quarta-feira, 12 de maio de 2010

Entrevista com MOONSHINE

Que Curitiba é uma cidade de forte identidade cultural (manifestada, por vezes, aos trancos e barrancos) ninguém duvida: daqui saíram, e ainda saem, excelentes bandas dispostas a fazer o impossível e o improvável para sacudir a cena musical e trazer um pouco de cor à esta Capital habituada a trajar-se de cinza. Um bom exemplo disso é o Moonshine, indiscutivelmente um dos melhores grupos curitibanos que se dedicam a sustentar o estandarte do hard rock, desinência musical que, provavelmente, é a que mais atrai sentimentos, sejam de amor ou de ódio: aqui, em grande parte dos momentos, não meio termo; ou se gosta do gênero, ou simplesmente não.

O Moonshine, como prova da relevância de seu trabalho, será o grupo responsável por iniciar o "aquecimento" da noite em que também se apresentará o Destroyer, banda cover oficial do KISS em paragens tupiniquins, e que subirá no palco do Blood Rock Bar no dia 15/05. O Rock Pensante, como de praxe, concretizou uma entrevista com o tecladista e guitarrista do Moonshine: Ronaldo Junior e Gus Piaseck, respectivamente, que gentilmente abriram um espaço em sua intensa agenda para bater um papo conosco. Na conversa, além da história do grupo, o leitor poderá conhecer um pouco mais sobre o trabalho da banda e seu posicionamento na formação da cena curitibana. 

Cheers!!!

Rock Pensante: Atualmente, o Moonshine é considerado como um dos melhores grupos que representam o hard rock em Curitiba. De 2007 para cá, a banda galgou um respeitável espaço na cena musical da cidade, apresentando-se nas casas mais tradicionais destinadas ao público que aprecia rock n' roll em geral. Destes três anos de estrada, qual a lembrança mais marcante que vem à mente de vocês quando rememoram o passado da banda?

Ronaldo Junior:  O mais interessante de lembrar é o fato que há uns anos, em Curitiba, havia poucas bandas de hard rock em atividade e poucos bares que abriam espaço pras mesmas. Hoje a gente vê que esse cenário mudou bastante e é muito gratificante saber que fazemos parte desse processo.

Gus Piaseck: Para mim, a lembrança mais marcante foi dividir o mesmo palco com grandes nomes do rock mundial, como Bruce Kulick, ex-integrante do Kiss, em 2007, e Jeff Scott Soto em 2009.

R.P: De fato, não é fácil montar um set list pautado em grandes bandas de hard rock, que possuem uma extensa relação de músicas de sucesso, como KISS, Whitesnake, etc. Qual a maior preocupação da banda no momento da montagem do set list, ou ainda, no momento de renová-lo? 

R.JA idéia é sempre ter um diferencial. Além de tocarmos o que gostamos, precisamos ter algo a mais pra vender a banda. Com o passar do tempo, fomos expandindo o trabalho e hoje tocamos em lugares que não fazem parte exatamente do circuito rock, por isso há a necessidade de adaptar o repertório, que está em constante mudança. Resumidamente, nosso repertório a cada show se baseia em uma seleção diferenciada, sempre incluindo alguns hits, mas sem cair no lugar-comum.

G.P: A maior preocupação da banda ao escolher músicas novas é agradar o público, mas nunca fugindo da proposta da banda, afinal, é o amor ao som que fazemos que nos da motivação para continuar.

R.P: Um dos diferenciais mais nítidos da banda, que faz com que ela se destaque das demais, é percebido no palco, onde o Moonshine agrega novos elementos às canções já conhecidas de grandes grupos. É o caso, por exemplo, de "I Was Made For Loving You", do KISS, onde se vê (e ouve) uma notável e proveitosa diferença na versão executada por vocês, fato este que gera uma identidade própria à canção. Sendo assim, quais são os critérios adotados pela banda no momento de incluir novos elementos criativos em tais canções? Depende muito da música em que se está trabalhando?


R.J:   Exatamente. Depende da música que se está trabalhando. Há músicas que não há como a gente pensar em mexer no arranjo: é daquele jeito e tem que ser tocada daquele jeito! Porém, na grande maioria do repertório nós, com o tempo, vamos colocando nossa forma de tocar, e em alguns casos específicos, fazemos realmente uma versão. Os critérios que usamos as músicas pra mexer no arranjo estão baseados no jeito que a música sai na primeira vez que a tocamos... em alguns casos já vem alguma idéia na hora e trabalhamos em um novo arranjo a partir daí.

G.P: Com certeza, depende muito da música. Tem música que pede uma certa sutileza na hora de executá-la. Algumas não, são mais porrada. E tentamos usar do nosso bom senso, pra colocar um pouco da identidade da banda em algumas das músicas que tocamos, tentamos dosar da forma correta, pra que ao mesmo tempo que a canção soe original, também soe de certa forma com a cara da Moonshine.

R.P: Curitiba é conhecida como detentora de uma cena musical interessante e criativa. No entanto, nos últimos anos, este mesmo cenário, outrora fértil, tem sido dominado constantemente por repetições que, via de regra, deixam pouco espaço para que bandas novas, que trabalham com som próprio, possam surigr e formar seu nome. Tendo em vista que o Moonshine é formado por músicos que também integram excelentes bandas de trabalho próprio (Straybullet - da qual participam Edu Stonoga e Ronaldo Junior – e Dark Symphony - da qual participa Ronaldo Junior), como vocês entendem esta situação? Curitiba, de fato, encontra-se mesmo quase "fechada" para bandas que não destinam grande parte de seu repertório ao cover? 

G.P: Acho que não só em Curitiba, como muitas cidades no Brasil, bandas de som próprio têm muito pouco espaço para mostrar seu trabalho. Acredito que como as casas de shows abrem com o intuito de chamar público, frequentadores, acabam marcando shows com bandas cover, pois tocam músicas de conhecimento popular, ao contrário das bandas de som próprio, as quais, na minha opinião, também se deveria dar o valor merecido, tanto das casas quanto do público, pois no caso, em Curitiba, existem sim ótimas bandas de som próprio, como por exemplo essas citadas, Straybullet e Dark Symphony.
R.J: Ainda há pouco espaço para som próprio, mas essa situação não é restrita a Curitiba. Agora, aproveitando o ensejo, ao contrário do que muita gente diz, o cover não rouba espaço do autoral. Faço parte da Moonshine, que até então é exclusivamente cover, e sou integrante de duas bandas de música própria, então conheço os dois lados da moeda. Cada segmento, cover e autoral, tem seu papel dentro da cena musical. As bandas de música própria precisam sempre primar pela qualidade do seu material, ao invés de exigir que o público compre um produto ruim. Nenhuma banda pode “chantagear” o público ir ao seu show só pra apoiar a cena. Ainda há muita coisa que está longe do que seria o ideal, porém, sou da opinião que se o produto for bom, vai ter quem se interesse por ele. 

R.P: Aproveitando o ensejo da última pergunta, a conciliação das atividades dessas três bandas se dá de modo simples? Quais são, em breves palavras, as programações dos grupos para este ano?

R.J: Sempre dá pra conciliar, até porque banda autoral underground não possuem a agenda tão cheia. A Straybullet acabou de gravar o disco de estréia, que está em fase de mixagem e pretende fazer alguns shows pra divulgar o trabalho. Temos algumas músicas desse álbum tocando em rádios da Inglaterra e Holanda e a perspectiva pro trabalho de divulgação do material é grande. A Dark Symphony está em fase de composição, já que retomamos as atividades esse ano. Depois de alguns anos fora de atividade, é como se começássemos uma nova banda, já que surgiram muitas idéias e experiências nesse meio tempo. Pretendemos finalizar a gravação do álbum até o segundo semestre desse ano.

R.P: Recentemente, o Moonshine passou por uma alteração em sua formação, trazendo o vocalista Caco Andrade ao lugar anteriormente ocupado por Beto Ferreira, companheiro de longa data da banda. Qual a razão desta substituição e como surgiu o nome de Caco para ser o novo frontman do grupo?  

R.J: Na época que Beto Ferreira entrou na banda, ele era vocalista da Dark Symphony, então logo tive a idéia de trazê-lo pra Moonshine. Fizemos um ensaio e notamos que daria certo logo de cara e assim foi durante esses quase três anos que tocamos juntos. Porém, infelizmente, ele teve que deixar a banda por motivos profissionais e principalmente de ordem familiar. Quanto à entrada de Caco Andrade, não seria novidade pra quem acompanha a banda, pois além de já ter feito shows conosco, é nosso velho amigo e um grande vocalista. Quem já o viu e ouviu ao vivo, nota que tem muito a ver com o nosso trabalho e quem tem muita qualidade técnica, além de forte presença de palco. Claro que toda alteração exige um tempo de adaptação, mas no caso do Caco, em pouquíssimo tempo já percebemos um grande entrosamento, o que nos impulsiona a ir cada vez mais trabalhando pra proporcionar diversão e boa música para o público.

G.P: O Beto já estava há algum tempo com dificuldades pra levar a banda juntamente a suas outras responsabilidades, como trabalho, família, etc. Até que chegou um ponto que ele teve que fazer uma escolha. Estava realmente complicado conciliar as duas coisas, mas continuamos amigos independente de sua escolha. Quanto ao Caco, o conhecemos de longa data, conhecemos muitos de seus trabalhos, inclusive fez alguns shows com a Moonshine. 

R.P: Quase sempre a banda está envolvida em acontecimentos de grande porte, como o que ocorrerá no próximo dia 15. Deste modo, quais são os projetos do Moonshine para este ano, destacando sua agenda próxima?  

R.J: Já dividimos o palco com Destroyer algumas vezes e sempre rolaram shows muito legais. Com o tempo, se tornaram nossos amigos e, sempre que vêm à Curitiba, acabamos fazendo um som juntos. A idéia esse ano é continuar na linha que estamos trabalhando, porém sempre querendo um alcance maior. Definitivamente, eventos como esse próximo show que iremos fazer, favorecem a divulgação do trabalho da banda. 

G.P: Recentemente fizemos alguns shows em Curitiba, no Jokers Pub e Blood Rock Bar, e também em Joinville/SC e Toledo/PR. E segue nossa agenda dos próximos shows já confirmados:
* 15/05 - Blood Rock Bar (com Destroyer Kiss cover);
* 29/05 - Blue Bell Pub;
* 05/06 - London Pub (Guarapuava-PR);
* 12/06 - Blood Rock Bar (Love Metal);
* 10/07 - Moinho Eventos (Festa Mundo Livre FM).

R.P: De fato, a banda já possui um público consolidado, que marca presença nas apresentações do grupo justamente pela performance de qualidade que a banda sempre apresenta. Qual a preocupação que o Moonshine possui no momento de centrar o seu desenvolvimento técnico e, assim, buscar a atenção de um público ainda maior?

R.J: Desde que a banda foi criada, bem como quando aconteceram alterações na formação, sempre foram cotados, para entrar na banda, músicos que já tivessem alguma experiência profissional musical, especialmente na cena rock de Curitiba. Somado ao fato de que o pessoal da banda tem um gosto musical bem variado, tirando assim proveito de outros gêneros musicais. E claro, sempre primando pela qualidade de execução tanto individual, como em grupo, a fim de poder oferecer um bom conteúdo pro público.

G.P: Sabemos que o público de Curitiba é bastante exigente, não somente quanto à técnica individual dos integrantes, mas também com a banda como um todo, performance ao vivo, entrosamento, etc. E é pensando nisso tudo que procuramos executar as musicas da melhor forma possível, e fazer nossos shows de forma bastante dinâmica e agradável, justamente pra agradar esse público tão perfeccionista que temos.
R.P: Neste tempo de estrada a banda já teve contato com a cena musical de outras cidades? Se sim, qual o cenário que lhes chamou mais a atenção? 

G.P: Há mais de dois anos estamos tocando em Joinville/SC. Vamos pra lá a cada três meses aproximadamente. O público de lá já conhece bem a banda e tem até uma galera que nos acompanha a cada show nosso pela região. Somos super bem tratados tanto pelos contratantes quanto pelo público.

R.J: Além de Curitiba, tocamos em algumas cidades como Joinville, Toledo... Temos show marcado em Guarapuava e em negociação em outras cidades como Paranaguá, Cascavel, Florianópolis, dentre outras. Não poderia formar uma opinião sobre a cena rock de uma cidade ou outra, pois além dos shows que fazemos, não acompanhamos o andamento dos eventos e participação do público. Mas sem exceção, fomos muito bem recebidos em todas as cidades que visitamos até hoje e o público se mostrou bastante participativo e presente.

R.P: Para finalizar, quais são as expectativas da banda para a apresentação com o Destroyer, que ocorrerá em 15/05, no Blood Rock Bar?

G.P: Estamos bastante ansiosos para esta data, pois além de estarmos tocando com essa super banda que é o Destroyer, também será a estréia, aqui em Curitiba, do nosso novo vocalista Caco Andrade. O repertório com certeza contará, como sempre, com grandes clássicos do rock. Nossa expectativa é de um show bastante dinâmico, onde tanto o público, quanto nós, nos divertamos bastante em uma noite bastante fervorosa com muito rock n’ roll.

R.J: Com certeza vai ser bem legal encontrar os amigos do Destroyer, o pessoal do Blood Rock Bar, que também são velhos parceiros... Tem tudo pra ser mais uma grande festa, portanto esperamos poder contar com a presença de todos que gostam do verdadeiro rock n' roll! Agradeço o espaço cedido à Moonshine e parabenizo pela iniciativa e pelo alto nível apresentado pelo Rock Pensante... Valeuuu! Até sábado em mais um show e um grande abraço a todos!   

Pois bem. É em momentos como este, no qual pode-se ter contato próximo com o artista que sentimos, de fato, a verdadeira pulsação criativa da cena musical curitibana. E, sendo assim, todos estão mais do que intimados a cumprir com sua obrigação com o hard rock e marcar presença no Blood Rock Bar para prestigiar a apresentação do Moonshine e do Destroyer. Agradecemos imensamente e uma vez mais ao Moonshine por esse produtivo bate papo!

OUÇA MOONSHINE NO MYSPACE: http://www.myspace.com/moonshinerockband


Moonshine (Hard Rock/AOR) é:

Caco Andrade - Vocal
Everton Camu - Guitarra
Gus Piaseck - Guitarra
Edu Stonoga -Baixo
Ronaldo Junior - Teclado
Marcelo Cruz - Bateria

3 comentários:

  1. É um prazer para a Moonshine contar com a parceria de profissionais que estão dispostos a divulgar e incentivar as produções locais, e com certeza encontramos um parceiro mais do que profissional e também um amigo para essa jornada.

    Queremos agradecer pelo grande trabalho realizado pelo Rafael e toda equipe do Rock Pensante.

    Curitiba realmente precisa de profissionais sérios para crescer como cenário musical.

    Grande Abraço!

    Eduardo Stonoga

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  3. Valeu Eduardo!

    Nos falamos dia 15!! E contem conosco sempre!!
    Forte abraço!

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