terça-feira, 2 de novembro de 2010

Plexo Solar: Nova Música, Novo Som



Nelson Rodrigues, lá pela segunda metade do século passado, dizia que bom mesmo é quando as coisas ocorrem depressa. Com a música, em raras exceções, as coisas funcionam igualmente bem deste jeito: é sempre gratificante ver quando novos "construtores" aceleram positivamente a demonstração de sua arte, fazendo do relógio um aliado ao invés de um obstáculo. Com o Plexo Solar foi assim: depois de sua primeira apresentação em julho deste ano, sob a égide e incentivo da banda Trem Fantasma, o grupo utilizou muito bem o seu tempo e, hoje, todos já podem aproveitar o primeiro EP do grupo em seu MySpace. Ainda bem.

O Plexo Solar consolidou-se em 2009, ano ainda recente, sob o formato de power trio, com iniciativa dos amigos e guitarristas Alexandre Provensi e Matheus Godoy . Com as idas e vindas normais de uma banda em início de caminhada, o baixista Fred Romero juntou-se ao grupo e Marcelo Liberato assumiu a regência das baquetas do Plexo, transformando a banda em um quarteto, formação atual que consolidou as gravações inéditas em questão. Essa alteração de "formatação" por vezes é essencial e, com raríssimas exceções, imprescindível para o crescimento criativo da banda. Exemplos desta regra são vistos no Trem Fantasma - banda originada no power trio que ampliou sua gama criativa e seu alcance com a chegada de Marcos Dank - e o Pão de Hamburguer, que também começou como trio e atualmente conta com 5 integrantes. Nem é preciso dizer que ambas as bandas, hoje, estão fazendo história.

Pois bem. Da fonte musical provida pelos Beatles, Beach Boys, Mutantes e Novos Baianos é que surgiu a base fundante da sonoridade do Plexo Solar. Nas 4 canções que compõe o EP de estréia da banda ("Crime no Alvoredo", "Enquanto o Dia Passa", "Insano e Salvo" e "No Escuro") os elementos criativos das influências acima citadas encontram-se presentes; basta ouvir com atenção as faixas para chegar a tal constatação.

"Crime no Alvoredo", canção responsável por recepcionar o ouvinte, recria a atmosfera de um assassinato ocorrido na capital gaúcha nos anos finais do século XIX. A faixa foi originalmente concebida por Alexandre Provensi, mas jamais teria se concretizado sem a participação incisiva dos demais integrantes: Matheus acolchetou muito bem as linhas de guitarra em formato de slide enquanto Marcelo improvisa um solo vocal que aproxima-se a sonoridade musical de, vejam só, um trompete. Outra colaboração fundamental percebida nesta faixa é a execução de piano reverberada por Hermann Ruthes, responsável também por abrir as portas da Polizu Records ao Plexo Solar. Com tudo isso, "Crime no Alvoredo" consegue conduzir fielmente o ouvinte por um porão de Porto Alegre do século XIX: a canção se desenvolve e cresce com facilidade, envolvendo o ouvinte sem perceber.

"Enquanto o Dia Passa", por sua vez, pauta-se em uma construção musical mais focada nos vocais para alterar a atmosfera criada pela canção de abertura, dando um ar introspectvo e intimista à audição. Novamente, a participação de todos os integrantes foi fundamental para o alcance do resultado final percebido. Talvez por isso o nome da banda não poderia ter sido melhor escolhido: se "plexo" quer significar uma espécie de entrelaçamento e comunicação de nervos, formando uma rede única e comunicante, o objetivo foi alcançado. Mas também não podemos esquecer o significante provido pelo ocultismo sobre o que seria o "plexo solar": uma espécie de centro da vitalidade e da circulação nervosa, de que parte o impulso motor do coração. Sabendo dessas perspectivas, ainda que de modo inconsciente, a audição das canções da banda fica ainda mais interessante.

A faixa seguinte, "Insano e Salvo", aumenta ainda mais a atmosfera instrospectiva criada pela canção precedente. Dotada de uma letra inteligente que nos conduz à uma relevante reflexão sobre a nossa parca sanidade, a música toca na alma de quem a ouve de diversos modos. Nela, além da influência vocal beatle percebida no eterno "Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band", a expansão instrumental também impressiona. Quando "Insano e Salvo" libera seus primeiros ruídos, a impressão que temos é a do surgimento de uma canção concisa e direta. Mas antes do fim do primeiro minuto já esquecemos essa premissa: a sonoridade trafega em tantas vias que nos perdemos deliciosamente em suas variáveis. "Insano e Salvo" contou ainda com a ímpar participação de Rayman Juk, do Trem Fantasma, no órgão analógico.

A faixa derradeira, "No Escuro", troca todos os elementos providos pelas 3 canções anteriores e aposta na surpresa para conquistar quem a ouve. O verso inicial, acompanhado pela frase de seis cordas que abre simultaneamente a canção, deixa de remeter o ouvinte a John Lennon para introduzí-lo à inspiração da musicalidade brasileira. Wilson Simonal iniciou uma de suas famosas pérolas, "Não Vem que Não Tem", do mesmo modo que Alexandre Provensi reverberou o seu "Eu te disse", neste EP. O balanço, o tom e a intenção são similares. A troca de tonalidade foi benéfica: "No Escuro" consegue navegar por diversas influências sem tirar totalmente o pé da sonoridade forte do rock n' roll, como provam os dois solos insculpidos na canção. Talvez por ser um dos mais antigos trabalhos do Plexo Solar, "No Escuro" tenha trocado tanto de roupagem ao longo do tempo. O riff que encerra a canção também merece aplausos.

As canções que compõem o EP do Plexo Solar contaram, além da produção de Hermann Ruthes, com a atenção singular de Leonardo Montenegro, guitarrista do Trem Fantasma, para a lapidação da sonoridade das seis cordas. O resultado não foi apenas relevante, como também impressionante, vez que cada canção consegue transpassar um sentimento, ou uma gama de sentimentos, totalmente diversos entre si. 

Por todas essas razões, e por tantas outras que ainda vamos descobrir com o tempo, o Plexo Solar vale a pena ser ouvido, (re)ouvido, discutido e apreciado. São canções sinceras, leves, densas e que nos fazem pensar: tudo isso em uma fração de segundos. Agora é esperar pelas novas apresentações da banda. A boa música é garantida.

Cheers!!!

OUÇAM MÚSICA CURITIBANA!!!
Plexo Solar no MySpace: http://www.myspace.com/oplexosolar

Sigam também a banda no Twitter (@plexo_solar) e no Orkut

4 comentários:

  1. Muito bom amigo!
    Só essa data do show está errada, não? Tá no dia do show do Paul McCartney!

    ResponderExcluir
  2. L?, valeu pela dica, hahaah

    É imperdoável divulgar um show que não vai ocorrer. "Mea Culpa", erro já corrigido.

    Valeu!

    ResponderExcluir
  3. Grande Plexo, mandando ver, EP foda pra caralho!

    ResponderExcluir