sexta-feira, 2 de abril de 2010

1970 - Bitches Brew


Da inúmeras pérolas que permeiam a lendária carreira de Miles Davis, poucas se comparam a "Kind of Blue" e "Bitches Brew", de 1970, que vem agora à lume no Rock Pensante. Além de ser considerado como o precursor essencial do jazz fusion, "Bitches Brew" (álbum duplo composto por, vejam só, apenas 6 canções) é também assombrado pela figura e força de Jimi Hendrix.

As sessões de gravação se iniciaram nos estúdios da Columbia Records em 18 agosto de 1969, algumas horas depois de Hendrix trazer Woodstock abaixo com sua performance de Star Spangled Banner. Segundo John Lewis, integrante da BBC Music, Davis não fez segredo algum de seu objetivo maior com "Bitches Brew": recriar as jams sessions excitantes que ensejaram o "Eletric Ladyland" Hendrix.

No entanto, como todo tributo interessante e de fato relevante, "Bitches Brew" não se conecta diretamente em nenhum momento com a obra de Hendrix. Aliás, Miles transcendeu qualquer limite que lhe fora imposto com este disco. Acompanhado dos baixistas Ron Carter e Dave Holland, o emblemático guitarrista John McLaughlin (que posteriormente fundaria a Mahavishnu Orchestra) e ninguém menos que Chick Corea nos pianos, Davis conseguiu aliar ao improviso típico do jazz elementos da música indiana e árabe.

É o que se percebe em canções como "Pharaoh's Dance" e "Bitches Brew", que se desenvolvem de modo exemplarmente interessante. "Sanctuary" e "Spanish Key" seguem pela mesma senda, mostrando-se verdadeiras construções sonoras, beirando o caráter sinfônico. Outro destaque que permeia "Bitches Brew" é a percussão, que galopa em diferentes rítmos durante todo o álbum.

Devido a complexidade musical, potencializada pela longa duração das canções (cada uma em torno de quinze à vinte minutos, com exceção de "John McLaughlin", faixa que detém exatos 4:22 min), "Bitches Brew" deve ser estudado e apreciado com calma e parcimônia, sob pena de perder seus signos e nuances mais interessantes.

O presente disco deu a Miles Davis a coroa do jazz, depois de vender mais de meio milhão de cópias em 12 meses. Até hoje, "Bitches Brew" é considerado como uma espécie de divisor de águas no jazz como um todo, justamente por ter estabelecido a possibilidade de fusão desta vertente com outras desinências musicais até então desconhecidas e inobserváveis.

Miles se superou, literalmente, com essa obra e, certamente, se não estivesse existido, o jazz não teria dado os "passeios" que deu por diversos terrenos nos anos 70 e 80. Em termos técnicos, "Bitches Brew" é similar à uma pintura de Monet, beirando a perfeição. Em aspecto artístico, não há como qualificá-lo em outra forma ou status, que não o de "obra-prima".

Cheers!!!


Faixas:

1.
Pharaoh's Dance
2.
Bitches Brew
3.
Spanish Key
4.
John McLaughlin
5. Miles Runs The Voodoo Down
6. Sanctuary

CLIQUE NA IMAGEM P/ FAZER O DOWNLOAD:


Um comentário:

  1. Um texto foda para um álbum, no mínimo, fantástico!

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