terça-feira, 27 de julho de 2010

De Volta em Preto: os 30 anos de Back in Black

Em 25 de Julho de 1980, há exatos 30 anos e 2 dois dias, era lançado o sétimo álbum do AC/DC. Até aí, nada demais. No entanto, após a morte de Bon Scott em 19 de fevereiro daquele mesmo ano, muitos duvidavam que a banda lançasse algum material novo, ainda mais em momento próximo ao falecimento de seu vocalista. Ok, mesmo assim, nada disso é muito surpreendente. Na verdade, a grandiosidade de "Back in Black" reside, principalmente, nas circustâncias havidas ao seu entorno (que o puxavam para baixo de todas amaneiras possíveis) e na grande vitória que álbum representa. Afinal, este é o disco de rock mais vendido da história e o segundo mais vendido em todos os tempos, dentre todas as vertentes musicais, perdendo apenas para "Thriller", de Michael Jackson.

Em 1979, o AC/DC estava no auge de sua força. Com o sucesso de "Highway to Hell", lançado julho do mesmo ano, e a consolidação da banda como nome forte do rock n' roll, o grupo firmava o pé e ocupava um espaço cada vez maior no cenário musical internacional. O AC/DC não era mais uma banda da Austrália: era uma banda do mundo, pertencente à ele e com a missão da sacudí-lo o quão possível  fosse. Quando Bon Scott partiu sozinho em um carro estacionado no frio de Londres, devastado e longe de ser (ou aceitar a ser) o símbolo que representava, era como se estivesse à deriva, e a sensação que se tinha sobre a banda era que o AC/DC seguiria pelo mesmo caminho e acabaria por silenciar seu trabalho com um trágico fim. 

Todavia, seja pelo destino ou por alguma outra razão que em grande parte das vezes transcende a nossa compreensão, essa não foi a postura adotada por Malcolm e Angus Young. Com a benção da família de Bon, o AC/DC seguiu em frente para dar sequência à sua obra e mudar a história do rock. Ao escolher o antigo vocalista da banda Geordie para assumir a função insubstituível de Bon Scott, a banda se refugiou sob o Sol das Bahamas para gravar o novo disco no Compass Point Studios, em Nassau. O local era um verdadeiro paraíso, e o estúdio já havia recebido lendas como Ringo Starr e Alice Cooper e, em menos de dois anos, seria a nova casa na qual o Iron Maiden gravaria seus álbuns essenciais. Mas, ainda assim, Brian Johnson sentia-se inseguro sob a sombra de Bon Scott.

As letras foram trabalhadas de modo singelo pela já conhecida parceria dos irmãos Young, agora acrescida com o novo talento de Johnson. Era nítida a diferença de personalidade entre ele e Bon mas, em certo ponto, era isso que a banda procurava e todos sabiam que não havia em qualquer canto do planeta outro Bon Scott, seja em sua capacidade de escrever letras brilhantes e carregadas de significações dúbias ou simplesmente em sua performance no palco. O mesmo ocorreu com a musicalidade do disco: quase todas as canções foram concebidas de modo crú, e o produtor Robert "Mutt" lange soube captar e manter esse espírito durante as gravações. Assim, com esse caminhar rápido, Johnson sentiu-se, enfim, como parte integrante dessa família. O resto, como todos sabem, é história. 

Talvez essa seja a maior razão para que "Back in Black" seja recheado por pérolas. Era como se a desgraça que a banda havia abarcado tivesse, de certo modo, lhe dado uma força criativa que dificilmente seria revista. Afinal, todas as canções do álbum apresentam uma característica especial, desde aquelas que tornaram-se hinos e encontram-se presentes nos set list's ainda nos dias de hoje, até o restante do disco. O curioso é que, em diversos momentos, mesmo com a voz de Brian Johnson nos guiando, parece que nos é possível e permitido sentir a presença de Bon. Isso fica mais evidente em "Let Me Put My Love into You", canção próxima aos moldes de Scott e que funcionou perfeitamente em "Back in Black". "Shoot to Thrill" e "Rock and Roll Ain't Noise Polution" também evidenciam o brilhantismo do grupo em lapidar quase que inconscientemente as suas canções, assim como em "Shake a Leg". As demais, como "Hells Bells", "Give the Dog a Bone", "You Shook Me All Night long" e a própria faixa-título dispensam comentários: são um verdadeiro legado da banda para a humanidade.

Olhando para a história do grupo, também é possível perceber que o AC/DC é uma das poucas bandas que não se preocupam em singrar por novos mares em busca de novas sonoridades. Sua música é uma espécie de patrimônio do qual a banda é incapaz de se desfazer. É fato: há quase 40 anos o AC/DC utiliza a mesma fórmula sem ser repetitivo ou vazio, fazendo e produzindo o que tem de melhor, uma música direta, objetiva e capaz de sacudir até o mais denso efermo. Sobre este fato, "Back in Black" representa uma espécie de coroação, como a amostra da força da banda que, em seu pior momento, foi capaz de brindar o mundo com um dos melhores discos de rock da história, capaz de ser agradável até nos ruídos que dividem as canções em seu formato original, em vinil. É o rock n' roll em sublimação, captado no ar e transformado em arte, como há muito não é feito.

4 comentários:

  1. Muito certo Rafael referente ao que diz sobre esse disco.
    Ainda posso me gabar de ter a versão em Vinil e poder sentir as vibrações sonoras e outras desse álbum.

    Abraços.

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  2. Realmente Back in Black será lembrado séculos a frente como um dos maiores legados daquilo que se definiu simplesmente por Rock. Hoje em dia acredito que genialidade musical não precisa necessariamente ser complexa, mas sim passar uma mensagem capaz de transportar para uma outra dimensão através das notas que ecoam na sua mente e no seu coração. Angus Young é um gênio.

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  3. Um dos melhores álbuns clássicos que o rock já presenciou. A característica da banda não mudou. Até o "Black Ice" percebe-se um som e vocal bem trabalhado.

    Parabéns pelo texto.

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  4. Eis um álbum que merece ser discutido sempre. Ainda que seja simples e objetivo, poucos foram os registros que se igualaram a "Back in Black".

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