segunda-feira, 10 de maio de 2010

1982 - Straight Between the Eyes

Dando sequência à proposta evidenciada com "Difficult to Cure", "Straight Between the Eyes" é, por certo, um dos trabalhos mais difundidos do Rainbow no mundo. Como não poderia ser diferente, este também é um dos registros para o qual os fãs mais torcem o nariz: Blackmore, Turner e cia. foram acusados impiedosamente de  render-se aos reclames da vendagem comercial, consolidando um som mais voltado para as rádios do que para os fãs xiitas que os acompanhavam desde a época em que o Rainbow ainda falava sobre dragões, reis e espadas de sangue.

No entanto, "Straight Between the Eyes" não deve ser encarado sob este prisma: ele representa, de fato, o rompimento definitivo da banda com seu passado de crônicas medievais e ligações com o misticismo para firmar-se em outros temas, como o desejo e a aventura inconsequente. No fim das contas, este álbum nada mais é do que a confirmação das expectativas engendradas por "Difficult to Cure" [ler resenha sobre o disco, já publicada no Rock Pensante], que acabou por decratar a ligação do Rainbow com o hard rock em seu estado mais bruto, ao menos no que diz respeito as letras, isto porque o disco, em alguns momentos, apresenta tendências progressivas.

"Straight Between the Eyes" recepciona o ouvinte da melhor maneira possível: "Death Alley Driver" mostra que, talvez pelo distante parentesco com sua prima "Highway Star", a vibração é quem ditará as regras neste registro do Rainbow. Calcada em temas como velocidade e exaltação, a canção conecta muito bem elementos pesados presentes nos primeiros trabalhos do Deep Purple com a vertente clássica renascentista a que Blackmore se renderia no futuro com sua esposa Candice Night. Ademais, Blackus brilha e trafega livremente por essa canção: seus riffs  e solos preparam muito bem o terreno para que Joe Lynn Turner mostre a razão pela qual foi escolhido como substituto de Ronnie James Dio.

"Stone Cold", faixa seguinte, apresenta a nova roupagem da sonoridade do Rainbow e confirma porque a banda seria a referência essencial para 6 dentre 5 bandas de hard rock da primeira metade da décade de 80. Cadenciada pelos teclados de David Rosenthal, a faixa auxiliou a alavancar o disco e galgar novos fãs para o grupo. Mais adiante, é a vibrante "Power" a responsável por guiar o Rainbow em sua nova trilha e, por igual, tatuar um ponto de interrogação do tamanho do mundo na cabeça dos fãs da era Dio. Comandada por Glover (que também produziu o disco) e pela interpretação dançante de Turner, "Power" pincelou um novo horizonte à banda, assim como "Miss Mistreated" o fez.

"Rock Fever" e a orquestral "Eyes of Fire" encerram o disco, que em sua estimativa final revela-se como um excelente álbum, seja em conceitos de musicalidade ou simplesmente em parâmetros artísticos. Tanto isto é verdade que Joe Lynn Turner conserva até os dias de hoje algumas faixas deste álbum em seus shows e, sempre, sem exceção, são muitíssimo bem recebidas pela platéia. "Straight Between the Eyes" mostrou ao mundo uma nova face do Rainbow, desenhada tanto pelas mudanças havidas no hard rock oitentista como pela postura de Blackmore, Glover e Turner, que soube muito bem moldar e verbalizar a nova proposta do grupo e, talvez por isso, seja tido hoje como um dos grandes nomes (e vozes) do hard rock. Apesar de não ser tão "inspirado" quanto seu sucessor, "Bent Out of Shape", "Straight Between the Eyes" merece honrosos destaques na galeria hard do rock n' roll.

Cheers!!!

Set List:

1. Death Alley Driver
2. Stone Cold
3. Bring on The Night (Dream Chaser)
4. Tite Squeeze
5. Tearin' Out my Heart
6. Power
7. Miss Mistreated
8. Rock Fever
9. Eyes of Fire


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