quarta-feira, 23 de junho de 2010

Entrevista com TREM FANTASMA


Para findar um hiato de quase três semanas, nada melhor que um bate-papo com uma das melhores bandas do cenário independente de Curitiba. Neste sábado, no Guairinha, o Trem Fantasma subirá ao palco para mostrar ao público sua nova formação e brindar todos os presentes com o que sabem fazer de melhor: música. Os escudeiros nesta missão são os não menos importantes amigos do Pão de Hamburguer, outro grupo que simboliza a força da nova cena musical que brota diuturnamente em nossa cidade.

Nessa conversa, Leonardo, Marcos, Yuri e Rayman tratam de temas singelos e relevantes, como o processo de composição e a paixão pueril pela música, arte que permeia a vida de cada um deles. A cada um deles, o nosso imenso agradecimento.

Cheers!!!

1. Dia 26/06, o Trem Fantasma retornará oficialmente aos palcos de Curitiba, aproveitando para apresentar ingualmente Marcos Dank como novo integrante do grupo e, também, para encerrar este produtivo hiato da banda nos últimos meses. Deste modo, como se deu o ingresso de Dank no Trem? Surgiu como uma oportunidade de acrescentar mais um elemento criativo à sonoridade do grupo ou como uma necessidade de deixar a composição sonora e apresentação mais soltas, por assim dizer, uma vez que o formato de trio, via de regra, acaba por deixar a sonoridade um tanto mais concisa?
R.: Leonardo: A amizade já existia de antes. Conhecemos o Marcos quando ele tocava no Rafaela & Seus Amores, banda que dividiu palco conosco durante duas noites no interior do Paraná. Já cogitavamos a ideia de acrescentar um integrante à banda há muito tempo, pois somente em trio não conseguíamos realizar ao vivo tudo o que gostaríamos (como mais vozes, órgão e bases com harmonias). Quando soubemos que o Marcos se mudaria para Curitiba, pensamos na possibilidade de experimentar com ele. O resultado nos agradou de maneira que bastou um ensaio para estar decidida sua entrada na banda!
Rayman: Tudo aconteceu de um jeito surpreendente! Em apenas um ano, fomos tocar em Pato Branco e Fco. Beltrão, conhecemos o Marcos, ele veio umas 3 vezes pra cá, foi junto com a gente no Psicodália, e fez um ''teste'', que, como ele mesmo disse ''se depender de mim vai ser o primeiro ensaio''. E foi! Ano passado ele fez uma participação num show nosso, em que tocamos uma música dele, ''Recaída'', e rolou como se ele já tivesse na banda! Depois (e até antes) disso, trocamos gravações à distância, fizemos letras e até algumas músicas juntos. Opinamos nas idéias um do outro e já tinha uma amizade com nós 3. Esse é um ponto muito importante na nossa banda, a amizade. Não tem como rolar sem amizade. E com o Leo e o Yuri já é uma amizade de looonga data! E com o Marcos, mesmo recente, já se consolidou através da música! Então não tinha o que dar errado. Já vinhamos sentindo a necessidade de mais um integrante, tanto para expandir os arranjos vocais, como instrumentais e até como idéias para as músicas. Além disso, eu sou muito tímido para cantar sozinho! Começamos a tocar algumas músicas com órgão, tendo a participação do Fred no baixo. Sentimos que em quarteto não faltava nada, já que também gostamos muito de simplicidade. Daí foi um pulo para decidirmos que precisávamos de alguém que cantasse, tocasse uma base quando precisasse e apresentasse também suas composições. E o Marcos encaixou perfeitamente nesse ponto. Tocar em trio é ótimo! É uma escola muito boa. Você aprende a preencher espaços e a pegar uma sintonia absurda! Mas, para nós, chegou em um ponto que precisávamos de mais um integrante. E tudo aconteceu, e vai acontecer, daqui em diante...

Yuri: Olha, acho que o Power trio não é via de regra. Não tem uma linha a seguir. Se fosse assim, a quantidade de integrantes numa banda, cinco, seis, sete, importaria, e todas deveriam ter um número específico de pessoas pra criar qualquer tipo de som. Pode sempre ser limitado ou não. Você sempre pode procurar aperfeiçoar o som de diferentes modos, colocando ou não, mais pessoas. Com a entrada do Marcos, e o Trem agora com quatro pessoas, facilitou muito. Como posso dizer, concretizou uma boa parte de um turbilhão de ideias. Fora a bagagem que ele trouxe.

2. Uma característica marcante do grupo é a integração de diversas influências e vertentes em uma mesma canção. Músicas como "Não Vai Mais Fazer" e "Sua Otária" são provas de que o Trem Fantasma é capaz de apresentar canções em diversos formatos. Como é o processo criativo da banda? Há uma concentração do núcleo criativo em um integrante específico ou todos participam abertamente deste procedimento?
R.: Leonardo: Todos os membros da banda são compositores. Geralmente alguém chega no ensaio com uma ideia, ou uma música pronta (ou quase). O processo de criação em conjunto ocorre de maneira muito natural, e os arranjos em grande maioria são feitos em conjunto.
Rayman: Todos participam e dão idéias. Alguém dá uma idéia, vamos trabalhando ela no ensaio. As vezes em casa fico pensando nas idéias deles, tentando colocar alguma letra ou pensar em algumas partes. E uma vez até compusemos uma música do zero, do nada, no ensaio! As letras ficavam mais por minha conta, e agora contamos com mais um grande apoio do Marcos, tanto nas letras como nas músicas. Todos são criativos, todos tem boas idéias, e o que eu admiro na nossa banda é a capacidade de aceitar qualquer tipo de idéia. Não nos prendemos a algo do tipo ''ah, isso não vai ficar com cara de Trem Fantasma! Então não vamos usar.'' Simplesmente, tudo o que nós tocamos, fica com a nossa cara! E isso que é o mais legal. Por isso, acredito eu, por termos tantas influências e vertentes e por aceitar todo o tipo de idéias, nós temos músicas tão diferentes umas das outras mas com a cara de ''Trem Fantasma''. Acredito que seja um ponto positivo todos terem ao mesmo tempo suas próprias influencias mas que em muitos pontos elas se cruzem.
Isso faz com que (esperamos, né! :D) a gente soe espontâneo e sincero, enfim, soe como o Trem Fantasma deve ser.

Yuri: Cada um tem seu estilo em compor. Mesmo que grande parte das composições sejam do Ray, eu e o Léo também temos algumas que não fogem do estilo “Não vai mais Fazer” e/ou “Sua otária”. Talvez o Marcos tenha uma pegada diferente, mas isso não implica em nada! Pra ser quase direto, queremos a mesma coisa só que em diferentes pontos de vista!
O lema é: VOCÊ JÁ ANDOU DE TREM FANTASMA?

3. Em acordo ao que foi dito antes, é fato que o Trem Fantasma é uma das bandas de Curitiba cuja sonoridade se apresenta de modo mais interessante, consubstanciada ainda mais pela identidade do grupo, presente em cada música, ainda que ambas sejam diferentes entre si. Com a nova formação, o grupo passa a buscar uma espécie de "novo norte" em suas canções, como um meio de ampliar sua significação ou a preocupação da banda é, faticamente, manter e reforçar ainda mais já citada identidade sonora, ressaltando os elementos já existentes?
R.: Leonardo: Essa é uma boa pergunta... para mim, pelo menos, a ideia é não se prender a nada. Fazer tudo que estiver à nossa vontade e alcance. Não queremos perder características que gostamos da nossa formação antiga, como o peso da cozinha segurando um solo de guitarra, mas queremos aproveitar e experimentar cada vez mais!

Marcos: Todas bandas boas da histórica do rock tem "Novos nortes" com o decorrer da sua evolução musical, isso se deve ás influências que a banda ou o compositor está ouvindo na época, todos nós do Trem ouvimos os clássicos, mas continuamos ouvindo coisas novas e tentando fazer algo diferente, mas que sempre alguém em algum lugar vai falar: -Poo.. esses caras soam como tal banda. O jeito talvez seja misturar influências, estilos e deixar a inspiração fazer o resto.

Rayman: Procuraremos fazer sempre algo livre e sincero, e ao mesmo tempo expressivo. Nunca nos prendemos a nenhuma fórmula ou algo do gênero, e pretendemos continuar assim. 

Yuri: O que sair, saiu! Sem rótulos de antes ou depois! Assim que uma banda deve trabalhar.


4. A música, assim como grande parte das expressões artísticas do homem, possue um elemento que nos capta e cativa de um modo muito forte. Via de regra, os artistas logo percebem esta espécie de conexão (quase uma vocação) e, desde cedo, começam a se manifestar e a se comportar de acordo com essa mesma arte. Como foi o contato e amadurecimento de vocês com esse universo da música? Quais são, hoje, as suas principais referências?
R.: Leonardo:  No meu caso o interesse pela música veio muito cedo. Quando tinha aproximadamente seis anos fiz por pouco tempo aulas de piano e flauta doce. Lá pelos dez anos de idade fiquei fissurado pela guitarra elétrica, tendo aulas e também aprendendo muito de ouvido. Há dois anos, depois de uma pausa, voltei ao estudo do violão erudito, e neste ano de 2010 começo a estudar o violão popular. Neste mesmo ano ingressei no curso de Música - Produção Sonora (Bacharelado), na UFPR (Universidade Federal do Paraná). A música é o que me faz respirar!
Minhas referências são muitas, seria impossível dizer todas, mas atualmente, algumas das minhas principais são:
   -Como compositores: Beatles (em especial George Harrison), Arnaldo Baptista, Syd Barrett, Bob Dylan, Chico Buarque,  Vivaldi, Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti.
    -Como instrumentistas: Waltel Branco (também grande compositor, regente e arranjador),  meu mestre do violão Valdomiro Prodóssimo, Wes Montgomery, Paul Kossoff, George Harrison, Baden Powell, BB King, Eric Clapton, e por aí vai!

Marcos: O meu primeiro contato com a música se deu aos meus 6 anos quando comecei a ir em um coral na escola onde eu estudava. Quando eu tinha 10 anos, eu pedi pro meu pai um cd do Pink Floyd (Echoes), que até então eu não sabia do que se tratava, acho que foi aí que tudo começou. Ao contrário dos outros membros do Trem, eu comecei mais tarde a tocar, com treze anos por aí, por influência do Kurt Cobain e do meu irmão mais novo. No meu primeiro mês de aula de guitarra com meu professor Gabriel Elvas, eu cheguei e compus minha primeira música (que era horrível por sinal, rsrsrsr ), mas tinha um riff "grudento" pra caramba, acho foi aí que começou a minha sede de composição. Minhas principais influências hoje são Pink Floyd, Mutantes, Neil Young, Nirvana, Beatles, Stones, Raconteurs, Black Crowes, Doors, Hendrix e mais um monte de coisa que se eu ficar citando aqui vai demorar bastante.

Rayman: Comecei tocando piano, quando criança. Meu pai me ensinou violão e o baixo aprendi sozinho. Me interessei pelo rock por influência familiar, e fui buscando meu próprio caminho a partir do que eu já possuia como bagagem. Hoje em dia procuro me aprofundar no que eu já conheço e buscar sons diferentes, mas minhas principais referências são: Beatles, Mutantes, Arnaldo (carreira solo), Pink Floyd, Syd Barrett, Neil Young, Cream, Nirvana.
Procuro assimilar o que há de mais sincero em tudo o que eu gosto, e é por isso que eu gosto. A viagem da psicodelia, a explosão do grunge e a simplicidade do folk.

Yuri: Como na maioria dos casos, fui iniciado dentro de casa. Minha mãe tem um passado roqueiro e meu pai é apaixonado por futebol. Mesmo assim, o seu Luis, ao me levar para o futebol de todo domingo, também me apresentou a sonoridade do Zeppelin. Assim comecei a correr atrás de coisas boas, que me chamassem atenção. Acredito que cresci musicalmente com dois “puta” músicos/amigos: Rady e Vina. O resto fica guardado na memória pra não ser falado!
Desde cedo, curto o som de uma guitarra bem tocada. Mas foi numa dessas que eu descobri os tambores. Fiz uns dois anos de batera. Posso dizer que não aproveitei tanto, mas o mais importante aprendi: ter o som no coração. (muito obrigado, Wagner) Mesmo Bonham sendo minha inspiração “more”, tenho outros ídolos na música: Rolando Castello Jr, Franklin Paolillo, Jimi Hendrix, Mike Bloomfield,  Ginger Baker, Michael Shrieve, Paul Kossoff, Rita Lee, Lee Marcucci, John Cippolina, Duane Allman, Alvin Lee,  Paulo Teixeira, Eric Clapton, Ivo Rodrigues, Paulo Juk, Luis Sérgio Carlini, Keith Moon, Neil Young, Johnny Winter, Steve Winwood, Steve Marriot, Jorma Kaukonen, Arnaldo Baptista, Sérgio Dias... Beatles e Zeppelin.

5. Curitiba é, quase sempre, associada com o termo cultura. Seja pela história da cidade ou (em caso atual), pela densa publicidade percebida neste sentido, para muitos nossa Capital é uma espécie de berço profícuo para as mais diversas manifestações artísticas. No entanto, no que toca o cenário musical, vê-se que Curitiba é, hoje, mais um pólo reprodutivo do que criativo. Como a banda avalia o cenário musical curitibano atualmente?
R.: Rayman: Eu acredito que desde muito cedo Curitiba teve uma produção cultural absurdamente qualitativa. Seja com a poesia do Leminski, da música d´A Chave e do Blindagem, ou com tantos outros poetas e músicos que marcaram a nossa cidade. Mas, na minha opinião, a cultura daqui é mais reconhecida do que consumida.
Acredito que arte, para ser arte, precisa ser sincera e espontânea. Mas é difícil para os artistas se manterem se sua arte não é valorizada. Todos já ouviram falar do Leminski, mas quantos já compraram seus livros?
Já ouviram falar do Blindagem, mas quem vai nos shows prestigiar a banda, ou compram seus discos?!
E hoje em dia, inseridos na cena, conhecemos muitas bandas boas. Muitas MESMO! Infelizmente ainda existem algumas bandas que se prendem a rótulos totalmente gastos e sem conteúdo, e que acreditam estar fazendo algo de vanguarda. Acredito que não é fácil fazer uma música que soe inovadora, algo que nunca foi escutado. Ainda mais se tratando de ROCK. Mas é exatamente esse o ponto: reprodução ou criação. Reproduzir sem sinceridade é ridículo. Isso não é arte. A música tem que partir do coração. Isso falta em algumas bandas, e sobra em muitas outras. Felizmente, tem mostrado que se sobra mais do que falta. Mas, mesmo com tanta qualidade, falta o público valorizar mais o que Curitiba tem para oferecer.

Yuri: A cena é excelente e egoísta!

6. O Trem Fantasma está para concretizar um passo importante em sua carreira, com o retorno aos palcos, a apresentação de uma nova e produtiva formação, bem como a gravação do show no Teatro Guaíra. É possível traçar os planos do grupo para este segundo semestre de 2010?
R.: Rayman: Temos o show do Guairinha, no dia 26; uma breve turnê pelo interior; e também vamos gravar e apresentar o acústico Mundo Livre. Além disso, vamos dar sequência em shows aqui em Curitiba, compor novas músicas e gravar o quanto antes.
 
Yuri: Acho nós quatro desejamos muita coisa boa. Espero que outros também!

7. O já citado oficial retorno aos palcos, no dia 26/06 no Guiairinha, será também uma oportunidade festiva. Além de dividir o palco com o Pão de Hamburguer, outro nome de referência criativa no rock curitibano, haverá também a gravação do show em formato de DVD, primeiro trabalho desta natureza a ser concretizado por ambas as bandas. Qual a sensação que abarca o grupo neste momento? É possível adiantar ao público como será a estruturação deste show? Enfim, que surpresas a banda está programando? 
R.: Rayman: Estamos ansiosos para o show! Haverão muitas surpresas, mas para descobrir, só indo no show! :D

Yuri: O Pão de Hamburguer é a minha banda preferida no cenário independente e atual daqui de Curitiba. Pra ser totalmente correto, Pão de Hamburguer e Mesa Girante. Estou muito feliz de tocar ao lado de parceiros com quem vale muito à pena compartilhar experiências musicais e até coditianas. Até agora tivemos um ensaio visando o projeto das duas bandas. Posso adiantar uma coisa: Vai ser muito bacana todo mundo junto agora! Agora não!Mas no dia 26 de junho de 2010! Caso contrário, quando estiver pronto, assista em DVD no conforto da sua casa. Mas...Mais confortável que sua casa, só o Guairinha, pô! Apareçam lá!


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Posto isto, é nosso dever e honra comparecer, dia 26/06, ao Teatro Guaíra, para prestigiar este espetáculos com as duas melhores bandas de Curitiba!

Aos desavidos e alienados, eis as dicas:

TREM FANTASMA & PÃO DE HAMBURGUER

Data: 26/06/2010 (Sábado)
Local: Teatro Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha) [Rua XV de Novembro, esquina com a Rua Tibagi - Centro - Curitiba - PR)
Fone: (0xx41) 3315-0979
Valores: R$ 10,00 / R$ 5,00 (meia entrada c/ carteira de estudante)

OUÇA MÚSICA CURITIBANA!!!!

***Trem Fantasma:

- Myspace: http://www.myspace.com/tremfantasma
- Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=17321211626804785977

*** Pão de Hamburguer:

- Myspace: http://www.myspace.com/paodehamburgue
- Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=mp&uid=8598141906945261240
 






quinta-feira, 3 de junho de 2010

26/06 - Trem Fantasma e Pão de Hamburguer


É engraçado como, geralmente quando o tempo vira abruptamente, a situação atual das coisas também tende a virar rapidamente. Curitiba, por exemplo, há pouco trocou o Sol certo pela sua intermitente aparição, sempre acompanhado de um vento gélido que sempre nos faz lembrar de tentarmos a nos aquecer ao máximo. Ratificando esse exemplo, a cena musical da cidade seguiu a mesma trilha: quando tudo parecia ter caído naquela mesmice que todos sabemos de trás para frente, duas das melhores referências do rock curitibano pretendem mostrar que, do frio, também pode exsurgir o calor. No dia 26/06, Trem Fantasma e Pão de Hamburguer subirão ao palco do lendário "Guairinha" para prover uma memorável apresentação.

Depois de uma breve pausa ensejada com o fim de concretizar e lapidar ainda mais o seu material, o Trem Fantasma retorna aos palcos com um novo integrante, fato que certamente garante ainda mais a interessante construção sonora que a banda sempre apresentou. A festa é completada pela presença do Pão de Hamburguer, excelente grupo que dispensa rotulações para engendrar suas canções: trata-se de música (muito) boa, e ponto final. O termo festa não foi utilizado à toa. Levando em consideração o temperamento e personalidade aprazíveis das duas bandas, é de se imaginar que, além de boas risadas, vamos ter a garantia de uma noite regado ao melhor rock n' roll que Curitiba pode prover aos seus amantíssimos filhos.
 
De quebra, essa noite ímpar ainda será um registro importante: da apresentação, ao que tudo indica serão advindos um dvd duplo e um cd. Veja-se que esse fato não representa a simples e perene lapidação de uma gravação ao vivo. É a prova de que a cena desta cidade está, novamente, dando seus passo em direção à nova e criativa arte de nossos artistas, que cada vez mais levantam-se contra a repetição que hoje vemos. Quiçá, mais do que isso: é a prova insofismável de que, cada um ao seu modo, podemos trazer à tona os mais (im)prováveis objetivos.
Portanto, dia 26/06 é uma noite importante e relevante para o rock e para a música curitibana. É a obrigação de todos nós comparecermos oa Teatro Guaíra e prestigiar esses dois grupos que fazem, a cada dia, o termo "música curitibana" associar-se à adjetivação "alta qualidade". Nos vemos, todos, lá!

Informações:

"Trem Fantasma & Pão de Hamburguer"
Data: 26/06/2010
Hora: 20:00 hrs
Local: Teatro Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha)
Valores: R$10,00 (R$ 5,00 c/ carteira de estudante)

Acesse também:

 - Trem Fantasma: www.trem-fantasma.com
 - Pão de Hamburguer: www.myspace.com/paodehamburgue

Mais detalhes: confiram a entrevista exclusiva com o Trem Fantasma e com o Pão de Hamburguer aqui no Rock Pensante.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

1980 - Women in Uniform (Single)

Na sequência do sucesso provido por "Sanctuary", o Iron Maiden lança em outubro de 1980 o single "Women in Uniform", cover do grupo australiano Skyhooks e apresentada ao público dois anos antes, em 1978. Na capa do single, mais uma brincadeira de Riggs: vê-se a "revanche" de Thatcher, que espera em tocaia por Eddie, com uma Sterling em punho, trajando vestes militares, em consonância à sugestão dúplice do título, uma vez que as beldades que o acompanham usam outro tipo de uniforme: de enfermeiras nada comportadas.

Muito embora esta interessante atmosfera tenha permeado o lançamento do single, o resultado final de "Women in Uniform", nos moldes utilizados em estúdio, não agradaram em nada a banda (em especial Steve Harris), isto pela distância da versão contida no single da versão on stage apresentada pela banda corriqueiramente.

No entanto, é inegável que "Women in Uniform", à exemplo de seu predecessor "Sanctuary", serviu como "pé-de-apoio" para o Maiden lançar ainda mais seu produto. Com este single, a banda conseguiu gravar seu primeiro clip promocional oficial, sob a direição de Doug Smith, vídeo este gravado no Rainbow Theatre de Londres, que abrigou shows de grandes bandas (como Ramones, Beatles, Beach Boys e Sinatra) e, hoje, serve como "teto" para uma igreja petencostal. Além da faíxa-título, "Women in Uniform" traz também a versão de estúdio de "Invasion"  (originalmente apresentada em "The Soundhouse Tapes" e, posteriormente, no compêndio "The Best of B-Sides") e o registro ao vivo de "Phantom of the Opera", que reitera a preocupação do grupo em evidenciar sua pontência e volume sobre o palco. Como se ainda houvesse algo a ser justificado.

Cheers!!!

1. Women in Uniform
2. Invasion
3. Phantom of the Opera (live)

CLIQUE AQUI P/ FAZER O DOWNLOAD.

1980 - Sanctuary (Single)

"Sanctuary" foi o segundo single oficial (primeiro após o advento do disco de estréia da banda) lançado pelo Iron Maiden, isto aos idos de 23 de Maio de 1980, 30 anos atrás. Impulsionados com o a boa recepção de "Running Free" e as excelentes respostas de crítica pelo disco de estréia (acrescido ainda mais pelo culto à New Wave of British Heavy Metal), o Iron Maiden alçou a publicidade que lhe faltava com este single, cuja capa em formato original causou polêmica. Ora, também não é por menos: uma banda inglesa colocando em uma capa de single um monstro matando a primeira-ministra de seu país causaria, no mínimo, um forte impacto aos conservadores britânicos que, ainda hoje, não são poucos. Derek Riggs, idealizador magistral de Eddie, explica no documentário "The First Teen Years" que a capa do single fora inspirada em uma passagem da letra de "Sanctuary": "I never killed a woman before, but I known how it feels" ("eu nunca matei uma mulher antes, mas sei como é"). Somente depois, com o modelo da capa já pronto, é que os próprios membros da Donzela sugeriram a inclusão do rosto de Margareth Thatcher ao lugar da mulher originalmente desenhada.

Ao contrário do que se poderia supor, o impacto causado foi positivo, sendo que a capa de "Sanctuary" fora de fato conceboda como uma brincadeira com a "Dama de Ferro" inglesa, e com a crise que o país atravessava. E, com isso, toda essa atmosfera fez crescer ainda mais o público que o Maiden galgava toda a semana, através de shows e pequenas tours. Nos Estados Unidos, "Sanctuary" foi incluída como faixa bônus do primeiro disco da banda; e, até os dias de hoje, a canção marca presença nos shows do grupo.

 "Sanctuary", além da faixa-título, traz também um registro on stage de "Drifter", gravada durante um show da Donzela no Marquee de Londres. A versão desta canção (ainda oficialmente inédita, pois seria lançada no rol de músicas de "Killers", de 1981) é um pouco mais extensa, pois conta com a participação ativa do público durante uma brincadeira de Di'anno: em dado momento, o vocalista estimula a platéia a acompanhá-lo em uma paródia de "Walking on the Moon", do "The Police". De fato, nunca o "yo, yo, yo" de Sting havia soado tão pesado. Como complemento, o single também traz uma cover ao vivo: "I've Got the Fire", originalmente assinada pelo Montrose (banda formada orignalmente em 1973, que contava com Sammy Hagar nos vocais), também é capturada durante o mesmo show no Marquee.

Em análise final, "Sanctuary" era a cereja que faltava ao bolo sonoro do Iron Maiden. Além de uma sadia publicidade, foi através deste single que a banda conseguiu complementar ao grande público a prova de que eram uma banda extremamente densa e vivaz sobre o palco. Vale muito a pena ouvir este belo e histórico registro do grupo.

Cheers!!!

Set List:

1. Sanctuary
2. Drifter (Live at The Marquee, 1980)
3. I've Got the Fire (Live at The Marquee, 1980)
4. Listen with Nicko*** (esta gravação de audio feita pelo atual baterista da banda foi incluída no lançamento remasterizado dos álbuns e singles do grupo, não integrando a estruturação originalmente publicada em vinil de 7'' e 12''45 rpm)

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1985 - Marching Out

Se com "Rising Force", Yngwie J. Malmsteen havia dado provas concretas de sua capacidade técnica, com "Marching Out", segundo álbum oficial de sua carreira, o guitarrista provou ser capaz também de se destacar em canções de formato diverso do instrumental, implementando ainda mais sua influência clássica no hard rock. Neste disco, composto por faixas mais pesadas e simples que o álbum precedente, Malmsteen também aproximou-se das tendências do power metal e conseguiu traçar e evidenciar um trabalho denso e robusto, merecedor de atenta audição.

A segunda faixa do álbum deixa claro este pressuposto: "I'll See the Light, Tonight" sustenta-se em um riff extasiante capaz de sacudir o mais desatento ouvinte. Jeff Scott Soto assevera ainda mais a sua importância na carreira de Malmsteen, sendo igualmente um dos responsáveis pelo êxito dos objetivos doi guitarrista. Tão verdadeiro é este fato que Soto chega a assinar sozinho uma das canções de "Marching Out": "On the Run Again". Ainda que estes primeiros discos da carreira de Malmsteen tenha sido lançados sob o signo em destaque de Rising Force (basta olhar a capa para perceber isso), não havia dúvidas que aquela era a banda de Yngwie Malmsteen.

Por conseguinte, "Don't Let it End" e "Disciples of Hell" mantém viva a atmosfera criada por "I'll See the Light, Tonight". No entanto, não é apenas de belos momentos que "Marching Out" é composto. "I Am a Viking" é um belo exemplo disso: dotada de uma letra mal estruturada, a canção acaba por se tornar repetitiva durante o seu desenvolvimento.

Das 11 canções do disco, apenas três são instrumentais ("Prelude", "Overture 1383" e "Marching Out") e, ainda assim, apresentam-se de modo diverso das faixas instrumentais de "Rising Force", mais complexo e bem acabo. No entanto, não se pode duvidar da importância de "Marching Out", que condicionou e fertilizou o terreno para que, em "Trilogy", Malmsteen acertasse a mão na medida certa entre a construção artística de músicas não instrumentais e o equilíbrio de sua virtuose calcada na música clássica.

Cheers!!!

Set List:

1. Prelude
2. I'll See The Light, Tonight
3. Don't Let it End
4. Disciples of Hell
5. I Am a Viking
6. Overture 1383
7. Anguish and Fear
8. On the Run Again
9. Soldier without a Faith
10. Caught in the Middle
11. Marching Out.

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terça-feira, 1 de junho de 2010

1984 - Rising Force

Depois de alçar passos iniciais consideráveis com as bandas Steeler e Alcatrazz (que contava com o peso do nome de Graham Bonnet nos vocais), Yngwie Johann Malmsteen (ou verdadeiramente batizado Lars Johan Yngve Lannërback) mostrou ao mundo sua verdadeira força com "Rising Force", primeiro disco oficial de sua primorosa carreira solo.

Logicamente, Malmsteen é muito mais que um simples virtuoso das seis cordas. A simbologia que o envolve transpassa mais do a observação de um gênio com seu instrumento: Malmsteen representa e simboliza a concretização da condensação do hard rock com o classicismo.

Sueco de nascença, Yngwie Malmsteen foi, desde cedo, incentivado a dedicar-se à música. Aos cinco anos, iniciou seus estudos em (vejam só) trompete e piano, prontamente encerrados seu muita discussão: por mais incrível que possa parecer, a idéia de se dedicar à um instrumento era inaceitável para a violenta e agitada personalidade do pequeno Yngwie. Em 1970, com sete anos de idade (dois anos após largar o piano e o trompete), o jovem Malmsteen assitiu na televisão uma homenagem à Jimi Hendrix, que havia falecido há poucos dias. Yngwie ficou transtornado com o que viu: a imagem de Hendrix incendiando e destruindo sua guitarra teve um impacto intenso em sua vida e, literalmente, o Yngwie Malmsteen como nós conhecemos nasceu exatamente quando Jimi Hendrix nos deixou.

Seu empenho no estudo das seis cordas o fez abandonar a escola e respirar guitarra 24 horas por dia. Rapidamente, Malmsteen encontrou em Ritchie Blackmore uma referência insofismável: Yngwie adotou e acelerou a técnica de picking evidenciada originalmente por Blackus. E, tendo eleito o hard rock em essência como seu norte, Malmsteen teve contato com uma das grandes influências de Blackmore: a música clássica. E, por mais que os trabalhos que antecederam este primeiro disco denotassem um estilo diverso, Malmsteen desde cedo evidenciou essa fusão do hard com a complexidade trazida pela música clássica.

 São justamente estes elementos que esteiam "Rising Force", álbum que abre o trabalho solo de Malmsteen. Seu talento incomparável como guitarrista foi prontamente reconhecido e, com seu disco de estréia (composto em sua totalidade por canções instrumentais, com exceção "Now Your Ships Are Burned" e "As Above, So Below") conseguiu um feito inédito: ser comercialmente rentável (com uma qualidade artística incontestável) conseguir uma indicação ao Grammy de "Melhor Disco de Rock Instrumental" no ano de seu lançamento.

"Rising Force" (que inicialmente fora concebido como um projeto paralelo do Alcatrazz) traz algumas pérolas eternas de Malmsteen, como "Black Star" e "Far Beyond the Sun", abrilhantadas ainda mais pela participação de Barrie Barlow, lendário baterista do Jethro Tull. "Now Your Ships are Burned" também se destaca pela participação marcante de Jeff Scott Soto, indiscutivelmente uma das maiores vozes do hard rock surgida a partir da década de 80. "Evil Eye" traz o peso característico de Yngwie Malmsteen, que seria melhor desenvolvido nos dois discos posteriores do guitarrista, "Marchin' Out" e "Trilogy". "Icarus Dream Suite Op.4" evidencia a marca clássica que Malmsteen ostenta com orgulho, sendo uma das canções mais bem trabalhadas do disco.

Se hoje falamos em neo-classical metal e em power metal como estilos e desinências perenes do heavy rock, seguramente devemos uma parcela dessa segurança à "Rising Force" e aos posteriores trabalhos de Yngwie J. Malmsteen. Força e densidade são bons sinônimos à este disco.

Cheers!!!

Set List:

1. Black Star
2. Far Beyond the Sun
3. Now Your Ships Are Burned
4. Evil Eye
5. Icarus Dream Suit Op. 4
6. As Above, So Bellow
7. Little Savage
8. Farewell

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