sábado, 10 de abril de 2010

2007 - The Good, The Bad & The Queen

De fato, Londres (como toda cidade historicamente emblemática) se faz merecedora de uma trilha sonora capaz de abrigar a totalidade de seus ambientes nebulosos, não apenas pelo seu famoso "fog", mas também pelo próprio comportamento peculiar dos ingleses.

Talvez, mesmo que sem querer, esta foi a missão a qual Damon Albarn (vocal do Blur) e Paul Simonon (lendário baixista do Clash) se propuseram a cumprir, e com louvor, diga-se de passagem. Todas as canções do álbum criam uma atmosfera interessante acerca do cenário londrino, sendo que, cada uma,possui um brilho particular.

A participação das duas faixas iniciais deixa claro isso. "History Song" e "'80's Life" retratam com um alicerce musical interessante o cenário visual de Londres no tortuoso fim do século XX, como as letras deixam transparecer. "'80's Life" agrega os elementos vocais criados originalmente pelos Beatles e Beach Boys para permitir que Simon Tong (membro do Verve e Gorillaz) e Tony Allen (baterista do Afrobeat) brinquem com o andamento da canção.

No entanto, é com "Kingdom of Doom" que a tensa atmosfera do disco é canalizada de forma direta. Os primeiros segundos acústicos abrem espaço para a toada angustiante da letra que brada em bom tom a narrativa de uma sexta-feira no "Reino da Destruição" onde corvos voam pelo quarto e não há mais nada que se possa fazer além de, vejam só, beber, justamente porque tal reino (clara "afinetada" ao Reino Unido) está em guerra.

Desta densidade surge "Herculean", um tanto mais calma mas, nem por isso, menos interessante. Um lento boogie de piano acolcheta a inclusão da sonoridade de guitarras com um interessante efeito, ao mesmo tempo em que agrega com toda a responsabilidade os elementos eletros que são característicos do Gorillaz. A letra faz alusão aos canais escuros de Londres e suas "fábricas de gás" e a tentativa do "Estado de felicidade" (Welfare State) em impor ordem ao caos.

Mais adiante, em "Three Changes" é o galope militar da bateria de Allen que chama a atenção, enquanto a variação sonora é elevada, ainda que calmamente, até a décima potência. "Green Fields" aposta novamente na estruturação acústica, permeada por diversos outros elementos, para entoar versos emblemáticos, que demosntram como os "campos verdes" transformaram-se em pedra após a guerra. No fim, a canção "The Good, The Bad & The Queen" poderia ser considerada como um novo modo de executar a popular "God Save The Queen", acrescida, logicamente, de uma extensa carga crítica. Em uma breve passagem, Albarn entoa: "Esta rotina abençoada / Pelo Bom, Pelo Mal & Pela Rainha / Apenas retira os sonhos de todos nós (...)".

"The Good, The Bad & The Queen", inicialmente, fora concebido como o título do novo disco solo de Damon Albarn mas, após a chegada de Simonon, transformou-se em um novo projeto. Vale a pena escutar o disco não apenas pela criatividade musical, mas também pela inteligência perspicaz que se apresentam nas letras. O disco, acima de tudo, é a manifestação musical comprometida com um objetivo crítico e inteligente que, nos dias de hoje, tanto nos faz falta.

Cheers!!!

Faixas:

1. History Song
2. '80's Lifes
3. Northern While
4. Kingdom of Doom
5. Herculean
6. Behind the Sun
7. The Bunting Song
8. Nature Springs
9. A Soldier's Tale
10. Three Changes
11. Green Fields
12. The Good, The Bad & The Queen

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Um comentário:

  1. Muito bom álbum! Já fazia tempo que não escutava, valeu por disponibilizar :D

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