quarta-feira, 28 de julho de 2010

Te Extraño


- Imagine que você acorda para mais um dia de trabalho. Com os olhos pesados, mareados de estafa e tédio, levantar da cama é uma verdadeira batalha, que você sabe ser capaz de vencer, mas, ainda assim, se rende à ilusória dificuldade. Com atraso, você chega ao pé da soleira e contempla o óbvio: mais uma manhã cinza, sem norte ou qualquer expectativa. A cada passo em direção ao seu destino final daquele dia, no meio da fumaça do cigarro barato, você escuta, ao longe, uma fina canção. Abandona o trajeto inicial e passa a perseguir a música como se fosse um pedaço de comida: a fome é mais forte que você. Mais perto, a música começa a tomar contornos, formas e cores até se tornar um objeto sublimado da sua imaginação. A manhã adquire as cores da música; as ruas, a forma da canção; e você não consegue conter um lento sorriso que escapa de seus lábios. A sua fome (não de pão, mas sim de luz e prazer), é, enfim, posta a termo. 

Este poderia ser um trecho extraído de qualquer peça "rodrigueana", mas não se trata disso: é o fiel relato daquele que, sem querer, ouve a música de Te Extraño. Se antes apenas pincéis e paletas eram capazes da prover cores e tons, agora, depois de ouvir as canções, é possível acreditar que a música também seja capaz de tal tarefa.
 
Mas, na verdade, Te Extraño talvez seja mais do que boa música. É também, junto com outras tantas bandas curitibanas que cotidianamente aqui mostramos, a prova de quão fertil é o solo criativo desta cidade amarrada em reprodução. Certamente, esta é uma pespectiva possivel de se compreender até mesmo se analisarmos a história do grupo, que apesar de ainda não ser tão longa, poderia ser recitada por diversas pessoas que ainda não os conhecem. A banda surgiu do fim de outro grupo, Poléxia, que acabou por formar o núcleo essencial do Te Extraño, com Neto (bateria), Edgar Lino (guitarra), Eduardo Cirino  (teclado/escaleta/kaoos pad e programação) e Edi Torres (teclado/backing vocal) em sua formação. Pouco tempo depois, a vocalista Carol Alencar e o baixista Marcelo Esturilho "fecharam" o grupo e, desde então, vêm juntos construindo a crescente história da banda.

A primeira vista, é um tanto complexo definir a sonoridade de Te Extraño. Provavelmente isto resulta das diversas influências que permeiam a formação cultural e musical dos integrantes, que vão desde Pixies, Elvis e Roger Waters até Nirvana, Sonic Youth e, vejam só, Zé Ramalho. Mas, como em todo o grupo, há uma pedra fundamental identificável: é quase impossível ouvir canções como "Ao Som do Soul" e "Florais" e impedir que venha-nos à mente a sonoridade dos anos 80. Logicamente, o formato é híbrido, mesclado pelas diversas influências acima referidas (e outras tantas), mas parece que os 80's representam um espécie de "norte" à banda, para que se possa construir o trabalho da melhor forma possível.

E é justamente nesse ponto que chegamos ao melhor momento. Atualmente, a banda conta com três canções devidamente finalizadas,  e outras tantas apresentadas em shows. Além disso, o Te Extraño é uma das bandas selecionadas por Vlad, Virgílio e Moon para o projeto Gravando Curitiba. As canções escolhidas serão "Cardumes de Cetim", "Florais", "First Class", "A Fuga" e "Rendez-Vous". O lançamento do EP, à exemplo das demais bandas, será no TUC de Curitiba, no dia 11 de Setembro. Antecipando um pouco desse trabalho, é possível conferir no MySpace do grupo três excelentes músicas: "Cardumes de Cetim", "Florais" e "Ao Som do Soul". Todas as faixas guardam características especiais, que mesclam-se para apresentar um resultado interessantíssimo.

Prova disso percebe-se, primeiramente, em "Cardumes de Cetim", que trafega por diversas vertentes apresentando diversas sonoridades, como os teclados dos 80's e uma frase de seis cordas impressionantemente atual. É uma espécie de contra-ponto, como se a banda mostra-se dois horizontes e indicasse que é possível, sim, aproveitar o máximo de ambos. Aliás, essa é uma constante vista e observada na banda: todos os instrumentos são muito bem objetivados, como se a preocupação inconsciente de aparar arestas tivesse cumprido com seu objetivo. "Ao Som do Soul" representa bem essa premissa, um verdadeiro passeio pela alternância do silêncio lentamente preenchido pela bateria, voz, guitarra, baixo e teclado.

Afora todos esses elementos, talvez o "pulo do gato" de Te Extraño resida em outra paragem que não única e exclusivamente musical. Isto porque as músicas da banda fazem o ouvinte pensar. Isto mesmo, pensar, simples assim. Certamente, cada ouvinte, cada sujeito, pensará de um modo, ou em algo específico. Mas é certo que, seja lá o que estiver passando ou passeando pela sua cabeça, se tornará mais intenso ao som de Te Extraño. A essência calma do grupo é uma espécie de convite à reflexão, que se completa quando prestamos atenção nas letras entoadas por Carol Alencar. Hoje, contamos nos dedos de uma mão as bandas que são capazes de tal feito.

Talvez por esses fatores, Te Extraño, em primeira impressão, soe mais "convidativo" e "íntimo" àqueles que estão mais próximos ao som de diversas bandas dos anos 80 e dos dias de hoje, como Legião Urbana e The Magic Numbers. Mas, como assevera com orgulho a própria Carol, o objetivo da banda é fazer boa música, sem rótulos ou limitações negativas. É a paixão pela música que guia o Te Extraño, o resto, é simples consequência. Consequência esta, seguramente, a melhor possível.

Cheers!!!


Informações sobre a banda!

Carol Alencar - Voz
Edgard Lino - Guitarra
Eduardo Cirino - Teclado, Programação, kaoos pad
Edi Torres - Teclado, Escaleta e Backing Vocal
Neto - Bateria
Marcelo Esturilho - Baixo

Te Extraño no MySpace: www.myspace.com/espacoteextrano

Lá, é possível conferir as seguintes canções:

1. Cardumes de Cetim
2. Florais
3. Ao Som do Soul

Acompanhe Te Extraño no Wordpress: http://teextrano.wordpress.com/ 
Espaço reservado à divulgação do grupo, com fotos, release e notícias.

Acompanhe Te Extraño no Projeto Gravando Curitiba: http://www.gravandocuritiba.com.br/bandas_teextrano.php

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