quinta-feira, 20 de maio de 2010

1970 - Trapeze

Em 1973, Glenn Hughes apresentou-se ao mundo ao ingressar no Deep Purple e ser um dos responsáveis pela "renovação" do som da banda e, concomitantemente, como o responsável pela saída de Blackmore do grupo depois do álbum "Stormbringer", justamente pela renovação antes mencionada. No Purple, Hughes escreveu seu nome na históra da banda (e do próprio hard rock) não apenas como um excelente músico, mas também como dono de uma voz poderosíssima, capaz até de rivalizar com David Coverdale. Mas, antes mesmo de ser recrutado para o lugar de Roger Glover e para auxiliar o então jovem e inseguro Coverdale, Hughes já era um músico experiente e calejado. Afinal, ele foi um dos responsáveis pela confecção deste primoroso trabalho desta banda singular, já amplamente conhecida por aqueles que se dedicam a estudar a história do rock n' roll e do hard rock: é o Trapeze, que no limiar entre as décadas de 60 e 70 brindou o mundo com dois "petardos" iniciais, que se destacam em sua discografia.

"Trapeze", de 1970, foi gravado sob a égide do selo Threshold Records, originalmente criada pelo grupo Moddy Blues exclusivamente para divulgar os seus discos (aliás, é John Lodge, baixista do Moody Blues, quem assina a produção do disco de estréia do Trapeze). A banda detinha o seguinte line up: Glenn Hughes (que além do baixo e voz, comandava os pianos e trombones que aparecem no disco), o vocalista e trompetista John Jones, o baterista Dave Holland, o guitarrista Mel Galley e Terry Rowley, responsável pelo órgão e flauta. Por essa formação, e pelos instrumentos utilizados pelo grupo, já podemos adivinhar que, no mínimo, "Trapeze" é um álbum criativo. E certamente esta premissa é verdadeira.

Curiosamente, assim que a sonoridade mansa e calma de "It's Only a Dream" chega aos nossos ouvidos, parace que estamos a ouvir os nossos queridos e eternos Mutantes, em seus ricos tempos, só que em versão inglesa. É também nesta oportunidade que "Trapeze" dá a entender ao ouvinte que ele é, em verdade, uma álbum conceitual, ainda que essa afirmação não seja totalmente acertada. Mas o fato das canções se conectarem uma à outra, sem pausas; bem como o fato de algumas músicas serem divididas em "peças", possibilitam a quem ouve o disco chegar a esta conclusão.

Afora estas curiosidades, "Trapeze" reflete um prazer indubitável durante a sua audição. "The Giant's Dead Hoorah!", assinada exclusivamente por Hughes, apresenta o peso contido do hard desenvolvido pela banda neste primeiro trabalho. As variações de tempo e compasso (marca registrada do grupo) se acentuam nesta canção, que merece destaque. "Over" e "Nancy Gray", cada uma ao seu modo, conquistam o ouvinte pela doce complexidade que apresentam: são faixas muito bem trabalhadas e, principalmente, canções versáteis, que evidenciam a qualidade técnica dos membros do Trapeze.

Mas, na opinião deste humilde e matuto resenhista, é a tríade de "a) Fairytale / b) Verily Veryli / c) Fairytale" que faz o álbum brilhar de modo incandecente. Separada em três tópicos interessantíssimo, a primeira peça ("Fairytale") começa como uma jam de improviso ao melhor estilo jazz. Gradativamente, a canção vai ganhando contornos mais densos e vibrantes, até a peça seguinte ("Verily Verily") apresentar o hard rock característico do grupo. A alternação de compassos prossegue de modo interessante, até o retorno de "Fairytale" colocar a termo este verdadeira e salutar viagem da banda pelo imaginário.

"Trapeze" é, de fato, um dos discos mais criativos produzidos na fissura entre as décadas de 60 e 70. Na sequência, John Jones e Terry Rowley deixariam a banda, reduzindo o Trapeze ao power trio responsável pelo seu segundo disco, "Medusa", de 1970, muito mais forte e dançante que seu disco de estréia. Mas isso é papo para um outro momento. Por enquanto, devemos ouvir com calma este álbum, primeiro trabalho de uma excelente banda, até que possamos compreender totalmente o seu significado.

Cheers!!!

Set List:

1. It's Only a Dream
2. The Giants Dead Hoorah!
3. Over
4. Nancy Gray
5. a) Fairytale / b) Verily Verily / c) Fairtytale
6. It's My Life
7. Am I
8. Suicide
9. Wings
10. Another Day
11. Send Me No More Letters
12. It's Only a Dream (Reprise)

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