terça-feira, 25 de maio de 2010

1976 - Live at Goldenwest Ballroom

Antes mesmo de apresentar-se formalmente ao mundo com seu primeiro álbum em 1978, o Van Halen já era uma figura conhecida nos Estados Unidos, apresentando-se de bar em bar e construindo uma larga reputação como uma das melhores bandas ao vivo de sua época. Este raríssimo bootleg é uma prova insofismável deste fato: mesmo ainda nos primeiros passos, o Van Halen dava sinais que explodiria o mundo, como o fez poucos anos depois.

Neste show capturado na cidade de Norwalk, California, em 9 de maio de 1976, a banda apresentou versões um tanto diversas de canções constantes em seu primeiro álbum, como "Ice Cream Man", "I'm the One" e "Eruption", faixas estas que se destacam das demais presentes no registro em estúdio de 1978.

O restante do show é provido com canções que entrariam no segundo álbum da banda, como "Somebody Get Me a Doctor", que levanta a platéia e apresenta a densa combinação da virtuose de Eddie Van Halen com a explosão sonora da voz e da performance de David Lee Roth. No entanto, são algumas covers presentes neste disco que o abrilhantam ainda mais. Ferrenhos elogios vão para a interpretação que a banda fez de "Tush", originalmente composta e gravada pelo ZZ Top anos antes. Como prova da extrema habilidade de Eddie, "Tush" soa renovada e com um corpo mais denso e vibrante, ainda que o memorável riff tenha sido mantido praticamente igual à composição original.

Outros destaques são destinados à "She's the Woman" e "Let Me Swin in Your Ocean", cuja malícia, explícita já no título, é alongada ainda mais pela voz e interpretação de Roth. Por essas razões (e outras tantas que o ouvinte irá descobrir ao apreciar o disco), "Live at Goldenwest Ballroom" é um obrigatório item de coleção, além de mostrar o Van Halen em seu estado bruto, quase desconhecido para a maioria do grande público.

Cheers!!!

Set List:

1. On Fire
2. I'm the One
3. Last Child
4. Tush
5. The Rover
6. Let's Get Rockin'
7. Ice Cream Man
8. Last Night
9. Eruption
10. We Die Young
11. Somebody Get Me a Doctor
12. Babe, Don't Leave Me Alone
13. Let Me Swin in Your Ocean
14. She's the Woman

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

1980 - Running Free (Single)

Tentar descrever com palavras a importância da canção "Running Free" para o desenvolvimento da carreira do Iron Maiden é uma tarefa amplamente complicada. Mas, vá lá, ainda assim, nos esforçaremos ao máximo para que, nesta breve reflexão, ao menos a maioria dos impactos deste hit possam ser pincelados ao olhar do leitor.

"Running Free" foi primeiro single lançado pela banda, e, ademais, é incontestável que "Running Free" foi um dos pilares responsáveis por alavancar o Maiden à uma grande audiência. Para se ter uma idéia (ainda que todo maidenmaníaco que se preze saiba disso), foi com "Running Free" que a banda se apresentou em um dos maiores programas de televisão da época, o "Top of The Pops", tocando a música ao vivo, em uma "era" onde o playback dominava as apresentações de bandas em programas de auditórios. Através da assinatura de Harris e Di'anno, "Running Free" conta a história de uma garoto que rouba um carro e parte atrás de diversão, acabando preso em Los Angeles. Além de associar-se à idéia de liberdade de expressão, "Running Free" representa um dos períodos mais criativos do Iron Maiden que, assim como em "Prowler" e "Charlotte the Harlot", tratava e evidenciava em suas músicas outros temas mais "comuns" à vida urbana.

O single foi originalmente lançado em 8 de fevereiro de 1980, sendo muito bem recebido pelo público, ainda que na década de 80 os álbuns já haviam assegurado seu lugar como líderes de vendagem. No entanto, pelo fato de ter sido lançado antes mesmo do próprio disco (o primeiro álbum do Maiden data de 14 de abril de 1980), é inegável que este single teve papel fundamental no sucesso de crítica que o álbum "Iron Maiden" representou. A arte de Derek Riggs, que junto com a banda idealizou o eterno mascote Eddie, também fez um trabalho primoroso: ampliando e observando a capa, é possível ver o jovem garoto que aparece na canção fugindo de Eddie e, nas pichações na parede atrás dele, é possível ler o nome de algumas "bandinhas", como Led Zeppelin, Scorpions e AC/DC, uma espécie de homenagem do Maiden à alguns de seus ídolos.

"Running Free", além da faixa título, conta também com "Burning Ambition", canção escrita por Harris ainda no tempo em que integrava o Gypsy Kiss, isto em 1975. Dave Murray brilha na composição melódica da canção, que coaduna bem com o estilo criativo e abrangente que a banda apresentava até então. Curiosamente, "Burning Ambition" fora gravada ainda com Doug Sampson na bateria, sendo o único registro comercial do baterista com o grupo. Este fato é evidenciado em "The Early Days", primoroso documentário - que merece ser obrigatoriamente assistido - que retrata os primórdios do Iron Maiden, deste os tempos do Smiler (uma das primeiras bandas de Steve Harris) até as primeiras formações da Donzela de Ferro. É justamente neste momento que observamos a relevância da expressão artística do Maiden no ínicio de sua carreira que, de certo modo, atenuou-se timidamente com o passar do tempo. Basta ouvir este single e analisar as letras das canções que o compõe para percebemos este fato.

Cheers!!!

Set List:

1. Running Free
2. Burning Ambition

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

1980 - Iron Maiden

Com a nova visibilidade provida pela boa recepção de "The Soundhouse Tapes", em 1980 o Iron Maiden conseguiu registrar e lançar seu primeiro e homônimo trabalho. Com duas alterações em sua formação (Doug Sampson foi substituído por Clive Burr e Dennis Stratton foi admitido para auxiliar Murray com as seis cordas), "Iron Maiden" é tido, até os dias de hoje, como uma das expressões mais robustas e densas da Donzela. Tanto em aspectos musicais, como visuais, a banda conseguiu um feito quase impossível: agregar a atitude punk à sonoridade do metal. Paul Di'anno foi o responsável pela semelhança ao punk: sempre com cabelos curtos e uma postura mais incisiva do que as apresentadas pelos outros músicos, Di'anno é lembrado com carinho pelo público que acompanhou a banda nesta época.

"Iron Maiden" apresenta uma atmosfera uma sonoridade áspera: a limitação financeira ainda era uma espécie de problema para a banda, mesmo após a condução dos negócios do grupo terem passado aos cuidados do então sexto (hoje sétimo) elemento da Donzela, o manager Rod Smallwood. E é justamente este ambiente de simplicidade um dos maiores "charmes" do disco: seco e direito, o álbum não dá muito tempo para o ouvinte se proteger da densa sonoridade advinda do aparelho de som. "Prowler" e o single máximo desse disco, "Running Free", são um belo exemplo disso. Tanto Murray quanto Stratton fizeram um excelente trabalho no álbum, criando um universo forte e pesado para o ouvinte. Di'anno igualmente merece destaques: "Remember Tomorrow" e "Strange World" são a prova cabal de sua capacidade e de seu feeling: ambas as canções chegam a fomentar arrepios em quem as ouve. O xerife Harris brilha em todas as canções, conm destaque ao hino-faixa-título (e também à "Running Free") onde seu baixo cavalga livremente durante o desenvolvimento das faixas.

Mas é com "Phantom of the Opera" que o álbum encontra o seu ápice. A canção apresenta uma incrível nuance de riffs e cadência melódica que impressionam a cada segundo que se passa. Se em estúdio a impressão da faixa já é excelente, on stage a canção gerava (e ainda gera) uma verdadeira catárse, se transformando em um turbilhão de som, força e peso dificilmente concentrados em uma só música. Também tratando de alterações de compasso, "Charlotte the Harlot" e a clássica "Transylvania" são bons exemplos das qualidades musicais evidenciadas por cada membro do Maiden.

Analisando a trajetória do grupo ponta-a-ponta, "Iron Maiden" é demasiadamente diferente do último registro do grupo, "A Matter of Life and Death". Escutando cuidadosamente em sequência ambos os álbuns, a impressão é a de que está a se ouvir duas bandas totalmente distintas. Também, pudera: além dos quase trinta anos que os separam, os dois discos contam com formações totalmente distintas, onde os integrantes em comum são percebidos apenas em Harris e Murray. Mas, mesmo levando-se em consideração todos estes fatos, é inegável que "A Matter..." não carrega o mesmo espírito e energia de "Iron Maiden". Gareth Thompson, resenhista imortal revista Kerrang! chega a afirmar que a sonoridade do Maiden nunca foi repetida de forma tão direta e densa como no disco de estréia. E, afinal, esta é a sua importância: foi com seu disco de estréia que a Donzela pode figurar ao lado de Saxon, Angelwitch, Def Leppard, entre outras, como uma das bandas a encabeçar a New Wave of British Heavy Metal, que semeou novamente o metal pelo mundo. Só por isso, "Iron Maiden" já merece ser ouvido constantemente no último volume.

Cheers!!!

Set List:
1. Prowler
2. Sanctuary*
3. Remember Tomorrow
4. Runnig Free
5. Phantom of the Opera
6. Transylvania
7. Strange World
8. Charlotte the Harlot
9. Iron Maiden

* "Sanctuary" não figura no tracklist original de "Iron Maiden", sendo incluída no álbum na ocasião do relançamento remasterizado da discografia do Maiden no fim da década de 90. "Sanctuary" foi, portanto, lançado orginalmente em formato 'single', como veremos a seguir.

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1979 - The Soundhouse Tapes

Hoje, 21 de maio de 2010, daremos o start dos trabalhos referentes a discografia de uma das mais importantes e influentes bandas de heavy metal de todos os tempos: o Iron Maiden. Certamente, esta será uma caminhada longa, densa e trabalhosa, não apenas pela extensa discografia do grupo, mas também por dois propósitos que explicaremos neste instante: primeiramente, porque nos ocuparemos, além da discografia oficial, de possibilitar ao conhecimento dos leitores do Rock Pensante uma listagem de singles e bootlegs da Donzela de Ferro, isto com o fito de evidenciar do modo mais completo possível o trabalho desta excelente banda; por conseguinte, as resenhas também serão talhadas, além do cuidado usual, com um prospecto crítico mais salutar, por assim dizer. Sempre que possível, tentaremos fazer uma espécie de link com o disco, single ou bootleg apresentado com a situação e o trabalho atual do Maiden, procurando fazer com o que o leitor literalmente mergulhe no universo criado pelo grupo. Todo este esforço é também em função de que, ainda em 2010, o Iron Maiden lance aquele que pode ser seu álbum de despedida: "Final Frontier" está programado para o segundo semestre deste ano.

E, dito isto, nada mais acertado do que começar os trabalhos com a primeira gravação "oficial" da Donzela, "The Sounhouse Tapes", lançado originalmente em 1979. Desde o início da segunda metade da década de 70, Steve Harris (com a perseverança que lhe é peculiar) preocupou-se em levar o Iron Maiden para todos os lugares possíveis. Após diversas alterações no line-up do grupo, que havia firmado apenas Paul Di'anno no vocal e Dave Murray na guitarra, a banda inicou uma peregrinação pelos pubs arredores de Londres. Com poucos recursos, o Maiden chegou a rodar mais de mil quilômetros fazendo shows e angariando um público cada vez maior. Com o passar do tempo e com uma platéia cada vez mais consolidade, Harris e sua trupe perceberam a necessidade de um material capaz de auxiliar na divulgação do trabalho do grupo. Com 200 libras no bolso, o Iron Maiden (que contava com Paul Di'anno, Steve Harris, Dave Murray e Doug Sampson na bateria) se dirigiu ao Spacewood Studios, de Cambridge, para gravar quatro músicas: "Iron Maiden", "Prowler", "Invasion" e "Strange World". Esta última foi descartada´nos momentos de finalização dos trabalhos, pela má qualidade da gravação.




Como a banda não possuia fundos suficientes para cobrir despesas de mixagem e garantir a formação de uma fita master com as canções, a única coisa que a banda conseguiu foram cópias K-7 dos registros em estúdio, sem nenhuma correção: sonoridade bruta, portanto, é a caracterísca desta gravação. Por obra do destino, uma dessas cópias caiu nas mãos de Neal Kay, proprietário e dj do Bandwagen Soundhouse, tradicional casa de shows do noroeste londrino. Quando Neal executou a fita em uma determinada noite, a resposta do público foi extremante positiva. Neal convidou a banda para tocar na Soundhouse e, como dizem os antigos, o resto é história: o nome do Iron Maiden elevou-se ainda mais ao conhecimento do público. Posteriormente, a banda conseguiu uma prensagem limitada de 5 mil cópias e transformou as simples gravações feitas nos estúdios Spacewood em um dos EP's mais raros do mundo: "The Soundhouse Tapes" (cujo título é uma homenagem da banda à casa que aceitou mostrar seu som ao público) foi vendido inicialmente por correio e nos shows do grupo e, ainda hoje, pode ser adquirido por colecionadores através do singelo pagamento de algumas várias centenas de euros ou dólares.

"The Soundhouse Tapes" representa a notoriedade dos primeiros passos do Iron Maiden e, foi a partir dele que o grupo conseguiu firmar contrato com a EMI em 1980, que possibilitou o lançamento de seu primeiro e homônimo disco. Trata-se de um ítem raro e extremamente importante na obra e história do grupo. É extremamente interessante poder hoje, quase 31 anos depois de seu lançamento, poder manter contato "sonoro" com essa peça fundamental. Que se faça o som!

Cheers!!!

Set List:

1. Invasion
2. Iron Maiden
3. Prowler

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1978 - Van Halen

O Van Halen é uma daquelas bandas que enlouquecem o ouvinte assim que ele, muito desatento, aperta o play. Descobertos na segunda metade da década de 70 por grandes nomes do rock n' roll (como Black Sabbath e, principalmente, KISS, uma vez que Gene Simmons chegou a produzir as primeiras demos da banda, em 1976), o Van Halen deixou rapidamente de ser um simples grupo de abertura para se tornar a atração principal dos shows. Isto por uma simples razão: assim como seus patronos do Led Zeppelin e os praticamente contemporâneos "garotos" do AC/DC, o Van Halen se transformava em um gigante quando subia ao palco, e ninguém mais, portanto, os queria para abrir seus shows.

Mas toda essa "preocupação" era justificada. O Van Halen foi responsável por pegar o hard rock, distorcê-lo e acelerá-lo ainda mais para que a sonoridade fosse o mais vibrante possível. E, certamente, obtiveram êxito em tal objetivo. Basta analisarmos (e ouvirmos) a dupla explosiva representada por "Runnin' with the Devil" e "Eruption" para percebemos este fato: nestas duas canções, Eddie e Alex Van Halen brilham intensamente. Simplesmente não há o que discutir: Eddie Van Halen é, por exemplo, um dos poucos guitarrista que poderiam rivalizar com, por exemplo, Steve Vai. Ainda que menos criativo do que este, é inegável que Eddie fazia (e faz) suas seis cordas literalmente pegarem fogo. Todos os riffs deste primeiro disco, até mesmo nas interpretações de "You Really Got Me" (clássico de Ray Davis) e "Ice Cream Man" (de John Brim), levam e apresentam sua notável assinatura.

Somados à capacidade técnica e artística dos irmãos Van Halen,  estavam ainda o vivaz Michael Antony e o furor sexualmente obsessivo de David Lee Roth, cuja voz (literalmente inconfundível) era o último elemento necessário para tornar eterna a importância do Van Halen ao rock n' roll. Faixas costantes neste primeiro e homônimo registro de 1978, como "Ain't Talking 'bout Love" (uma verdadeira aula ministrada por Eddie Van Halen), "Little Dreamer", "Atomic Punk" e "Jamie's Cryin" se tornaram canções obrigatórias para todos os apaixonados por hard rock, além de serem amplamente capazes de fazer eriçar os pêlos da nuca de quem as ouve. 

Certamente, já aos idos dos anos 90, percebe-se que o Van Halen se afastou largamente daquilo que representava no início da carreira: perdeu-se um pouco da força e da energia pulsante que era característica desta banda. Nada que desabone sua história e relevância, certamente; mas, ainda assim, este é um bom exemplo de um grupo que conquistou o mundo no começo e deixou que ele se esvaisse com o passar do tempo. Mas, ainda assim, não há o que pestanejar: "Van Halen", de 1978, representa uma sonoridade incandecente e eterna. Simples assim.

Cheers!!!

Set List:

1. Runnin' with the Devil
2. Eruption
3. You Really Got Me
4. Ain't Talk 'bout Love
5. I'm the One
6. Jamie's Cryin
7. Atomic Punk
8. Feel Your Love Tonight
9. Little Dreamer
10. Ice Cream Man
11. On Fire

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1978 - Long Live Rock n' Roll

Provavelmente, adjetivar o terceiro disco de estúdio do Rainbow como "lendário" e "eterno" não configure um demasiado exagero. Afinal, "Long Live Rock n' Roll" representa para muitas pessoas, além de um excelente álbum, também um modo de encarar e viver a vida. Este disco é também um forte candidato ao melhor registro de Ronnie James Dio com a banda, representando o ápice de seu desempenho e, de certo modo, também o do grupo como um todo. Fora tudo isso, "Long Live Rock n' Roll" representa, ao mesmo passo, a despedida de Dio que, em 1980, se envolveria no manto negro do Black Sabbath para, junto com a trupe de Iommi, brindar o mundo com "Heaven & Hell", de 1980.

A faixa título é sustentada inicialmente pelo envolvente e empolgante riff construído por Blackmore que, junto a voz "à laser" de Dio, esbanja virtude: "Long Live Rock n' Roll" apresenta uma miríade de qualidades técnicas e artísticas, desde um refrão empolgante até uma sequência de arpeggios de cair o queixo. As seguintes, "Lady of the Lake" e "L.A. Connection", contam com as estrelas de Cozy Powell e do tecladista David Stone para mostrar sua força: ambas são excelentes canções.

 A orquestral "Gates of Babylon" possui um toque especialíssimo: além de contar com Bob Daisley comandando o baixo, há nesta faixa a participação do conjuto de cordas da Bavária ("The Bavarian String Ensemble"), conduzida pelo maestro Rainer Piestch, sendo esta uma das canções mais bem construídas da história do Rainbow. O álbum  "Long Live Rock n' Roll" também reservou outros momentos de "flerte" com o classicismo: "Rainbow Eyes" apresenta em sua composição flautas, violas e violoncelos que buscam criar a atmosfera mítica que é tão comum ao som da banda.

Mas a explosão do disco ocorre mesmo em "Kill the King", apresentada ao público um ano antes com a compilação ao vivo "On Stage". A receita que combina perfeitamente riffs e arpeggios é acrescida pelo talento individual de cada um dos músicos da banda: "Kill the King" chega a ser mais forte e vibrante que a própria faixa-título, ainda que desprovida da mesma significação poética que transformou "Long Live Rock n' Roll" em um verdadeiro hino, ainda mais eterno pela triste passagem de Ronnie James Dio há poucos dias. Embora apresente uma maior amparo de produção e de qualidade artística que seu predecessor de estúdio "Rising", de 1976, "Long Live Rock n' Roll" alçou o 89º lugar no chart da Billboard, isto logicamente em 1978. Em 23 de junho deste ano, esta previsto o relançamento do álbum em formato de luxo, contando com dois cd's e um mini-lp, alavancando ainda mais o disco como um ítem de colecionador. Mas, mesmo que não houvessem tais medidas, este é um dos registros de maior impacto do Rainbow e, certamente, ficará marcado de modo perene em nossas almas.

Cheers!!!

Set List:

1. Long Live Rock n' Roll
2. Lady of the Lake
3. L.A. Connection
4. Gates of Babylon
5. Kill the King
6. The Shed
7. Sensitive to Light
8. Rainbow Eye

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1976 - Rising

Depois do brilhante começo, o álbum "Rising", de 1976, consolidou a força do Rainbow como uma das melhores bandas de hard rock havidas a partir da década de 70, capazes de pincelar enternamente seu nome na história da música. A formação que gravou "Rising" também era de dar inveja: além de Blackmore e Dio (que dispensam comentários ou apresentações), a banda contava com Cozy Powell na bateria, Don Airey nos teclados e o já conhecido Jimmy Bain nas quatro cordas. Com a exceção de Blackmore e Bain, todos os outros integrantes do Rainbow, em um futuro próximo, ingressariam no Black Sabbath, isto na década de 80; Don Airey, que marcou seu nome em diversas bandas de peso, hoje ocupa o posto que originalmente pertenceu a Jon Lord no Deep Purple.

Afora estes pressupostos, "Rising" se mostra, de fato, um excecelnte disco. Apresentando um som mais denso e pesado do que o trabalho predecessor (e de estréia do grupo), o álbum pulsa intermitentemente durante o seu desenvolvimento. "Tarot Woman", que entrelaça muito bem a voz marcante de Dio com os teclados e Airey, é prova cabal de sua qualidade.

"Run with the Wolf" e "Do You Close Your Eyes" mantpem esta mesma linha condutora, onde Dio, Airey e Blackmore são os regentes, destrinchando virtudes e apresentando o que o Rainbow possuia de melhor naquele momento. As surpresas agradáveis começam a surgir a partir de "Starstruck", que segue a linha clássica proposta por Blackus à época do Purple e condiciona o ouvinte à uma intensa explosão de frases de guitarra de excelente construção.

Já em "Stargazer", quem brilha intensamente é Cozy Powell, que mostrava ali provas de que, de fato, entraria para a história como um dos melhores bateristas já vistos. Desde sua passagem, em 1998, sentimos imensamente sua falta, assim como passaremos a sentir a de Dio, com o caminhar dos tempos. "A Light in the Black" também apresenta nuances interessante, acolchetando a atmosfera do disco e encerrando com excelência os seus misteres.

"Rising" atingiu o 6º lugar no Reino Unido em seu lançamento, e a 48º posição no Billboard's Pop Albums. Na lendária revista especializada "Kerrang!", "Rising" atingiu o posto de melhor álbum de 1976. Mas chega de papo: bom memos é deixar o álbum falar por si. Com certeza, o proveito será imensamente maior.

Cheers!!!

Set List:

1. Tarot Woman
2. Run with the Wolf
3. Starstruck
4. Do You Close Your Eyes
5. Stargazer
6. A Light in the Black

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

2002 - Live in Tokyo

Que Joe Lynn Turner detém umas das vozes mais memoráveis do hard rock, isto ninguém duvida. O mesmo ocorre com Glenn Hughes: além de possuir na garganta uma verdadeira sirene, Hughes é também reconhecido por ser um músico talentosíssimo e versátil. É de se imaginar que a união destes ícones resultaria em um excelente trabalho. Depois de gravar um interessante álbum em estúdio, Hughes e Turner decidiram registrar sua passagem pelo Japão, nos dias 17 e 19 de maio de 2002 (há quase exatos oito anos, portanto), disco este que vem à tona neste momento no Rock Pensante. A garantia é apenas uma: hard rock do início ao fim!

Além contar com canções assinadas por esse incrível dupla, "Live in Tokyo" traz em seu bojo canções do Deep Purple, Rainbow e Black Sabbath, bandas de peso pelas quais Turner e Hughes escreveram seus nomes durante o período que nelas estiveram. Alternando corretamenteo trabalho de cada um, o álbum cadencia perfeitamente hits como "Death Alley Driver", "No Stranger to Love", "I Surrender" e "King of Dreams" sem muitos problemas, muito pelo contrário: tanto Turner quanto Hughes levantaram o público em todas estas canções, sendo este um dos pontos fortes do disco: sua energia e vibração.

"Live in Tokyo" é recheado de bons momentos, como em "Stormbringer" e "Mistreated", onde Glenn Hughes ensurdece a platéia e o ouvinte com sua voz, enquanto a banda que o acompanha reproduz fielmente estes clássicos do Deep Purple. Joe Lynn Turner, por sua vez, arrasou a platéia com as interpretações de "Street of Dreams", "Death Alley Driver", "Dark Days" e "Spotlight Kid", evidenciando à todos a sua capacidade em continuar transformando clássicos em peças interessantes durante a sua performance.

Este álbum é um sincero registro de como dois grandes nomes da música podem se portar corretamente no palco, dividindo canções e enlouquecendo a platéia que os prestigiou nestes dois memoráveis shows na terra do Sol nascente. Sorte dos samurais que presenciaram este ímpar acontecimento.

Cheers!!!

Set List:

1. Devil's Road
2. Can't Stop Rock n' Roll
3. Death Alley Driver
4. I Surrender
5. Stormbringer
6. Dark Days
7. Mistreated
8. No Stranger to Love
9. Can't Stop the Flood
10. Better Man
11. Ride the Storm
12. King of Dreams
13. Street of Dreams
14. Spotlight Kid

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1970 - Trapeze

Em 1973, Glenn Hughes apresentou-se ao mundo ao ingressar no Deep Purple e ser um dos responsáveis pela "renovação" do som da banda e, concomitantemente, como o responsável pela saída de Blackmore do grupo depois do álbum "Stormbringer", justamente pela renovação antes mencionada. No Purple, Hughes escreveu seu nome na históra da banda (e do próprio hard rock) não apenas como um excelente músico, mas também como dono de uma voz poderosíssima, capaz até de rivalizar com David Coverdale. Mas, antes mesmo de ser recrutado para o lugar de Roger Glover e para auxiliar o então jovem e inseguro Coverdale, Hughes já era um músico experiente e calejado. Afinal, ele foi um dos responsáveis pela confecção deste primoroso trabalho desta banda singular, já amplamente conhecida por aqueles que se dedicam a estudar a história do rock n' roll e do hard rock: é o Trapeze, que no limiar entre as décadas de 60 e 70 brindou o mundo com dois "petardos" iniciais, que se destacam em sua discografia.

"Trapeze", de 1970, foi gravado sob a égide do selo Threshold Records, originalmente criada pelo grupo Moddy Blues exclusivamente para divulgar os seus discos (aliás, é John Lodge, baixista do Moody Blues, quem assina a produção do disco de estréia do Trapeze). A banda detinha o seguinte line up: Glenn Hughes (que além do baixo e voz, comandava os pianos e trombones que aparecem no disco), o vocalista e trompetista John Jones, o baterista Dave Holland, o guitarrista Mel Galley e Terry Rowley, responsável pelo órgão e flauta. Por essa formação, e pelos instrumentos utilizados pelo grupo, já podemos adivinhar que, no mínimo, "Trapeze" é um álbum criativo. E certamente esta premissa é verdadeira.

Curiosamente, assim que a sonoridade mansa e calma de "It's Only a Dream" chega aos nossos ouvidos, parace que estamos a ouvir os nossos queridos e eternos Mutantes, em seus ricos tempos, só que em versão inglesa. É também nesta oportunidade que "Trapeze" dá a entender ao ouvinte que ele é, em verdade, uma álbum conceitual, ainda que essa afirmação não seja totalmente acertada. Mas o fato das canções se conectarem uma à outra, sem pausas; bem como o fato de algumas músicas serem divididas em "peças", possibilitam a quem ouve o disco chegar a esta conclusão.

Afora estas curiosidades, "Trapeze" reflete um prazer indubitável durante a sua audição. "The Giant's Dead Hoorah!", assinada exclusivamente por Hughes, apresenta o peso contido do hard desenvolvido pela banda neste primeiro trabalho. As variações de tempo e compasso (marca registrada do grupo) se acentuam nesta canção, que merece destaque. "Over" e "Nancy Gray", cada uma ao seu modo, conquistam o ouvinte pela doce complexidade que apresentam: são faixas muito bem trabalhadas e, principalmente, canções versáteis, que evidenciam a qualidade técnica dos membros do Trapeze.

Mas, na opinião deste humilde e matuto resenhista, é a tríade de "a) Fairytale / b) Verily Veryli / c) Fairytale" que faz o álbum brilhar de modo incandecente. Separada em três tópicos interessantíssimo, a primeira peça ("Fairytale") começa como uma jam de improviso ao melhor estilo jazz. Gradativamente, a canção vai ganhando contornos mais densos e vibrantes, até a peça seguinte ("Verily Verily") apresentar o hard rock característico do grupo. A alternação de compassos prossegue de modo interessante, até o retorno de "Fairytale" colocar a termo este verdadeira e salutar viagem da banda pelo imaginário.

"Trapeze" é, de fato, um dos discos mais criativos produzidos na fissura entre as décadas de 60 e 70. Na sequência, John Jones e Terry Rowley deixariam a banda, reduzindo o Trapeze ao power trio responsável pelo seu segundo disco, "Medusa", de 1970, muito mais forte e dançante que seu disco de estréia. Mas isso é papo para um outro momento. Por enquanto, devemos ouvir com calma este álbum, primeiro trabalho de uma excelente banda, até que possamos compreender totalmente o seu significado.

Cheers!!!

Set List:

1. It's Only a Dream
2. The Giants Dead Hoorah!
3. Over
4. Nancy Gray
5. a) Fairytale / b) Verily Verily / c) Fairtytale
6. It's My Life
7. Am I
8. Suicide
9. Wings
10. Another Day
11. Send Me No More Letters
12. It's Only a Dream (Reprise)

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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Top Priority, 1979 e Feliz Aniversário Rafael....

Salve, salve amantes do Rock 'n' Roll....

Não se desesperem e nem corram as lojas, pois ainda não é um álbum gravado pelos integrantes do Rock Pensante...

Essa foto(Tonhão Hunter de chapéu e Rafael Correa com o Violão)é apenas uma singela homenagem ao meu querido amigo Rafael, que amanhã(20/05) estará comemorando mais um ano de vida e rock e de roll....
Gostaria de escrever sabias e bonitas palavras para esse cara, mas ele me conhece, sabe que não sou muito disso.

Mas faço questão de salientar minha felicidade por termos retomado essa amizade que para mim vale muito. Obrigado por comandar esse blog tão bem e ser esse cara que você é.
Que Deus te ilumine o caminho e lhe de saúde e paz.
E lembre sempre..."Deus salve e o Rock Alivia"
Feliz aniversário Rafa.....segue um disco de presente para você e todos que acompanham o blog.....espero que goste.

Top Priority para mim é um dos melhores disco de Rory Gallagher, muito bem gravado e com lindas demonstrações da grande habilidade com a guitarra que o mesmo tem. Gravado em Dierks Studios, em Colónia, Alemanha esse álbum trás o melhor de um blues/rock, crú...sujo..do jeito que o Rock tem que ser.

Set List
  1. "Follow Me" - 4:40
  2. "Philby" - 3:51
  3. "Wayward Child" - 3:31
  4. "Key Chain" - 4:09
  5. "At the Depot" - 2:56
  6. "Bad Penny" - 4:03
  7. "Just Hit Town" - 3:37
  8. "Off the Handle" - 5:36
  9. "Public Enemy No. 1" - 3:46
Bonus tracks on remastered CD
  1. "Hell Cat [*]" - 4:50
  2. "The Watcher [*]" - 5:46
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1983 - Holy Diver

Depois de sacudir o mundo com participação em excelentes discos do Rainbow e do Black Sabbath, Ronnie James Dio deu o start para sua longa e fértil carreira solo com "Holy Diver", um excelente álbum que conseguiu aliar com êxito a pegada do hard rock com o peso do heavy metal. Este registro é especial não apenas por se tratar do "primeiro disco solo de Dio", mas também por evidenciar, ainda mais, as qualidades musicais deste pequeno titã que, mesmo tendo partido há pouco, já nos faz sentir densos sinais da sua ausência.

O disco possui algumas pérolas que se transformariam posteriormente em "pedras fundamentais" da carreira de Dio. Prova disto é a faixa de abertura, "Stand Up and Shout", canção vibrante que faz o ouvinte literalmente "levantar e gritar" de imediato ao seu comando; e a vultuosa "Don't Talk to Strangers", que evidencia um excelente fraseado de seis cordas proposto pelo guitarrista Vivian Campbell que, por sua vez, é corretamente levado às alturas pela voz extasiante de Dio.

Outro destaque obrigatório vai certamente para a eternamente clássica "Rainbow in the Dark". Canção fomentada por um excelente e marcante riff, contraposto ao excelente desempenho do tecladista Jimmy Bain (que já havia trabalhado com o Rainbow anteriormente), "Rainbow in the Dark" faz com que 11 entre 10 headbangers chacoalhem intensamente sua cabeça ao ouví-la. Naturalmente, esta música virou uma espécie de referência do trabalho de Dio, e ajudou "Holy Diver" a receber disco de platina nos Estados Unidos, prova cabal do reconhecimento do valor artístico e comercial que Dio estava começando a trilhar com esta nova fase de sua carreira.

"Holy Diver" merece ser destrinchado e resenhado faixa-a-faixa, mas este não é o nosso intento aqui, sob pena da resenha se tornar quase que uma síntese ou crônica. A partir desta "pincelada" inicial e ilustrativa, cabe ao ouvinte descobrir as maravilhas que este disco pode prover, afinal, esta é uma das muitas maneiras de deixarmos que o mito de Ronnie James Dio continue vivo entre nós.

Cheers!!!

Set List:

1. Stand Up and Shout
2. Holy Diver
3. Gypsy
4. Caught in the Middle
5. Don't Talk to Starngers
6. Straight Through The Heart
7. Invisible
8. Rainbow in the Dark
9. Shame on the Night

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1983 - Bent Out of Shape

Depois de alterar abruptamente o rumo de sua sonoridade a partir de "Difficult to Cure", de 1981, o Rainbow coloca a termo mais uma fase em 1983: com "Bent Out of Shape" encerra-se a "era" Joe Lynn Turner na banda, justamente pelo retorno de Ritchie Blackmore e Roger Glover para o Deep Purple, que culminou com o lançamento do disco "Perfect Strangers", pouquíssimo tempo depois. Mas, fora isso, "Bent Out of Shape" é um disco com características e identidade marcantes, tanto em suas letras como em sua sonoridade: novamente, o Rainbow deu prova da razão de ser tido como um dos maiores nomes do hard rock de nossa história.

O álbum se inicia perfeitamente com "Stranded", canção densa e pulsante que restou muito bem cadenciada pela voz de Turner. O mesmo ocorre com a seguinte, "Can't Let You Go" que, apesar de conter o mesmo apelo amoroso de "Stone Cold" e "Tearin' My Heart Out" (ambas de discos anteriores do Rainbow), tornou-se uma espécie de novo "hit" do grupo, sendo bem recepcionada pelos fãs - é inclusive música obrigatória, até os dias de hoje, nos shows de Turner -, que acompanharam verso a verso esta canção durante a turnê de 1983.


Outras canções dão moldes interessantes ao álbum: "Drinking with the Devil"  concatena os elementos primordiais do Rainbow, inovados pela voz de Joe Lynn Turner, enquanto "Fool for the Night"  e "Make Your Move" esbanjam energia.

Mas é em "Street of Dreams" que encontramos o ápice de "Bent Out of Shape". A canção é calcada no misto do riff marcante de guitarra com a manifestação ousada dos teclados, receita que (a esta altura do campeonato) já era difundida desde 1981 pelo Rainbow e reproduzida por diversas bandas (como Europe e Journey) já há algum tempo. A canção é revestida de diversas nuances, alterando luz e sombra durante o seu desenvolvimento e agarrando o ouvinte à força durante o refrão (outra característica do Rainbow era essa: a de criar refrões que literalmente "grudam" na nossa mente). Na época. "Street of Dreams" ensejou a produção de um vídeoclipe "pra lá" de excêntrico, com direito a seções de hipnoses e delírios sem muito sentido: era a "geração" da MTV que estava para dar seus sinais de vida, que seria recheada de vídeos estranhíssmos e mal feitos, até surgir "Thriller" e a coisa começar a melhorar.

"Bent Out of Shape" é a despedida de Joe Lynn Turner do Rainbow, grupo que teve em seu line up dois dos melhores vocalistas da história do hard rock: se com Ronnie James Dio a banda já havia conquistado parte do mundo, com Turner tal conquista havia se completado. Prova disto é quantidade de canções do Rainbow que levam sua assinatura, juntamente com Blackmore e Glover. Certamente, este não é o melhor álbum de sua discografia (até porque é difícil escolher apenas um disco do Rainbow como "o" melhor), mas deve ser ouvido e garimpado com carinho e atenção.

Cheers!!!

Set List:

1. Stranded
2. Can't Let You Go
3. Fool for the Night
4. Fire Dance
5. Anybody There
6. Desperate Heart
7. Street of Dreams
8. Drinking with the Devil
9. Snowman
10. Make Your Move

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1973 - Live at Southampton University



Em 1973, o Led Zeppelin já era, literalmente, um gigante. Jimmy Page havia, de fato, consolidado a sua missão: o projeto de reciclar os Yardbirds se transformou em algo muito maior do que ele mesmo mesmo havia planejado ou imaginado. Com quatro discos na bagagem que "redesenharam" os caminhos do rock n' roll, a banda lotava estádios, fomentava polêmicas e mostrava ao mundo que era possível, em um mesmo disco (ou show, ou canção) misturar rock, R&B, blues e destrinchar o hard rock setentista à sua maneira. Durante a tour de "Houses of the Holy" (ou "Led Zeppelin V", para os mais aficcionados), o Led Zep massacrou prazerosamente o mundo, como sempre soube fazer. É exatamente por isso que "Live at Southampton University" reveste-se da maior importância: trata-se da retratação do caminhar denso e pulsante de um gigante sobre a Terra.

Este bootleg resulta de uma gravação de soundboard da apresentação feita no antigo refeitório da Universidade de Southampton, durante a turnê do precitado disco, mais precisamente em 22 de janeiro de 1973. O áudio dos dois discos é de cair o queixo: ainda que não apresente ao ouvinte a explosão do público, tão comum nos shows do Led, a sonoridade expõem a banda em seu melhor momento, executando canções como "Rock n' Roll", "The Rain Song" e " The Song Remains the Same" com a maestria que lhes é comum. Aliás, analisando a história do Led Zep, vê-se que este era um grupo predestinado a marcar seu nome na história da música e (sem exagero) na alma de muitas pessoas. A reunião de Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John "Bonzo" Bonham quase que se escreveu nas mesmas estrelas pintadas por Aleister Crowley, a quem tanto Pagey era devoto. Nem mesmo a polêmica acusação de que a banda (ou melhor, Page) teria pego canções antigas e as reinterpretado - como "Dazed and Confused", por exemplo -, ofuscou a grandeza do zeppelin mais pesado do rock n' roll (aliás, este mesmo assunto será abordado no Boteco Pensante ainda neste mês).


Para este bootleg, obrigatório na coleção de qualquer aficcionado por pela obra do Led Zeppelin, os destaques vão para "Since I've Been Loving You", um dos melhores blues feitos pela banda; "Dancing Days", cujo nome já explicita bem o que o ouvinte deve esperar; e as lendárias "Stairway to Heaven", "Whole Lotta Love" e a interessante execução de "How Many More Times", do disco de estréia do grupo. Como não poderia ser diferente, "Communication Breakdown" acolcheta bem a atmosfera da apresentação e encerra o disco excelência.

Por essas razões, a audição de "Live at Southampton University"  deve ser feita com calma, zelo e, se possível, regada por uma boa cerveja. Afinal, esta uma ímpar possibilidade de vislumbrar o Led Zeppelin em uma apresentação intimista e rebuscada em quesito sonoro: é como se, a cada segundo das canções deste bootleg, pudéssemos sentir os pesados passos deste gigante sobre o nosso corpo. Que a música do Led Zeppelin possa viver para sempre.

Cheers!!!

Set List Disco 1 (FAÇA O DOWNLOAD AQUI)

1. Rock and Roll
2. Over The Hills and Far Away
3. Black Dog
4. Misty Mountain Hop
5. Since I've Been Loving You
6. Dancing Days
7. The Song Remains the Same
8. The Rain Song
9. Dazed and Confused

Set List Disco 2 (FAÇA O DOWNLOAD AQUI)

1. Stairway to Heaven
2. Whole Lotta Love
3. Heartbreaker
4. Thank You
5. How Many More Times
6. Communication Breakdown

1977 - On Stage

Depois de apresentar ao mundo dois excelentes álbuns de estúdio ("Ritchie's Blackmore Rainbow" e "Rising", que em breve será retratado nesta seção), o Rainbow acertou em cheio ao presentear o público com um excelente registro ao vivo. "On Stage", de 1977, é, portanto, a primeira amostra "formal" da literal explosão de cores que a banda representava no início de sua caminhada. Mesmo com alterações significativas em sua formação, que agora contava com o incrível Cozy Powell na bateria e o talentoso Jimmy Bain no baixo, Blackmore conseguiu manter a força original do grupo, que formava um verdadeiro redemoinho sonoro em cima do palco.

Ronnie James Dio, cuja voz se solidificava a cada show com o Rainbow, fez uma performance impecável neste álbum. Nesta fase da carreira, o som on stage da banda soava um tanto diverso da sonoridade observada em estúdio. A cada momento, o redemoinho sonoro acima disposto parecia querer "fugir de controle", isto pelos crescentes improvisos perpetrados por Blackmore e sua insistência em, a cada noite, executar as canções de maneira diferente. Logicamente, em quase todas as ocasiões, a genialidade de Blackus prevalecia; mas quem está habituado a ouvir alguns bootlegs do Rainbow sabe que, em outras oportunidades, os improvisos de Blackmore engendravam uma verdadeira "bagunça" sonora, que nem mesmo as virtudes de Dio e Powell eram capazes de conter. O Rainbow aprenderia a conter totalmente o seu "Mr. Hyde" apenas tempos depois, quando Dio  já estava prestes a abandonar o Black Sabbath e mostrar ao mundo sua verdadeira (e primorosa) face com seu álbum solo de estréia "Holy Diver" e o grupo já contava com Roger Glover e Joe Lynn Turner em sua formação. 

Mas, no fim das contas, "On Stage" mostra os límpidos e cristalinos momentos de brilho e genialidade da banda no palco. Em todas as faixas, percebemos que Blackmore parece ter suas seis cordas em chamas, enquanto Dio faz o que bem entende com a platéia e eleva a explosão do som do Rainbow à décima potência. Prova disto é a faixa de abertura, "Kill The King" (canção inédita até o lançamento de "On Stage", que seria parte integrante do álbum seguinte, "Long Live Rock n' Roll", de 1978), que assusta o ouvinte mais desatento. No momento seguinte, é o interessantíssmo medley de "Man On the Silver Mountain", "Blues" e "Starstruck" que ditas as regras do jogo, representado por exatos 11:12 minutos de pura energia.

Mais a frente, é a extensa execução de "Mistreated", do Deep Purple, que cativa o ouvinte. Além de ser uma canção originalmente extasiante, ela brilha ainda mais pelas inovações de Blackmore e pela condução dada por Dio, chegando quase a ganhar um novo corpo, muito embora tenha sido sustentada, ensta apresentação, pelas usuais jams feitas pelo Purple em seus shows na época de Coverdale e Hughes. Ademais, "Mistreated" também reveste-se de uma outra singularidade: em todo o decorrer de sua carreira, Dio daria grande atenção à esta canção, apresentando-a em quase todos os seus shows, como se percebe no disco "Inferno: Last in Live", de 1998.

"On Stage" encerra-se energicamente com "Still I'm Sad", composição presente no primeiro disco do Rainbow e originalmente assinada por Paul Samwell-Smith e Jim McCarty. Trata-se, portanto, de um excelente álbum, que alertava à todo o público a capacidade da banda sobre o palco, fazendo jus ao seu título. A versão em vinil de "On Stage" também é de cair o queixo: um vinil duplo que faz sair de seus sulcos densas faíscas, tornando-se, então, um obrigatório item de colecionador. É o Rainbow em seu estado mais bruto, e por isso, merece ser ouvido com atenção.

Cheers!!!

Set List:

1. Kill the King
2. Man On the Silver Mountain (Medley: Blues/Starstruck)
3. Catch the Rainbow
4. Mistreated
5. 16th Century Slaves
6. Still I'm Sad

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terça-feira, 18 de maio de 2010

Thank You Mr. Churchill, 2010

Salve, salve amantes do Rock 'n' Roll
Voltando hoje depois de alguns dias distantes do blog, trago a vocês o mais novo trabalho do nosso amigo Peter Frampton.

Após o lançamento do seu álbum instrumental de 2006, Frampton retorna com esse excelente trabalho. Um disco recheado de boas guitarras, versões acústicas e bem elaboradas.
Podemos notar já nas primeiras faixas a demonstração de suas habilidades na guitarra.

Sendo esse um álbum muito autobiográfico, na faixa titulo "Thank you Mr. Churchil", Frampton agradeçe ao Mr. Churchil por trazer seu pai de volta da Segunda Guerra Mundial.

Destaque para minha predileta desse álbum "Road To The Sun"

Espero que todos apreciem esse novo álbum.
Abraços a Todos.

Track List:
1. Thank You Mr Churchill (feat. Matt Cameron/Benmont Tench)
2. Solution (feat. Matt Cameron)
3. Road To The Sun (feat. Julian Frampton/Smoking Gun/Matt Cameron)
4. I'm Due A You (feat. Eric Darken/Kenneth "Scat" Springs/Marcia Ware/Kira Small/Chad Cromwell)
5. Vaudeville Nanna And The Banjolele (feat. Chad Cromwell)
6. Asleep At The Wheel (feat. Matt Cameron)
7. Suit Libert: A. Megumi, B. Huria Watu (feat. Matt Cameron)
8. Restraint (feat. Matt Cameron)
9. I Want It Back (feat. Matt Cameron)
10. Invisible Man (feat. Kenneth "Spider Web" Rice/Eric Darken/Kenneth "Scat" Springs/Marcia Ware/Kira Small/Chad Cromwell)
11. Black Ice

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

1975 - Ritchie's Blackmore Rainbow

Nesta semana, o Rock Pensante iniciará uma justa homenagem ao incomparável e eterno mestre Ronnie James Dio, que nos deixou no ultimo dia 16/05. Gradativamente, serão apresentados aos leitores do blog a discografia de Dio, seja em sua carreira solo, bem como sua passagem pelo Black Sabbath, Rainbow e Heaven & Hell, lembrando que a discografia do Elf já se encontra disponível para download.

Depois do lançamento de "Stormbringer", em 1974, Ritchie Blackmore havia percebido que o Deep Purple estava a seguir por uma trilha que ele não queria percorrer. Estafado das influências funk de Glenn Hughes (muito embora os dois trabalhos com o baixista/vocalista - entre eles "Burn"- sejam uma referência ao hard rock), Blackus havia chegado a conclusão que, naquele momento, não havia mais espaço para suas ambições no Purple. Determinado a construir um novo projeto, Blackmore vislumbrou na banda que abria os shows do Purple na Europa em 1974  e 1975 as ferramentas para a concretização deste novo sonho: era o Elf de Ronnie James Dio que alicerçaria o álbum que seria o primeiro trabalho do Rainbow, que ainda levava o nome do guitarrista à sua frente.

Foi com o line up original do Elf que Blackus entrou em estúdio para dar os primeiros passos daquela que seria uma das maiores bandas de hard rock de todos os tempos. "Ritchie's Blackmore Rainbow" é um disco especial justamente por representar dois fatores importantes: o Rainbow (que dispensa explicações) e também a alçada de Dio para um grande público, afinal, foi com esta banda que Dio começou a marcar o mundo com seu nome.

"Ritchie's Blackmore Rainbow" traz já na sua faixa de abertura uma de suas grandes pérolas, "Man On the Silver Mountain". Nela, além de se evidenciar o primeiro caráter "místico" do Rainbow, fica claro que a banda daria muito certo com Dio como seu frontman. A canção pulsa ao comando da voz de Ronnie e sob o galope do inesquecível riff de Blackmore. Música obrigatória em todo show da banda (não importando em qual fase), "Man On the Silver Mountain" era também constante em quase toda a apresentação de Dio em sua carreira solo. 

"Self Portrait" e "Catch The Rainbow" também trazem ao ouvinte um interessante momento. Com "The Temple of The King" o clima se altera levemente: a atmosfera de "fábula" permanece, mas a musicalidade se altera para uma composição acústica que se encaixou perfeitamente aos moldes da voz de Dio. O baixista Craig Gruber também fez um excelente trabalho nesta canção, que apontaria o caminho a ser traçado por Blackmore cerca de duas décadas e meia depois, com sua esposa Candice Night.

Logo a seguir, "If You Don't Like Rock n' Roll" traz um pouco de Elf à magia do Rainbow. Canção excessivamente dançante e alegre, a faixa é responsável por demonstrar a versatilidade do grupo: em um único disco, o Rainbow conseguiu falar de fábulas da "montanha prateada" e da força do rock n' roll sem se transformar em uma miscigenação sem sentido. "Still I'm Sad" fecha muito bem o álbum, deixando o ouvinte com vontade de descobrir o que mais a banda teria a oferecer. "Ritchie's Blackmore Rainbow" é um brilhante começo para uma banda que se transformaria em uma verdadeira lenda do hard rock e seria igualmente responsável por apresentar a todo o mundo quem era Ronnie James Dio. O que resto, como dizem os sábios, é história.

Cheers!!!

Set List:
1. Man On the Silver Mountain
2. Self Portrait
3. Black Sheep of The Family
4. Catch the Rainbow
5. Snake Charmer
6. Temple of the King
7. If You Don't Like Rock n' Roll
8. 16th Century Slaves
9. Still I'm Sad

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Ronnie James Dio: A Eterna Voz do Rock n' Roll


O tempo é um mecanismo complicado e curioso. Nele, diversas obras se desdobram no espaço, e com ele alcançamos aquilo que denominamos de "experiência", que é tão cara para nós, servindo-nos de esteio para o nosso amadurecimento. Mas, ao mesmo tempo em que ele, o tempo, nos possibilita alcançar e conhecer tantas coisas, também não faz distinção sobre o que ou quem irá sentir os seus efeitos: com esse mesmo tempo que tanto aprendemos, nós também perecemos gradativamente, pouco a pouco, dia a dia. E assim, assistimos aos a derrota dos ídolos que julgávamos eternos para o tempo. É como se suas estátuas, antes talhadas em rijas pedras, se tornassem areia em um curto lastro temporal e, empurrados pelo vento, fossem levados a todos os cantos do nosso mundo. Em 16 de maio de 2010, perdemos mais um ídolo que, antes, julgávamos imortal: Ronnie James Dio. E, em parte, os pressupostos anteriores são verdadeiros: podemos ter perdido Dio para o tempo, mas jamais perderemos a sua obra e a sua voz.

Desde meados da década de 60, quando Dio começou a delinear o projeto musical que culminaria com o primeiro e homônimo disco do Elf, em 1972, ficou claro que seu nome ficaria para sempre insculpido na história da música. Com o Elf, Dio flertou com o rock n' roll e com as primeiras fusões de tal ritmo com o jazz, elementos que foram aprimorados com o passar do tempo (sempre ele) e foram devidamente registrados em "Carolina County Ball", de 1974, e o excelente "Trying to Burn the Sun", de 1975. Com o Elf, Dio começou a mostrar sua voz e sua força para mundo, e mudou o curso da vida de algumas pessoas, como a de um pequeno garoto de 11 anos, durante um show de abertura para o Deep Purple na Dinamarca, que, após a apresentação do Elf, teve certeza que queria viver de música. No dia 16/05, 35 anos após esse show na Dinamarca, ao saber da morte de seu ídolo, o hoje senhor Lars Ulrich chorou como se tivesse os mesmos 11 anos de idade, quando conheceu Dio.

Foi desta mesma turnê que se engendrou, para Ritchie Blackmore, a certeza de que Dio seria seu auxiliar na concretização do mito que hoje o Rainbow representa, e que cresce cada vez mais com o tempo: todos os dias, seja através da fase da banda com Joe Lynn Turner ou da própria obra de Dio, o Rainbow ganha novos ouvintes e seguidores. Afinal, foi com o Rainbow que Ronnie James Dio bradou aos quatro cantos do mundo a mensagem que, mesmo breve, sintetiza o sentimento de todos que nos rendemos ao rock como uma forma de pensar, agir e viver: "Long Live Rock n' Roll", hino eternizado na voz de Dio, é a prova da perenidade deste estilo e de todos aqueles que se cobrem com seu manto.

Do Rainbow, Dio seguiu em frente para manter viva a lenda do Black Sabbath, que após os desgastes havidos com Ozzy Osbourne, precisava ser lançado novamente ao Sol. Com o Sabbath,  Dio lapidou as pérolas inquebrantáveis "Heaven and Hell" (1980), "Mob Rules" (1981) e o polêmico "Live Evil" (1982), que decretou sua saída do grupo, retornando apenas em 1992 para gravar e brindar o público com "Dehumanizer". Durante a mesma década de 80, Dio deu início a construção de seu trabalho solo, firmando-se definitivamente como ícone e referência insofismável do hard rock e do heavy metal.

É importante ter em mente o trajeto percorrido por Dio, justamente para concretizar sua importância para a música e para o público que, há mais de três décadas, o segue incessantemene. Com sua triste passagem no último domingo, percebemos a constatação de um triste fato: tem-se chegado o momento de dizermos adeus aos nossos ídolos, àqueles que nos motivaram a estudar e a entrar cada vez mais no mundo do rock n' roll. E, talvez pior do que isso: constatamos também que, a cada dia, diminuem os possíveis candidatos a suceder (sem nunca tomar o lugar) nomes como o de Dio. É como se caminhássemos ao vazio: nada de novo e interessante se constrói hoje. Vivemos em um eterno culto à memória e ao passado, buscandos através do tempo a força daqueles que já fizeram a história e, ainda hoje, continuam a significar muito à nós.

Por essas razões, quando pensamos em Ronnie James Dio, não podemos desvinculá-lo do tempo. Foi através dele que marcou-se o seu nome na história de todos nós que, no dia de hoje, baixamos os olhos mareados pela tristeza de perder uma referência. Dio não foi apenas uma das mais poderosas vozes do rock, foi, acima de tudo, um sujeito amplamente carismático que muito nos ensinou, desde o símbolo máximo do "chifre" com as mãos, até a perseverança de perseguir seus sonhos. Apesar de Dio ter perdido a batalha contra o tempo e contra a doença que o aplacou, é nosso dever utilizar um desses inimigos - o tempo - como ferramenta inquebrantável para perpetrar na memória de todos a importância da obra deste incrível artista, que tanto fez pela música de modo geral. A consternação de um mundo todo é prova desta missão: façamos a voz de Dio ecoar em todo o tempo, para sempre.

Siga em paz velho mestre! Agora é nossa vez de cantarmos por ti!