rock. Após a gravação do album, o primeiro clipe da banda foi produzido para a MTV, para a música Fight For Rock”.

Em agosto de 1986 Warlock abriu os shows do Monsters Of Rock em Maimarktgelände quando o Scorpions era a atração principal do dia. Def Leppard, Ozzy, MSG e Bon Jovi também estavam lá. Depois da tour do album True As Steel acabar, o baixista Frank Rittel deixa a banda, e é substituído por Tommy Henriksen. o guitarrista Peter Szigeti também sai, dando espaço para Tommy Bolan (ex-Armed Forces). Warlock libera seu quarto album, Triumph or Agony em 1987. Este seria o último album deles. Após a saida de Michael Eurich e do guitarrista Niko Arvanitis, Doro Pesch era a única membro original restante na banda, ela optou por não usar mais o nome Warlock na banda, e adotando o nome Doro para o projeto.

Set List

1- All we Are
2- Three Minute Warning
3- I Rule The Ruins
4- Kiss of Death
5- Make Time For Love
6- East Meets West
7- Touch of Evil
8- Metal Tango
9- Cold Cold World
10- Für Immer



Clique na Imagem para fazer Download (Baixou?, Gostou?...Comprou)



Destroyer: Entrevista com Tutú Simmons

Salve membros do KISS Army! Dando sequência ao procedimento de divulgação da apresentação do tributo oficial Destroyer em Curitiba, publicaremos agora uma entrevista com o responsável pelas 4 cordas da banda: Antonio "Tutú" Simmons, que de modo excessivamente cordial conversou com o Rock Pensante nesta última semana.

Na "pauta" da conversa, Tutú tratou tranquilamente do desenvolvimento da banda, desde os primórdios (que consistiam em dublagens do KISS) até a concretização do verdadeiro espetáculo que hoje apresentam, passando também pelo seu amadurecimento como músico (que, vejam só, inicou-se com a guitarra) e das expectativas da banda em voltar a subir em palco curitibano. Aproveitem!

Rock Pensante. O Destroyer conta já com mais de 25 anos de estrada, levando o símbolo de uma das maiores bandas do rock n' roll por todos os cantos do país. Como você avalia o desenvolvimento da banda, contrastando o desempenho do grupo hoje com a performance do início da carreira?

Tutú Simmons: Esse ano estamos completando 26 anos de estrada. Acredito que com tantos anos juntos, estamos melhores do nunca, como banda e pelo lado pessoal também. O amadurecimento, na minha opinião, só faz bem. Não é qualquer banda, ou até mesmo um relacionamento, que dure tanto tempo.

RP. O KISS, além de ter construído um patrimônio musical perene e histórico, também pauta muito de seu sucesso em seu visual, transformando um simples show em um verdadeiro espetáculo. Como vocês lidam com este fator importante? Demorou muito para o Destroyer conciliar o aporte visual característico do KISS e executar com qualidade as canções da banda?

T. S: No nosso caso, o projeto começou como dublagem, isso em 1984. Eu não fazia parte da banda ainda, e era incrivel, os efeitos pirotécnicos como lança chamas, bombas...etc..., Era impressionante mesmo! Depois em 90/91 conheci esse pessoal e comecei a tentar faze-los mudar o projeto e começar a tocar. Parte dessa banda saiu e acabou sobrando eu e o Fabio (Stanley), então começamos do zero. Mas sempre na ativa, nunca se parou, mesmo nessa época.

RP. É notável que, no Brasil, bandas tributos possuiam um espaço "reduzido" no cenário nacional, quadro este que está se alterando gradativamente graças ao trabalho de qualidade de grupos como vocês, ainda que, de fato, as bandas que trabalham com som próprio careçam ainda mais de espaço. Como a banda avalia a situação atual de bandas tributo no Brasil?

T. S: Sinceramente não acho que tenhamos um espaço reduzido, pelo contrário, acho que no Brasil é o que esta rolando, graças a Deus. Mas não posso deixar de lamentar a falta de espaço para bandas de som próprio! Mas, infelizmente não sou eu que mando no mercado. De qualquer forma, pela minha banda isso é ótimo, não tenha duvida! Se voce fizer uma análise, de que muitas cidades não estão no roteiro de bandas grandes internacionais, e como nosso país é gigantesco, talvez seja a única oportunidade de algumas pessoas terem a chance de ver um show assim de perto, e tão barato. Claro, não é a banda original, não temos a produção de um Kiss, mas fazemos o possivel para que, com as nossas possibilidades, fazermos algo que chegue próximo deles.

RP. Em todo este tempo de estrada, como foi mencionado antes, o Destroyer teve a oportunidade de apresentar-se em diversas localidades e, por consequência, entrar em contato com diversas cenas musicais de várias cidades brasileiras. Na sua opinião, qual cidade lhe chamou mais a atenção por evidenciar uma cena musical mais consolidada?

T. S.:Bom...agora tenho que imitar os originais, e dar uma respsota que muito provavelmente responderiam, ok?rs Enfim....minha resposta é Curitiba!!!rs

RP. O Destroyer já se apresentou seus shows em Curitiba em algumas oportunidades durante a sua carreira, sendo uma das bandas mais queridas pelo público roqueiro curitibano. Qual é a experiência mais marcante que banda guarda de nossa cidade?

R.: Tocar em Curitiba nunca foi muito fácil. É um público extremamente exigente, que não tem "papas na língua" e se tiverem que xingar...xingam...Mas graças a Deus, com a gente sempre foram muito bacanas, participativos etc.. Quanto a expectativa, sempre são as melhores!! Espero que a casa lote, e que nos prestigiem mais uma vez nessa festa!!!

RP. Logicamente, Gene Simmons representa para você um norte profissional, sendo ele, provavelmente, sua principal inspiração e incentivo para envolver-se com música. Sendo assim, como foi o início de sua relação com a música e, em especial, com o baixo? Quais são, além de Simmons, suas mais fortes referências?

T. S.: Na verdade (pasmem) meu instrumento é guitarra! Mas quando conheci o pessoal, acabei ficando com o baixo, e foi ótimo pois para mim Simmons é o personagem mais divertido.
Antes disso tocava numa banda chamada Fungos, que era de punk rock, e já tocava baixo la também.

RP. Os integrantes do Destroyer possuem outras atividades paralelas ligadas com música ou cultura, ou a banda consome toda a agenda de vocês?

T. S.: Tem professor de música, tem empresário na area de informática, tem produtor de eventos...etc...rsrsrs
Mas banda é o proncipal foco de todos!

RP. Conforme foi tratado anteriormente, de fato o KISS possui um rol de músicas de extrema qualidade. Como o Destroyer age na hora de fechar um set list? Há algo previamente definido, como músicas que vocês tocam em todo show? A banda gosta de privilegiar, em certos momentos, canções lado B do KISS?

T. S.: Felizmente ou infelizmente, não podemos mudar muito nosso repertório, algumas músicas não podemos deixar de tocar. Eu particularmente eu gosto dos "lados B´s", dependendo do show, até da pra fazer sim!

RP. O KISS possui, literalmente, um exército de fãs que, apesar de evidenciar uma fiel devoção à banda, também é extremamente exigente. Qual é a maior preocupação do Destroyer no desenvolvimento de um espetáculo e com o aprimoramento das apresentações?

R.: Temos nossa limitações, que não são poucas, mas sempre damos nosso melhor. Se dependesse da gente teriamos muito mais efeitos....uma qualidade de som muito melhor...palcos maiores...etc... Mas...isso não depende muito da gente....pois tudo isso tem um custo, e a maioria dos contratantes não conseguiriam pagar por isso....e como resultado...tocariamos bem menos...rsrs

RP. Em breves palavras, o que Curitiba pode esperar desta apresentação de 15/05, no Blood Rock Bar?

T. S.: Podem esperar a mesma alegria, a mesma energia de sempre!!! Estamos com muita saudade de Curitiba!!! Estão todos convidados p/mais essa festa bacana!!! E aproveitando o espaço, dia 14/05 - sexta, faremos um show em Schroeder/SC, dia 15/05 - sabado, em Curitiba/PR e dia 16/05 - domingo, em Paranaguá/PR. E, pessoal do Rock Pensante, eu em nome da banda agradecemos o espaço aqui!!!
Desejo a vocês muito sucesso!!!
"Acredite nos seus sonhos SEMPRE!!!"
Grande abraço!!!

Nós, do Rock Pensante, é que devemos agradecer esta excelente conversa! E, para reiterar, fiquem atentos quanto às informações do show, que seguem abaixo. E, como não poderia ser diferente, na próxima semana o blog está preparando uma entrevista exclusiva com o pessoal do Moonshine, umas das melhores bandas de hard rock de Curitiba, que é ilustre convidade do Destroyer para esta noite de festa!!!

Cheers!!!

Destroyer - Oficial KISS Cover (http://www.destroyerkisscover.com.br/) e Moonshine (http://www.myspace.com/moonshinerockband)

Data: 15/05/2010
Local: Blood Rock Bar (Rua Carlos Cavalcanti, 1212 - São Francisco - Curitiba/PR. Site: http://www.bloodrockbar.com.br/)
Horário: 23:00 horas (Abertura com Moonshine)
VALOR: R$ 10,00 antecipado (Túnel do Rock, Dr. Rock e Let's Rock). No local e na hora: R$ 15,00

sábado, 24 de abril de 2010

23/04/10 - Pão de Hamburguer & Blindagem

Diziam os antigos mestres Incas que, quando um acontecimento ímpar está prestes a ocorrer, todos os elementos da natureza ao redor deste mesmo acontecimento tendem a se intensificar, tal qual a luz do Sol em um quente verão. Ainda que em paradoxo contrário, Curitiba demonstrou ser verdade este antigo mito Inca: no dia em que duas das melhores bandas do Paraná prestariam uma justa homenagem ao eterno Ivo Rodrigues, a cidade amanheceu castigada pela chuva, o frio sentou praça e sentenciou que todos poderiam fazer tudo, menos sair de casa. Mas, como nem todas as coisas se perdem na água, estes mesmos elementos da natureza resolveram dar uma trégua gradativa enquanto os ponteiros do relógio se aproximavam da hora da apresentação.

Quando o Pão de Hamburguer botou o pé no palco, os primeiros minutos de 24 de abril já haviam decorrido. E, exatamente no mesmo momento em que o primeiro ressoar de notas de "Oh Pai" escapou das mãos de Leonardo Bokermann para os amplificadores e para o público, o relógio (que antes fizera a chuva e o frio se encolherem) parou: era como se a intensidade da música reverberada pelo grupo abstraísse toda a platéia e a transportasse para um mundo próprio, onde a batuta regente era balanceada ao ar pelo próprio Pão. Apenas quem não quis aceitar o convite da banda para singrar por esse "novo mundo" é que saiu perdendo; aos demais, alegria e satisfação são termos próximos para exemplificar e evidenciar este momento de exaltação. Em um repertório de aproximadamente 13 canções, a banda alavancou faixas constantes em seu "Álbum 2009" (disponível para download nesta mesma seção), acrescidas de certos regalos e mimos, como canções inéditas (Jonas, por exemplo) e músicas de bandas referenciais ao grupo.


Bons momentos não faltaram. Em "Princesinha do Tio", a platéia dançou e pulou como se pisasse em brasa; quando "Ontem e Hoje" surgiu, todos puderam balançar a cabeça e, ao mesmo tempo, refletir com as palavras cantadas por Gabriel. Toda a banda (isto em análise individual) ofereceu ao público a oportunidade de ver e ouvir um bom show, regado de músicas da melhor qualidade: "Joelito" conduziu muito bem suas seis cordas, assim como Leo e Gabriel o fizeram, mostrando que "los tres amigos" sabem muito bem como combinar os melhores elementos de três guitarras reverberadas ao mesmo tempo. Na cozinha, Brunno (sempre com o pé direito em movimento) acolchetou bem as linhas de baixo, enquanto Rennan bem mostrava que baquetas também podem ser batutas na mão de maestros de verdade.

O ápice certamente se evidenciou em "Sr. Dalí", canção que traz a miríade de influências do Pão: Who, Hendrix e Mutantes estavam no palco com eles. Enquanto a banda crescia on stage, a platéia subia igualmente o volume e, no momento em que a canção chegou ao seu termo, todos puderam colocar bruscamente os pés no chão: era a gravidade que havia voltado e, com ela, os ponteiros do relógio retornaram igualmente a caminhar. Lá no alto, com sua "Gaivota" e trajando sua roupa de "Marinheiro", o velho Ivo certamente dizia com aquela voz e riso inconfundíveis: "obrrrigado".

Ao deixar o palco, o Pão passou o comando da festa aos eternos veteranos do Blindagem que, apoiados por Rodrigo Vivaz, fecharam as homenagens à Ivo Rodrigues. O público presente no Blood Rock Bar pode rememorar eternas pérolas da banda, cantando com Rodrigo cada verso da poética obra de Ivo e Leminski. Muito embora o relógio não tivesse parado novamente, o Blindagem ofereceu (como sempre) a garantia de bons momentos sustentados pelo rock n roll. Ainda que a ausência de Ivo seja uma "ferida" recentíssima e aberta no âmago de cada um, a banda trocou acertadamente a tristeza pela alegria e deu à platéia (e a Ivo, por igual) um fim de noite memorável.

Seja com a voz, com a marcação da sola do pé ou da palma da mão, todos os presentes seguiram o Blindagem por suas canções, dançando, cantando e se emocionando como em "Sou Legal, Eu Sei", "Loba da Estepe" e "Dias Incertos". Paulo Teixeira, nosso querido Keith Richards, demonstrou a apresentação impecável de sempre; Juk, por seu turno, levou com maestria suas quatro cordas enquanto Rodrigo Vivaz fez as vezes de Ivo, nunca tentando substituí-lo, mas sim homenageando-o e ressaltando a todo momento a grande importância desta figura sigular à música e cultura paranaense.

Enquanto a madrugada avançava, a apresentação chegou ao fim. Todos os presentes, desde aqueles que aceitaram flutuar com o Pão de Hamburguer e os que colocaram os pés no solo com o Blindagem, prestaram uma honrada homenagem à Ivo Rodrigues. Somado à isso, tiveram a oportunidade de presenciar e apreciar a performance de duas excelentes bandas que aliaram o impulso e o anseio pueril da juventude com a aguerrida postura de altivez e o pulso firme da experiência. Para quem queria descobrir "qual a diferença entre ontem e hoje", como canta o Pão, pode descobrí-la nesta junção de características do passado com o presente que, mesmo sob o manto de "certas luas e dias incertos", como brada o Blindagem, nos quer ensinar que o bom mesmo é saltar em busca de correta satisfação e prazer, que só a música é capaz de prover. Esta é a lição de Ivo e foi isto que todos aprenderam naquela noite. Ao Ivo, ao Pão e ao Blindagem, o nosso sincero obrigado.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

1971 - Construção

Chico Buarque é, sem sombra de dúvida, um dos maiores nomes de nossa música. Gênio criativo dotado de uma habilidade ímpar em comandar sua pena (ora irônica, ora melancólica), Chico criou algumas das obras perenes da música popular brasileira. Em "Construção", encontramos um bocado destas pérolas. O quinto disco de Buarque foi lançado em um momento turbulento de nossa história. Enfrentávamos o ápice do regime de exceção e a censura, vigente até então, era apenas um dos muitos pesadelos dos artistas tupiniquins.

Recém chegado de seu exílio na Itália, Chico Buarque pegou todo este caldeirão de sentimentos extremos, adicionou pitadas da bossa nova (resultante da parceria com Toquinho, Vinícius e Jobim) e brindou-nos com este trabalho histórico.

Chico Buarque abre sua "Construção" com a irônica e incisiva "Deus lhe Pague", dotada de versos tristemente sinceros entoados acompanhados de berimbaus, piano e uma percussão interessantíssima. A canção conduz o ouvinte a uma reflexão galopada em batidas similares a de um coração: trata-se de um momento ímpar, que caracteriza uma abertura marcante da obra. "Cotidiano", canção seguinte, quebra inteligentemente a atmosfera, ainda que denote uma severa crítica. Musicalmente, a faixa mantém os mesmo ditames da canção precedente, agregando pausas acertadas durante o seu desenvolver. "Desalento", que completa a "tríade" inicial do disco, apresenta-se como uma típica música oriunda da bossa nova. Composta originalmente em parceria com Vinícius de Moraes, a canção destoa propositalmente dos reclames percebidos nas faixas anteriores, ainda que se possa conjecturar um possível lamento de Buarque no exílio em certos momentos.

"Desalento" abre espaço, ao seu fim, para um dos maiores alicerces poéticos já escritos por Chico Buarque. A letra de "Construção" ainda hoje é uma constante a descobrir, cheia de percepções indiretas e críticas prostradas nas entrelinhas que, quando entendidas, saem das sombras e transformam-se em um tapa na face. Conjugado a este fator, "Construção" também é uma pérola em termos musicais: a batida seca do violão se mescla a manifestações não esperadas de cordas e metais, apoiado em um coro de fundo igualmente bem estruturado pelo grupo MPB-4.

Adiante, "Valsinha" e "Minha História", versão da canção originalmente composta por pelo italiano Lucio Dalla, trazem à baila, uma vez mais, a atmosfera intimista característica de Chico Buarque. Esta última conta história de um menino (que narra toda a canção), um tanto triste, que empurra o ouvinte para um momento silente de importante relevância e reflexão sobre o estado em que o país se encontrava. A comparação do menino da canção com Jesus acolcheta bem a mensagem da canção que, ainda que não escrito pelo punho de Buarque, coaduna com seu estilo e com a proposta do disco, que se encerra com "Acalanto", narrativa igualmente profunda.

Em suma, "Construção" é um momento importantíssimo da carreira de Chico Buarque e, por conseguinte, da própria música do Brasil. Ocorria naquele 1971 um conjunto de fatores que, para muitos, são uma mancha negra em nossa história. Por sorte temos este disco para salvar-nos deste momento nebuloso de nossa história. Ao velho Chico, nosso muito obrigado.

Cheers!!!

Faixas:

1. Deus lhe Pague
2. Cotidiano
3. Desalento
4. Construção
5. Cordão
6. Olha Maria (Amparo)
7. Samba de Orly
8. Valsinha
9. Minha História
10. Acalanto

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quarta-feira, 21 de abril de 2010

2010 - Slash

Que Slash é uma das maiores referências da guitarra em termos de hard rock, isso ninguém discorda. Dotado de um modo único de se portar e de destrinchar sua imensa coleção de Gibson`s, o Sr. Cartola acaba de brindar os fãs com mais um presente: seu "primeiro"disco solo propriamente dito vem recheado de surpresas no mínimo agradáveis. Quase todas as canções denotam uma interessante construção musical e, somado a isto, o time de músicos que o acompanha (como Iggy Pop, Lemmy Kilmister, Ozzy Osbourne e Andrew Stockdale) abrilhanta ainda mais o trabalho.

Por certo, muita gente não gostou do disco. Mas quase todas estas críticas advém do convite de Slash para que diversas figuras, de vários seguimentos, tocassem com ele. Pelo fato de ter chamado figuras como Fergie e Adam Levine, do Maroon 5, Slash foi acusado por alguns de tentar se assemelhar ao Santana e sua extensa lista de partners constante em seus discos. Afora todo esse embate, "Slash", de 2010, pode ser chamado de qualquer coisa, menos de opaco ou simplesmente ruim.

O disco inicia seus misteres com "Ghost", verbalizada por Ian Astbury do The Cult. A faixa mostra a faceta técnica de Slash já em seus primeiros segundos, até estourar com uma alvancada abrupta de todos os instrumentos em conjunto. A canção seguinte, "Crucify the Dead", é a primeira jóia do disco. O solo inicial de guitarra se assemelha ao jazz seco de Pat Metheny em "Bright Size Life" e, ao exemplo da faixa precedente, se alicerça em uma muralha sonora no refrão. Como se isso não fosse suficiente, Mr. Madman acolcheta a atmosfera pesada da música com maestria: é como se estivessemos a ouvir o Sabbath em sua vertente mais hard rock.

Se a primeira jóia veio com Ozzy, o primeiro equívoco veio com Fergie. Não se trata de preconceito ou simples rotulação: apenas não há como negar que "Beautiful Dangerous" é a canção mais deslocada do disco, ainda que conte com elementos musicais interessante. A mistura com a levada despojada e usual de Slash com beat característico da música pop atual acabou por desabonar o resultado final da faixa. Mas essa primeira má impressão se esvai quando o riff inicial de "Back from Cali" começa a soar. A canção traz à tona a vivência eterna do verdadeiro espírito do rock n roll: forte, incisivo e sem muita frescura. A faixa, em seu refrão, permeado por uma construção de backing vocals interessantíssima faz o ouvinte mais desapercebido pensar que Axl Rose está a auxiliar Myles Kennedy no microfone.

Chris Cornell também dá o ar da graça em "Promise", que, para a decepção dos rabugentos de plantão, pouco se assemelha ao trabalho desenvolvido pelo cantor em sua passagem pelo Audioslave. "By The Sword", faixa seguinte, é uma das mais criativas. A introdução acústica prepara o terreno para a verdadeira explosão sonora comandada por Slash e Andrew Stockdale, líder do Wolfmother: garantia de hard rock da melhor qualidade.

"Gotten", balada que conta com Adam Levine, também merece, ao final das contas, aplausos. Não fosse o preconceito que ainda vagueia pela mente de muitos, esta canção poderia ser considerada como uma das melhores baladas feitas por Slash, desde seu tempo com Guns até o Velvet Revolver. Quando o último acorde de "Gotten" se encerra, o "heavy side" do disco se inicia com "Doctor Alibi", cantada pelo simpático e cordial Lemmy. A canção é literalmente uma pancada arquitetada nos melhores moldes do hard rock. "Watch This Dave" é a única faixa instrumental do disco. Igualmente pesada e muito bem contruída, a canção mostra, pelo primeiro momento, o lado mais pesado de Slash, ainda que uma das passagens intermediarias remetam o ouvinte à canção "Coma" do Guns. "Watch This Dave" conta com a participação de Dave Grohl na bateria e o velho Duff nas quatro cordas.

"Hold On", que conta com Kid Rock nos vocais, apesar de guardar uma certa peculiaridade, trafega na contra mão. É uma canção um tanto monótona e mal colocada entre as faixas mais pesadas e pulsantes do disco. A seguinte, "Nothing to Say" é um inesperado metal comandado por Slash e Mr. Shadows do Avenged Sevenfold. De tão fiel às raízes bangers, ninguém reclamaria se ela tivesse sido gravada, por exemplo, pelo Metallica.

Myles Kennedy retorna com "Starlight" que, mesmo melhor e mais criativa que "Hold On", acabou por ficar igualmente deslocada. A melancólica e inteligente "Saint is a Sinner Too" abrilhanta novamente o cenário. Introduzida de modo acústico, a voz de Rocco de Luca parece fugir de um recente pesadelo. A canção merece destaque pelos elementos de produção que a compõe e integram, como efeitos software que, mesmo sendo mecânicos, não esvairam a essência intrínsecamente humana da canção.

O disco é encerrado da melhor maneira possível. "We`re All Gonna Die" mostra, junto com um riff inspirador, toda a beleza isana de Iggy Pop, que brada alegremente: "We`re All Gonna Die/So Let`s Get High/We`re All Gonna Die/So Let`s Be Nice (Já que nós vamos morrer/Então vamos ficar malucos/Já que nós vamos morrer/Sejamos legais)". Esta é, certamente, a faixa mais vibrante do disco. Enfim, "Slash" mostra uma das figuras mais queridas do hard rock em uma das suas melhores performances e, ainda, muito bem acompanhado. Ainda que não agrade gregos e troianos, pode ser considerado como o melhor trabalho executado por Slash depois do Guns n Roses, bastando lembrar que, ainda sob esse nome, Sr. Rose não conseguiu fazer nada parecido em termos de qualidade com sua "Democracia Chinesa".

Antes de encerrarmos, um pequeno aviso. Diversos sítios já disponibilizaram este disco para download antes mesmo de seu lançamento. Mesmo sem querer transparecer hipocrisia, tivemos o cuidado de esperar esta obra ser oficialmente lançada e iniciar suas vendas para incluí-la em nosso material. Ainda que o leitor que eventualmente passe por aqui faça o download, cabe o conselho: ouça e compre o álbum. É um excelente disco e, ainda assim, estaremos contribuindo para a vinda deste ilustre cidadão às paragens tupiniquins.

Cheers!!!

Faixas:

1. Ghost
2. Crucify The Dead
3. Beautiful Dangerous
4. Back From Cali
5. Promise
6. By The Sword
7. Gotten
8. Doctor Alibi
9. Watch this Dave
10. Hold On
11. Nothing to Say
12. Starlight
13. Saint is a Sinner To
14. We`re All Gonna Die

CLIQUE NA IMAGEM P/ FAZER O DOWNLOAD:






15/05/10 - Destroyer

A música, como bem se sabe, é capaz de fomentar os maiores e mais emblemáticos sentimentos humanos. Dois deles que se destacam quando o assunto é rock n' roll: a exaltação e o prazer. E, se agregarmos o KISS neste assunto, podemos seguramente elevar à décima potência estes mesmos sentimentos.


Desde a década de 70, a banda já alçou quase todos os limites que se apresentam a grupos de rock: fama, sucesso, polêmica e música da melhor qualidade. E quem pensa que somente verá as figuras mais memoráveis do rock de tempos em tempos, quando da passagem do grupo pelo país, já pode pode se alegrar: o Brasil é detentor do maior tributo ao KISS e, no dia 15 de maio, o KISS ARMY curitibano poderá gritar bem alto e curtir rock n' roll a noite inteira com o Destroyer.


A banda, que conta com mais de 25 anos de estrada, carrega com honra e justiça o cetro de insofismáveis representantes dos mascarados. Reconhecido nacionalmente desde a década de 80, quando participaram de diversos programas televisivos (dentre eles o "Perdidos na Noite"), o grupo amadureceu muito e aperfeiçoou ainda mais sua qualidade musical e performance on stage. Hoje, após ter passado por diversos palcos e ter vencido a "batalha" de covers promovida pela Rede Globo (que coincidiu com a última passagem do KISS pela Brasil), a banda retorna para Curitiba para prover aos fãs diversão, alegria e música da melhor qualidade.


E, como não poderia ser diferente, o Rock Pensante fará uma cobertura especial da passagem desta querida banda sob o céu cinza de Curitiba. Como prévia disso (e convite ainda maior), o blog fará uma entrevista exclusiva com Tutú Simmons, baixista do Destroyer, além de uma resenha exclusiva da apresentação do grupo e da preparação do espetáculo programado para ocorrer no palco do Blood Rock Bar.

A noite do dia 15/05 será, faticamente, um oportuno e demasiado momento de celebração, celebração esta direcionada aos mais diversos pontos: alegria, festividade, diversão. Tudo isto provido à galope com o som inconfundível do KISS e seus maiores símbolos tupiniquins. Pena de quem perder esta noite.




Destroyer - Oficial KISS Cover (http://www.destroyerkisscover.com.br/)

Data: 15/05/2010
Local: Blood Rock Bar (Rua Carlos Cavalcanti, 1212 - São Francisco - Curitiba/PR. Site: http://www.bloodrockbar.com.br/)
Horário: 23:00 horas (Abertura com Moonshine)
VALOR: R$ 10,00 antecipado (Túnel do Rock, Dr. Rock e Let's Rock). No local e na hora: R$ 15,00


Cheers!!!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

18ª Feira da Musica. "Cd, Vinil e Video" em Curitiba

Salve salve amantes do Rock 'n' Roll vindo do "Bolachão"

Mais uma grande oportunidade para todos nós nos divertimos.
Esperamos todos vocês lá.
Um grande Abraço


quinta-feira, 15 de abril de 2010

1985, Blindagem Ao vivo São Paulo















Salve, salve amantes do Rock 'n' Roll, vamos hoje de Blindagem, para juntos brindarmos ao grande Ivo Rodrigues.
Pois o "Sonho não Acabou"

Blindagem: A Cara Paranaense do Rock
A banda Blindagem pode ser considerada a cara paranaense do rock. Fundada no final dos anos 70, tornou-se a banda mais conhecida do Paraná ao longo dos anos. Foi a primeira do Estado a conseguir destaque nacional, com sucessos tocando nas rádios de todo país e shows nos principais programas de televisão da época. Com sua própria linguagem e estilo, a banda conquistou fãs de várias gerações, que continuam prestigiando a banda onde quer que ela toque. A Blindagem é formada pelo vocalista Ivo Rodrigues, Paulo Teixeira (guitarra), Alberto Rodriguez (guitarra), Paulo Juk (baixo) e Rubén “Pato” Romero (bateria).

Foi em 1981 que a banda lançou seu primeiro LP, Blindagem, com o selo da gravadora Continental. No mesmo ano foi lançado, também pela Continental, um compacto com as músicas Marinheiro e Oração de um Suicida. Mais dois compactos da banda vieram em 1983, pela Gravadora Pointer, trazendo as músicas Malandrinha e Me Provoque pra Ver. O outro compacto foi Operário Padrão, desta vez pela Gravadora Polygram, lançado em 1985. Em 1987, veio o disco Cara x Coroa, lançamento independente, reeditado par CD em 1998 pela MNF Brazil.
Em 1990, o LP Blindagem é reeditado com a música Verdura, de Paulo Leminski, e Se Houver Céu, também de Leminski e com sua própria voz. O disco ganhou uma versão em CD em 1999, lançado pela Gravadora Warner/WEA. Aliás, o poeta curitibano tem importância fundamental na história da banda, que gravou nada menos que 11 músicas feitas em parceria com Leminski. Produzido de forma independente, através da Lei de Incentivo à Cultura, em 1997 a banda lança o CD Dias Incertos.
Em junho de 2008, a banda lança seu primeiro DVD “Rock em Concerto – Banda Blindagem e Orquestra Sinfônica do Paraná”, gravado ao vivo na primeira apresentação do Rock em Concerto, em setembro de 2007.

Entre os momentos mais importantes da carreira está a montagem do legendário espetáculo Rocky Horror Show, em 1982, dirigido por Antonio Carlos Kraide. Foram mais de 40 apresentações dividindo o palco com Luis Melo, Lu Grimaldi, Nica Bonfim, Paulo Maia e outros. A banda foi responsável pela direção musical do espetáculo. Também vale lembrar os shows que lotaram o Teatro Guaíra, em que os fãs cantavam de pé as músicas da banda.
Mais do que uma banda seminal para a história da música no Paraná, Blindagem é uma reunião de amigos, cheios de histórias curiosas e engraçadas a contar, no que eles chamam de “um casamento sem sexo”... Eles nunca se separaram, nunca pararam de tocar. E sobem ao palco com o prazer dos que sabem exatamente que ali é onde querem estar

Pois bem, trago hoje para vocês um bootleg gravado em São Paulo em meados de 1985, a gravação vem de uma fita K7 então perdemos alguns trechos de praticamente duas musicas, problemas ao terminar e iniciar a gravação da fita. Agradeço ao blog que trouxe esses achados para nos seres mortais. Acessem ao blog http://acena-agitosculturais.blogspot.com, Um blog recheado de material desconhecido por muitos. Nos do Blog Rock Pensante recomendamos.


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quarta-feira, 14 de abril de 2010

23/04/10 - Blindagem e Pão de Hamburguer


Quando uma voz densa se cala, o mais óbvio é esperar que, após tal fato, suceda-se um insofismável e igualmente denso silêncio. Quando, na última sexta-feira, Ivo Rodrigues calou-se pela última vez, o que era esperado, então, era este silêncio. Por sorte, erramos.

No próximo dia 23/04 o Blindagem subirá ao palco uma vez mais para cumprir com o último pedido de seu eterno vocalista: o de não parar, em momento algum. E, para melhorar, não subirão sozinhos: o palco será o Blood Rock Bar, que nos últimos meses tem apresentado os melhores shows da cidade. E os acompanhantes, também para a nossa sorte, é o Pão de Hamburguer, uma das melhores bandas advindas do novo e crescente cenário musical curitibano.

Logicamente, trata-se de uma noite excessivamente especial. Ivo Rodrigues não foi apenas a voz da maior banda cultivada no Paraná, ele foi também a cor e a poesia de todo um movimento musical. Com o Blindagem, Ivo embalou sonhos, risos e lágrimas. Muitas vezes sozinho, ou então em companhia do também eterno Paulo Leminski, Ivo verbalizou e consubstanciou essa poesia em belezas incomparáveis como "Gaivota", "Loba da Estepe", "Dias Incertos" e a esperta "Eu Sou Legal, Eu Sei", que devem sua notoriedade à essa produtiva combinação de elementos.

Por certo, esta apresentação servirá para rememorarmos e refletirmos a importância de Ivo e do Blindagem para a música e para a cultura como um todo. Mas, ao mesmo passo, a noite do dia 23/04 servirá para outro desiderato: o de propagar, aproveitar e sorver, ainda mais, a excelente obra destes artistas singulares, sinceros a cada verso e a cada nota reverberada no ar. Por sua vez, o encargo de empunhar o microfone da banda ficou com Rodrigo, integrante da também conhecida Gypsy Kiss.

Ainda que o tempo seja um inimigo quase sempre invencível, o dever de todos os presentes neste dia será o de parar o relógio, firmar o pé (e o pulso, claro) e ter a certeza de estar presenciando a continuidade de uma história que, novamente para nossa sorte, ainda está muito distante de seu capítulo derradeiro.

Agregado a tudo isso, ainda teremos a oportunidade de ver on stage, conforme dito antes, uma das bandas de melhor qualidade advinda nestes últimos cinco anos. Detentor de um elemento criativo interessante e de uma despojada e marcante presença de palco, o Pão sempre se apresenta fornecendo apenas duas garantias ao público: diversão e música boa, independente de rótulos ou outras querelas mais, que tanto desabonam a construção musical nos dias de hoje.

Enfim, dia 23/04, próxima sexta, todos amantes da música têm sítio garantido e, com isso, a dupla missão de divertir-se e aproveitar a apresentação de duas gerações de extrema qualidade do rock n' roll brasileiro. Roubando o ensinamento do velho Scott: "Que se faça o rock"!!!!

BLINDAGEM & PÃO DE HAMBURGUER - HOMENAGEM A IVO RODRIGUES

Data: 23/04/10
Local: BLOOD ROCK BAR (Rua Carlos Cavalcanti, 1212 - São Francisco - Curitiba/PR. Site: www.bloodrockbar.com.br)
Horário: 23:00 horas (Abertura com .50 Acústico no piso superior)
VALOR: R$ 10,00 no local.

VEJA TAMBÉM:

- Pão de Hamburguer no Myspace: www.myspace.com/paodehamburgue

- Blindagem: www.bandablindagem.com.br

Cheers!!!

sábado, 10 de abril de 2010

2007 - The Good, The Bad & The Queen

De fato, Londres (como toda cidade historicamente emblemática) se faz merecedora de uma trilha sonora capaz de abrigar a totalidade de seus ambientes nebulosos, não apenas pelo seu famoso "fog", mas também pelo próprio comportamento peculiar dos ingleses.

Talvez, mesmo que sem querer, esta foi a missão a qual Damon Albarn (vocal do Blur) e Paul Simonon (lendário baixista do Clash) se propuseram a cumprir, e com louvor, diga-se de passagem. Todas as canções do álbum criam uma atmosfera interessante acerca do cenário londrino, sendo que, cada uma,possui um brilho particular.

A participação das duas faixas iniciais deixa claro isso. "History Song" e "'80's Life" retratam com um alicerce musical interessante o cenário visual de Londres no tortuoso fim do século XX, como as letras deixam transparecer. "'80's Life" agrega os elementos vocais criados originalmente pelos Beatles e Beach Boys para permitir que Simon Tong (membro do Verve e Gorillaz) e Tony Allen (baterista do Afrobeat) brinquem com o andamento da canção.

No entanto, é com "Kingdom of Doom" que a tensa atmosfera do disco é canalizada de forma direta. Os primeiros segundos acústicos abrem espaço para a toada angustiante da letra que brada em bom tom a narrativa de uma sexta-feira no "Reino da Destruição" onde corvos voam pelo quarto e não há mais nada que se possa fazer além de, vejam só, beber, justamente porque tal reino (clara "afinetada" ao Reino Unido) está em guerra.

Desta densidade surge "Herculean", um tanto mais calma mas, nem por isso, menos interessante. Um lento boogie de piano acolcheta a inclusão da sonoridade de guitarras com um interessante efeito, ao mesmo tempo em que agrega com toda a responsabilidade os elementos eletros que são característicos do Gorillaz. A letra faz alusão aos canais escuros de Londres e suas "fábricas de gás" e a tentativa do "Estado de felicidade" (Welfare State) em impor ordem ao caos.

Mais adiante, em "Three Changes" é o galope militar da bateria de Allen que chama a atenção, enquanto a variação sonora é elevada, ainda que calmamente, até a décima potência. "Green Fields" aposta novamente na estruturação acústica, permeada por diversos outros elementos, para entoar versos emblemáticos, que demosntram como os "campos verdes" transformaram-se em pedra após a guerra. No fim, a canção "The Good, The Bad & The Queen" poderia ser considerada como um novo modo de executar a popular "God Save The Queen", acrescida, logicamente, de uma extensa carga crítica. Em uma breve passagem, Albarn entoa: "Esta rotina abençoada / Pelo Bom, Pelo Mal & Pela Rainha / Apenas retira os sonhos de todos nós (...)".

"The Good, The Bad & The Queen", inicialmente, fora concebido como o título do novo disco solo de Damon Albarn mas, após a chegada de Simonon, transformou-se em um novo projeto. Vale a pena escutar o disco não apenas pela criatividade musical, mas também pela inteligência perspicaz que se apresentam nas letras. O disco, acima de tudo, é a manifestação musical comprometida com um objetivo crítico e inteligente que, nos dias de hoje, tanto nos faz falta.

Cheers!!!

Faixas:

1. History Song
2. '80's Lifes
3. Northern While
4. Kingdom of Doom
5. Herculean
6. Behind the Sun
7. The Bunting Song
8. Nature Springs
9. A Soldier's Tale
10. Three Changes
11. Green Fields
12. The Good, The Bad & The Queen

CLIQUE NA IMAGEM P/ FAZER O DOWNLOAD:


sexta-feira, 9 de abril de 2010

W.A.S.P. cancela show em Curitiba

Dia 09/04/10 foi uma data particularmente triste para os curitibanos. Hoje, perdemos um dos maiores nomes do rock brasileiro: Ivo Rodrigues, eterno vocalista da banda Blindagem. Por certo, palavras não externam a totalidade da tristeza desta notícia.

Mas, até as 21 horas deste mesmo dia, havia uma tênue luz no fim do túnel. Muito embora uma fato não compense o outro, grande parte dos bangers de Curitiba iriam buscar no show da lendária W.A.S.P. uma espécie de reconforto, na tentativa de calar, ainda que momentaneamente, a referida perda. No entanto, mais uma péssima notícia surgiu: a banda havia, sem muitas explicações, cancelado o show.

A apresentação estava marcada para as 22 horas no Moinho Eventos, mas já às 21 horas os representantes da banda haviam confirmado o cancelamento do espetáculo. Segundo informações da organização do local do show, a banda fez uma série de reclamações acerca da montagem do palco, do resultado final da passagem de som e de algumas instalações internas (como camarins, etc). Ainda que membros da equipe tenham feito as alterações necessárias e solicitadas pela banda (que chegaram a remontar o palco), nada fez com que os ânimos se acalmassem e, por fim, a trupe de Blackie Lawless acabou por regressar definitivamente ao hotel.

Novamente, quem sai perdendo, de fato, são os fãs. Inúmeras pessoas permaneciam exaltadas e surpresas com a notícia do cancelamento. Para se ter uma idéia da dimensão do desastre, haviam caravanas de diversos lugares do país e, inclusive, da Argentina.

Infelizmente, dia 09/04 entrará para história do rock paranaense com uma das mais desagradáveis.

Ivo Rodrigues "Blindagem"

"A morte chega em Curitiba"

Grandes amigos do Rock 'n' Roll, amantes da boa musica e outros admiradores informais desse nosso estilo. Hoje infelizmente Ivo do Blindagem veio a falecer. Perdemos Ivo Rodrigues, mas ganhamos uma lenda do Rock 'n' Roll

Falar de Blindagem e Ivo é relembrar minha infância, Curitibano que é Curitibano já ouviu Blindagem. Para o meu bem estar posso disser que só não ouvi, como presenciei dois grandes shows dessa banda. Uma qualidade de arrasar com varias bandas daqui e de fora. Um show animado e extrovertido, regado ao som de guitarras nervosas, violão, baixo no ponto e gaita de boca.

Fundindo Blues, Rock, Folk e outros, Ivo nos contava histórias do nosso Paraná e de nossa Saudosa Curitiba, musicas que ficaram "Blindadas" em todos os que gostavam de sua voz e de suas ideais.

Musicas como Volto na Primavera com uma introdução linda de gaita, Gaivota com sua letra que nos faz para para pensar em muitas coisas da vida, Cheiro do Mato essa talvez um dos grandes Hits da banda. Podemos lembrar também da musica Blindagem onde a banda se revela um pouco mais agressiva junto ao disco Dias Incertos.Mas quem nunca cantarolou La Vai o Trem com seu tradicional "Uh uh...uh uh...lá vai o trem", e dente outras musicas mais.

Infelizmente segundo a assessoria de imprensa do músico, há um mês a equipe médica que o acompanhava detectou um tumor no canal da uretra do músico, mas o câncer já estava em estágio avançado. Em julho do ano passado, ele foi submetido a um transplante de fígado, em razão de uma cirrose hepática. Ivo veio a falecer na noite desta quinta-feira (8) no Hospital de Clínicas de Curitiba, vítima de uma parada cardiorrespiratória decorrente de complicações em função do câncer.

Sentimentos a parte fica aqui minha pequena homenagem ao Ivo que fará uma grande falta para o meio musical e pessoal para aqueles que o conheciam.

"Espero que o Trem o leve para um lugar melhor no qual estamos"

Um abraço forte para todos
Em breve, mais sobre a Banda Blindagem.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

1966, O'Seis

Salve, salve amantes do Rock 'n' Roll

Falar sobre Rock Brasileiro é sempre motivo de orgulho para nós. Existe uma gama imensa de grandes músicos em nossa terra, os mesmos muitas vezes de uma qualidade irredutível e incomparável com a demanda de músicas e bandas que vêm de fora.

Falar sobre Rock Brasileiro é sem falta falar de Raul Seixas, talvez esse seja a grande bandeira do rock no brasil. É falar de Marcelo Nova com o seu tradicional "Bota pra Fuder" cantado em coro por todos seus fãs em grandes shows.

Não podemos esquecer a Banda Made in Brazil que com uma grande qualidade musical mistura o bom e velho Rock 'n' Roll Clássico (Elvis, Cash, Chuck Berry e outros) com excelentes levadas
de Blues e Hard Rock como vemos no cd "Deus Salva, o Rock Alivia".

Mas nos primórdios de 1966, seis jovens se união para tocar então o tão falado Rock, com suas tendências londrinas (Beatles). Em 1964 os irmãos Arnaldo Baptista e Claudio Cesar Dias Baptistas juntamente com Raphael Vilardi e Roberto Loyola, fundaram o grupo The Wooden Faces. Um ano depois, conheceram e convidaram Rita Lee - então no Teenage Singers - a integrar a banda. Ainda entraria no grupo Sérgio Dias, o caçula na família Baptista. A nova banda passou a se chamar Six Sided Rockers e depois O Conjunto e O´Seis.

Em 1966, eles gravaram um compacto simples pela Continental com as composições "Suicida" (de Raphael e Roberto) e "Apocalipse" (de Raphael e Rita), que vendeu menos de duzentas cópias. Ainda naquele ano, Cláudio César, Raphael e Roberto deixariam o grupo. Arnaldo, Rita e Sérgio mantiveram o grupo, que foi rebatizado com o nome definitivo de Os Mutantes.

O Rock Brasileiro se difundiu em vários seguimentos, Psicodélico, Metal, Clássico, inovador e por ai vai, mas são bandas como essas citadas e incluindo "Os Mutantes" que abriram espaço em um Brasil fechado para esse estilo que tanto amamos.

Espero que gostem dessa pequena audição da Banda Os Mutantes

Set List

1 Suicida
2 Apocalipse

Clique na Imagem para download

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Kurt Cobain: 16 anos depois

Há exatos 16 anos, um estampido abrupto e seco colocava a termo a vida dormente e ébria de Kurt Donald Cobain de modo prematuro, aos 27 anos de idade. Este mesmo ato, além de silenciar uma das mais singulares vozes artísticas de nossa história, asseverou o ponto final de uma das mais salutares e curiosas bandas que passaram pelo mundo.


Com a morte de Cobain, ainda mais pelos fatores e circunstâncias que a ensejaram, diversas manifestações acerca do trabalho musical do “frontman” e compositor central do Nirvana foram reverberadas e associadas a tantas outras já existentes. De fato, além de possuir um número sem par de admiradores, o Nirvana (e Kurt, por consequência) agregou também um grupo de “apedrejadores”, sem nenhum exagero ao termo; isto talvez pela grande incompreensão que a música do Nirvana gerou e, surpreendentemente, ainda gera. Tal situação se torna ainda mais densa pelas mudanças havidas no cenário musical após a rápida passagem do Nirvana por seu caminho; afinal, não há como dizer que o rock foi o mesmo depois de “Nevermind”.


Assim, esta reflexão não se destina apenas a entrever os pilares que sustentaram a construção musical de Kurt e sua importância, mas também observar, ainda que brevemente, qual foi o rumo que o rock n roll, de modo genérico, traçou nestes 16 anos de sua ausência.


Não é simples entender concretamente a mensagem perpetrada pelas letras de Kurt, que chegam ao ouvinte junto com o engatilhar da sonoridade do Nirvana sem, ao menos, contrastar sua forma com a história de vida do autor. Para exemplificar tal dificuldade, imaginemos, pois, a figura de um ouvinte que, mesmo sendo um insofismável apaixonado por música, desconheça outro idioma que não o seu e não se preocupa em analisar a tradução das letras das canções estrangeiras que escuta.


Este ouvinte, ao apertar o “play” em “Nevermind”, “In Útero”, ou ainda, em outras canções apartadas, poderá ser abarcado por uma boa sensação, resultante de estar escutando um som forte, muitas vezes denso e concomitantemente empolgante. Por conseguinte, este mesmo ouvinte, interessado com o som da banda, passa a procurar por apresentações do Nirvana e, desde o primeiro instante, percebe estar diante de um certo encantamento. A postura indiferente e violenta do frontman faz o queixo do ouvinte começar a sentir os efeitos irredutíveis da gravidade, enquanto o baixista e o baterista, cada um ao seu modo, puxam-no ainda mais para baixo. Ao fim do vídeo, o mesmo ouvinte, agora mudo e atônito, apenas consegue conjecturar consigo, de modo silente, a seguinte palavra: “impressionante”.


A partir de então, ele começa a se interessar ainda mais pela banda a ponto de ler algumas entrevistas pretéritas já traduzidas. Neste momento, o mito idealizado pelo ouvinte durante a audição de discos e observação de apresentações, começa a ruir. Ele não entende a postura, o comportamento out stage de seu “ídolo” e simplesmente desiste de tentar conectar as declarações absurdas que leu com aquele verdadeiro líder que ousou espatifar uma bateria com seu próprio corpo. Na rua, no bar, na fila do cinema o ouvinte começa a debater o assunto com as pessoas, e o que escuta por vezes faz ainda mais o mito se esvaecer. A estátua do ídolo, agora, não é mais de pedra ou cimento: é de areia, e com o vento, se desfaz, através da mesma indiferença com a qual foi criada.


Apesar de lúdico e hipotético, este é o quadro pintado por muitos daqueles que vêem no Nirvana e principalmente na figura de Kurt o auge da repulsa e do descaso. Como admirar ou adjetivar de “poético” um punhado de palavras sem sentido? Como descrever como excitante uma sonoridade desprovida de qualidade ou preocupação técnica? Enfim, como dizer que o Nirvana foi uma das maiores bandas da história?


Não há como tentar entender qualquer canção do Nirvana, ou ainda, sua postura, sem vislumbrar a motivação original de Cobain, responsável pela composição de todas as letras e bases das canções. Dotado de uma sensibilidade criativa desde muito cedo, Kurt foi abarcado, ainda na infância, por uma das moléstias responsáveis por desajustar o comportamento de crianças e adolescentes: a tortuosa relação de seus pais que, depois do fim, transformou o cotidiano familiar em um ambiente insuportável. Talvez por isto, Kurt tenha crescido com um estigma de inferioridade e auto desprezo muito forte, que decidiu por acompanhá-lo onde quer que ele fosse, desde o seu parco e tímido relacionamento com as pessoas até o modo de escrever suas canções.


Em seus diários, como forma de canalizar esse desespero, Kurt iniciou um processo sincero e confuso de transformar dor em arte, seja em forma de letras ou em desenhos, ambos capazes de, se observados por um psiquiatra, interná-lo em um hospício. O vício em heroína (forma de combater o interminável mal estomacal que lhe afligia), o turbulento casamento com Courtney Love e o nascimento de sua filha Frances Bean agravaram ainda mais este quadro. A partir destas premissas, ao mesmo ouvinte (antes desatento), as letras de “Breed”, “Aneurysm” e a “ultra pop” “Smells Like Teen Spirit” começam a soar, ainda que de modo velado e tímido, congruentes.


Se por vezes Cobain e o Nirvana (por consequência) transpareciam uma arrogância sem par, este era o modo tortuoso que o próprio Kurt encontrava para afastar os seus demônios. Aliás, este era um dos muitos traços disformes de sua personalidade: por trás das grosserias e absurdos perpetrados nas telas, todos que conviviam cotidianamente com ele afirmam que, apesar de seu temperamento difícil (elevado à décima potência pelo vício), Kurt era excessivamente amável e cordial.


Ao mesmo passo, Kurt sempre afirmava e bradava (sem deixar rubra a face) em entrevistas que pouco se importava com o sucesso da banda, chegando a afirmar que nunca se preocupara com isso, quando, em verdade, atormentava cotidianamente seus empresários para que estes pressionassem a MTV, com a intenção maior de apresentar ainda mais os clipes do Nirvana. Agora, não somente as letras soam sinceras e com sentido, como também a postura do ídolo de areia passa a ser vista como simplesmente humana.


Como se não bastasse estes traços incongruentes que irritavam demasiadamente diversas pessoas, (desde o ouvinte mais humilde, como o acima referido, até Axl Rose e James Hetfield), havia também o enorme sucesso que alavancou o Nirvana e modificou, ainda que de modo silente, o modo de fazer música que até então vigorava. Era como se a fórmula clássica do rock n roll tivesse sido profanada e deturpada: não havia sensatez alguma em uma banda de três simples desajustados ter um álbum em primeiro lugar (álbum este, aliás, que se recusava a abandonar tal posto) enquanto obras essências como o “álbum preto” e o duplo Illusions ficavam para trás. E, de fato, tal perspectiva só “piorou”: diversos outros grupos similares ao Nirvana tomaram de assalto a cena e perpetraram temporariamente a receita difundida por Cobain.


Porém, esquecem-se os mais pessimistas (os mesmos que acusam o Nirvana de ter tornado sáfaro o solo outrora fértil do rock n’ roll) que, assim como na geografia e no curso natural da vida, os elementos “perenes” e anteriormente eternos se alteram, abrindo espaço para novos fatores, novos tópicos. Se com as rochas e os mares foi assim, por certo que na arte o efeito não seria oposto, desde muito tempo tem-se provas disso.


Já na metade dos anos 70, o hard rock inteligente e rebuscado de Led Zep e Grand Funk, bem como a sonoridade psicodélica e progressiva de Floyd e E. L & P e o glam rock de T. Rex e KISS pareciam restar condenados por um movimento sujo de três acordes, desprovido de técnica ou de comprometimento. Era o punk que dava os primeiros passos, através dos Ramones, Pistols e tantos outros.


Já na transição entre os anos 70 e 80, a New Wave of British Heavy Metal salvou o hard e propugnou de vez o metal (abrindo, através de bandas como Metallica e Slayer, a trilha do trash), tal qual o Sabbath havia anunciado há quase 10 anos antes. Pouquíssimo tempo depois, foi a vez do “hair” metal assumir a ponta (isto se não levarmos em conta o número de artistas de outras desinências que dominaram igualmente o cenário nesta época, como Michael Jackson e Bauhaus). Logo, a mudança sempre se fez presente, seja na década de 60, 70 ou 80. Nos anos 90, quando o Guns n’ Roses parecia ter resgatado a coroa do hard rock deixada pelo Aerosmith anos atrás, Kurt Cobain pegou um adágio próprio que dizia “punk rock means freedom” (punk rock significa liberdade), dobrou-o, recortou-o e provou que, mesmo sendo grunge (movimento este, aliás, tão maleável como uma pasta de dente), era possível emplacar discos e permanecer na história.


Portanto, se muita coisa mudou depois que o Nirvana passou, era, primeiro, porque tinha que mudar (isso se adotarmos o critério histórico acima descrito) ou, então, porque a cena musical necessitava. Aliás, o momento musical que culminou com o início dos anos 90 foi, de fato, uma das oportunidades de transição mais vultuosas da história. O Metallica, depois de criar uma nova movimentação com “...And Justice For All”, alçou o pleno sucesso com a combinação de peso e elementos comerciais para gravar o conhecido “Black Album”, e quase ninguém os acusou de heresia, naquele momento, por isso.


O Guns também apostou em sua crescente megalomania para lançar um álbum duplo de inéditas, marcando o surgimento de uma banda bem mais complexa e rebuscada do que aquela que atacou o mundo com “Apetite For Destruction”. Menos de 4 anos depois, a banda, como todos nós a amávamos, havia sido sepultada. Da mesma forma, o Van Halen, em 1991, trocava a receita de seus trabalhos anteriores e lançava o “For Unlawful Carnal Knowledge” (ou simplesmente F.U.C.K) que, apesar de parcialmente agradável, já demonstrava os sinais de anacronismo de Eddie (causados, vejam só, pelos mesmos vícios de Kurt) e criava espaço para as interessantes estranhezas de “Balance”, de 1995.


Sendo assim, não se pode condenar o Nirvana friamente de ter condenado o rock sem se observar todos estes elementos. Não há como discutir a importância da construção musical (ainda que pouco ligada à técnica ou a preocupação com fãs, etc) deixada pela banda e, principalmente, pela figura de Kurt.


Nestes 16 anos após a sua morte, diversas coisas se sucederam. Novos rótulos desnecessários surgiram, mais ídolos caíram e outros grupos tentaram reconquistar seu espaço, mas não tivemos nenhuma outra banda capaz de, com sinceridade e indiferença, sacudir o palco musical do rock n’ roll, seja criando, mesmo que sem querer, um movimento mal alicerçado, ou apenas incomodando aqueles que, desditosamente, achavam possuir o pergaminho que contém o segredo do sucesso.


Com aquele mesmo estampido abrupto e seco, Kurt não silenciou apenas a sua já debilitada vida. Ele também indicou que, dali em diante, o mundo da música não seria mais o mesmo: era como se fosse necessário que outro Nirvana botasse o palanque abaixo para que pudéssemos ver um pouco mais de originalidade neste estado de "quase-mesmice" que abarcou a música no novo século. E é por isto que ainda esperamos, ainda como esperamos a construção das últimas palavras escritas de Kurt: "Paz, Amor e Empatia". Que estas palavras sejam pura existência para Boddah e para todos nós.