domingo, 16 de maio de 2010

15/05/10 - Moonshine & Destroyer


Este último final de semana foi extremamente generoso para o público hard rock curitibano: em 14/05, Joe Lynn Turner provou porque, apesar do transcorrer do tempo, continua a ser uma das maiores referências do gênero. Menos de 24 horas depois, no palco do Blood Rock Bar, a continuação da festa seria à altura: o Moonshine, nome de expressão do hard curitibano que auxiliaria o Destroyer, cover oficial do KISS, a encerrar esta grande festa havida no cenário curitibano. 

Foi com esse espírito que o Moonshine subiu ao palco. E, por uma dessas coincidências que todos percebem como "fantásticas" assim que elas surgem, foi a primeira canção executada pela banda que ditaria o rítmo da noite e, ademais, confirmaria quem seria o responsável por botar o público presente no ar. Com "Rock You Like a Hurricane", o Moonshine transformou-se num verdadeiro redemoinho sonoro que trouxe de volta à vida até o mais sepulto indivíduo: simplesmente não havia como ficar parado. Caco Andrade, recém integrado de modo definitivo ao grupo, mostrou que, além de excelente vocalista, a batuta da regência do show ficaria sob seu comando. Exaltando o público a cada música e a cada pausa, Andrade manteve a platéia na mão com duas características que, respeitosamente, faltaram aos seus sucessores no palco: bom humor e jogo de cintura. Era simplesmente difícil não obedecer aos seus comandos e às ordens sonoras da banda.

A cada canção, a banda crescia cada vez mais, assim como suas qualidades técnicas e a notória capacidade em fazer sábias escolhas. Por mais de uma hora, o Moonshine apresentou um set list impecável, capaz de satisfazer qualquer fã de hard rock que se preze: de Scorpions a White Snake e de Journey a Europe, o grupo perfilou a platéia e os atingiu com um bombardeio incrível. Na seção rítmica, Edu Stonoga cadenciou perfeitamente suas quatro cordas ao compasso ditado pelas baquetas de Marcelo Cruz, que esbanjou energia e força durante toda a apresentaçao. Acolchetando o som do redemoinho enfurecido do Moonshine e aparando as arestas estavam as teclas regidas por Ronaldo Jr. A cada momento, sua atuação evidenciava o apreço técnico aliado ao feeling oriundo do hard rock, e o resultado certamente não poderia ser melhor: a condução das canções beiravam a exaltação do público, que pulava, gritava e flutuava incessantemente.

A dupla das seis cordas, igualmente, fez um trabalho impecável. Everton Camu e Gus Piaseck fritaram os escalopes de suas guitarras (e o cérebro do público) esbanjando os riffs que marcam todos aqueles que apreciam o hard rock. Canções lendárias tornavam-se palpáveis para a platéia, como se, ao alcance da mão, todo aquele novo universo criado pelo Moonshine pudesse ser absorvido e degustado por todos. A originalidade também é outro ponto forte do grupo. Para eles, não se trata apenas de "reproduzir" as grandes canções do hard rock mas, também, criar algo novo e agregá-lo à musicalidade de tais canções: quem prestou mais atenção na execução das músicas percebeu este prazeroso fator que eleva ainda mais a qualidade da banda.

Em pouco mais de uma hora, o Moonshine levou o público ao alto com a força do hard rock e provou que ainda tinha muita lenha para queimar. Ao final do show, o ambiente do palco do Blood Rock Bar parecia estar em brasa: o calor era palpável, em contraste ao frio percebido do lado de fora. E as expectativas só aumentavam: ainda havia o Destroyer para completar com maestria a noite de 15/05/2010.

Entre o show de uma banda e outra foi quase uma hora de espera. Devido há um problema de organização, os integrantes do Destroyer permaneceram em sua van (espécie de local sagrado ou algo que o valha) durante meia hora até subir ao palco e, quando o fizeram, a empolgação só durou na primeira canção, "Deuce". Problemas com o som e com a afinação dos instrumentos limitaram grande parte da aguardada apresentação do grupo.

Outro fator negativo foi a falta de paciência demonstrada por alguns membros da banda, ainda que com razão. Tutú Simmons teve que parar duas vezes o show para pedir calma a um cidadão que pulava freneticamente. Vá lá, essas coisas atrapalham, mas, no fim das contas, era para isso que todos vieram: pular, gritar e se divertir, coisa que fizeram com o Moonshine no palco e não houve problema algum. Caco Andrade, por exemplo, tirou de letra os pedidos incessantes para que a banda tocasse AC/DC: falou educadamente que aquele não era o propósito do grupo naquele momento, falou que AC/DC era bom pra cacete e, com bom humor, deu sequência à apresentação. Talvez esse jogo de cintura tenha faltado aos veteranos do Destroyer, que abordaram incisivamente (e talvez até de modo desnecessário) a platéia com pedidos nada gentis de calma.

Mas a preocupação era, até certo ponto, justificada. A banda não queria que o público se machucasse e primou pela segurança que (apesar de ser tarefa da casa), ficou por conta do grupo. O mesmo ocorreu com o Children of The Beast, em 13/03/10, no mesmo palco do Blood Rock. O vocalista Sérgio soube, assim como Caco Andrade, contornar a situação, e até fez uma pausa de meia hora no show para garantir a segurança e calma de todos.

O Destroyer não tomou essa atitude e, já na quinta música, "Shock Me", o público já não respondia como no início. O Rock Pensante, que havia combinado com o grupo uma foto comemorativa (como fizemos com TODAS as bandas que resenhamos, desde o Children of The Beast, passando por Pão de Hamburguer e Moonshine, entre tantas outras que integram a seção "Pela Noite Curitiba"), sequer conseguiu cumprir seu objetivo. Fomos embora quando "Shock Me" estava em seus últimos acordes, no meio de grande insatisfação das pessoas que estavam no ambiente do palco e que também deixaram de lado a vontade de curtir o show até o fim. 

Ao sair do Blood Rock Bar, além de ter a certeza de que a organização do local carece urgentemente de reformulação, uma outra certeza pairou no ar: a de que a noite foi, de fato, do Moonshine, que passou pelos mesmos problemas de som e de público e levou sua apresentação até o fim, pulando com a platéia e colocando os obstáculos para trás. É, de fato, uma das maiores bandas de Hard Rock que esta cidade já viu. Ainda bem que eles estavam lá para salvar a noite.

7 comentários:

  1. Show muito bom da Moonshine... Gostei muito do Caco no vocal :)
    Eu também acho que a Moonshine salvou a noite.
    Não só a de ontem, como na do ano passado no Ópera 1, quando a Moonshine abriu para o Destroyer.
    Muita pose, e pouca qualidade. Uma pena, já que adoro Kiss.

    Parabéns pelo blog!

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  2. Moosnhine me decepcionou...não pelo instrumental, q estava impecável. Mas pelo vocalista novo! As pessoas devem estar surdas para achar que ele canta bem!

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  3. O que que esse imbecil ta falando mal do vocalista, esse otário deve ser um músico frustrado, o Caco é simplesmente impecável. sou fã desse cara tanto nos acústicos ou da época da Space Truckin... é hardera pura

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  4. Sem dúvida foi um "show" e tanto! Concordo plenamente com as sábias palavras recitadas por Rafael Correa. O Caco interpretou bravamente cada música, dando vida e emoção ao repertório. Parabéns Moonshine, continuem assim, crescendo e evoluindo a cada apresentação! Abços...

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  5. Quero agradecer a todos que estavam lá e nos passaram essa puta energia...
    Amei o show e obrigado pelo apoio...
    Estou muito feliz pela minha estréia na Moonshine...
    Long Live Rock n' Roll

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  6. Caro Rafael e leitores do Blog, td bem?!
    Quero aqui pedir desculpas pelo ocorrido durante o show.
    Por experiencia passada, tive que parar o show por 3 vezes. Sinceramente fiquei c/receio de houvesse alguma confusão maior. O Bar é muito legal, os donos, são sensacionais, mas o espaço é apertado, caso acontecesse algo ali, seria complicado a saida do publico.
    Havia tanto garotos como gatoras ali na frente do palco, e comecei a perceber e sentir que poderia começar uma briga ou coisa do genero.
    Enfim, a culpa foi minha de parar o show, e não da banda!
    Rafael, como desde o primeiro e-mail, tu foi extremamente atencioso e educado comigo, quis vir aqui tentar "justificar".
    Qto ao resto da tua critica, só me resta ler, e tentar aprender alguma coisa c/isso.
    Criticas construtivas, como acredito que tenha sido aqui, são e serão sempre bem vindas!
    Mais uma vez, agradeço pelo espaço aqui!
    E peço mais uma vez desculpas ao publico presente no Blood!!!
    Abraços a todos!
    Paz, saúde e Sucesso sempre p/todos nós!
    Antonio
    Destroyer Kiss Cover

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  7. Caro Antonio,

    Obrigado pela atenção depreendida por ti novamente. Todos sabemos o quão difícil foi para a banda manter a sequência do show em condições tão "difíceis", para não usar outro termo. Ainda com os contratempos, agradeço a vocÊs pela vinda à Curitiba.

    Forte abraço

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