quarta-feira, 19 de maio de 2010

1977 - On Stage

Depois de apresentar ao mundo dois excelentes álbuns de estúdio ("Ritchie's Blackmore Rainbow" e "Rising", que em breve será retratado nesta seção), o Rainbow acertou em cheio ao presentear o público com um excelente registro ao vivo. "On Stage", de 1977, é, portanto, a primeira amostra "formal" da literal explosão de cores que a banda representava no início de sua caminhada. Mesmo com alterações significativas em sua formação, que agora contava com o incrível Cozy Powell na bateria e o talentoso Jimmy Bain no baixo, Blackmore conseguiu manter a força original do grupo, que formava um verdadeiro redemoinho sonoro em cima do palco.

Ronnie James Dio, cuja voz se solidificava a cada show com o Rainbow, fez uma performance impecável neste álbum. Nesta fase da carreira, o som on stage da banda soava um tanto diverso da sonoridade observada em estúdio. A cada momento, o redemoinho sonoro acima disposto parecia querer "fugir de controle", isto pelos crescentes improvisos perpetrados por Blackmore e sua insistência em, a cada noite, executar as canções de maneira diferente. Logicamente, em quase todas as ocasiões, a genialidade de Blackus prevalecia; mas quem está habituado a ouvir alguns bootlegs do Rainbow sabe que, em outras oportunidades, os improvisos de Blackmore engendravam uma verdadeira "bagunça" sonora, que nem mesmo as virtudes de Dio e Powell eram capazes de conter. O Rainbow aprenderia a conter totalmente o seu "Mr. Hyde" apenas tempos depois, quando Dio  já estava prestes a abandonar o Black Sabbath e mostrar ao mundo sua verdadeira (e primorosa) face com seu álbum solo de estréia "Holy Diver" e o grupo já contava com Roger Glover e Joe Lynn Turner em sua formação. 

Mas, no fim das contas, "On Stage" mostra os límpidos e cristalinos momentos de brilho e genialidade da banda no palco. Em todas as faixas, percebemos que Blackmore parece ter suas seis cordas em chamas, enquanto Dio faz o que bem entende com a platéia e eleva a explosão do som do Rainbow à décima potência. Prova disto é a faixa de abertura, "Kill The King" (canção inédita até o lançamento de "On Stage", que seria parte integrante do álbum seguinte, "Long Live Rock n' Roll", de 1978), que assusta o ouvinte mais desatento. No momento seguinte, é o interessantíssmo medley de "Man On the Silver Mountain", "Blues" e "Starstruck" que ditas as regras do jogo, representado por exatos 11:12 minutos de pura energia.

Mais a frente, é a extensa execução de "Mistreated", do Deep Purple, que cativa o ouvinte. Além de ser uma canção originalmente extasiante, ela brilha ainda mais pelas inovações de Blackmore e pela condução dada por Dio, chegando quase a ganhar um novo corpo, muito embora tenha sido sustentada, ensta apresentação, pelas usuais jams feitas pelo Purple em seus shows na época de Coverdale e Hughes. Ademais, "Mistreated" também reveste-se de uma outra singularidade: em todo o decorrer de sua carreira, Dio daria grande atenção à esta canção, apresentando-a em quase todos os seus shows, como se percebe no disco "Inferno: Last in Live", de 1998.

"On Stage" encerra-se energicamente com "Still I'm Sad", composição presente no primeiro disco do Rainbow e originalmente assinada por Paul Samwell-Smith e Jim McCarty. Trata-se, portanto, de um excelente álbum, que alertava à todo o público a capacidade da banda sobre o palco, fazendo jus ao seu título. A versão em vinil de "On Stage" também é de cair o queixo: um vinil duplo que faz sair de seus sulcos densas faíscas, tornando-se, então, um obrigatório item de colecionador. É o Rainbow em seu estado mais bruto, e por isso, merece ser ouvido com atenção.

Cheers!!!

Set List:

1. Kill the King
2. Man On the Silver Mountain (Medley: Blues/Starstruck)
3. Catch the Rainbow
4. Mistreated
5. 16th Century Slaves
6. Still I'm Sad

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