quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Rock Pensante Entrevista Te Extraño


Das inúmeras incertezas que a vida usualmente nos reserva sob seu manto, já podemos, nesta altura do campeonato, descartar algumas. Por exemplo: Curitiba viveu, em 2010, um de seus melhores momentos artísticos. Com isso, fica fácil afirmar que aquela cena sem sal que antes nos recebia de braços fechados noite após noite já está a se preparar para o seu derradeiro gesto de adeus. Inúmeros grupos foram os responsáveis por esta nobre tarefa e, com muito orgulho, grande parte deles figuram nas páginas deste livreto virtual que por vezes declina seus pecados. Assim, é também fácil acertar que o Te Extraño é um desses grupos que travestiram-se em cores, aromas e prazer para dar o toque final na pintura que tomou conta do céu de nossa cidade.

Mas do que o céu de baunilha de Monet, Te Extraño auxiliou fortemente na criação de uma nova respiração para os ares da arte que hoje predominam. Misturando grande parte do que há de bom no que tangencia as referências musicais,  Carol Alencar, Edgard Lino, Eduardo Cirino, Edi Torres,  Neto, Úrsula Lorenzon e, mais recentemente, Leonardo Bokermann, são responsáveis pela construção de um som capaz de embalar com a mesma intensidade corpos e pensamentos.

Há algumas semanas, o Rock Pensante realizou um produtivo bate-papo com o grupo, para aproximar o Te Extraño  ainda mais do público que está a cotidianamente conquistar. A demora para a publicação da entrevista deveu-se aos problemas de saúde ao qual este matuto redator foi submetido. Com uma mistura de desculpas e saudações, é com prazer que agora publicamos esta entrevista com uma das melhores bandas de Curitiba. Vida longa ao Te Extraño!

ENTREVISTA

Rock Pensante. A sonoridade do Te Extraño é bastante abrangente, com diversos elementos que, diferentes entre si, mesclam-se prazerosamente no trabalho concretizado por vocês. Quais são as principais influências que o grupo possui, tanto no início de seu caminhar como atualmente, e quais os seus respectivos efeitos no processo de composição?

Te Extraño: Com uma diversidade de influências, muitas das quais não são unânimes para todos os integrantes da banda, tentamos fazer combinações desses sons, criando um trabalho final que acaba flertando com as mais diversas linhas do rock. O próprio desafio de fazer músicas que agradem a todos os integrantes e que tenham um pouco de cada um, nos faz ampliar horizontes e também nos faz chegar mais próximos de públicos de vários segmentos. No processo de criação procuramos um equilíbrio entre essas diferentes linhas, e com o passar do tempo temos nos conhecido melhor, sendo influenciados uns pelos outros criando assim uma unidade com espaço para todos. Não vem ao caso indicar quais são estas influências, fazendo parte da brincadeira nosso público tentar descobri-las.

R.P. Todas as canções disponibilizadas por vocês no MySpace agregam, com competência, uma sonoridade abrasiva com letras que fazem o ouvinte pensar. Além delas, percebe-se nas demais, que ainda estão por vir, esta mesma premissa: "A Fuga", por exemplo,conduz o ouvinte para uma viagem mais intimista e introspectiva, enquanto "Rendez-Vous" brinca com a sonoridade das palavras e as mescla com a musicalidade da canção. Enfim, como se dá o procedimento de composição no Te Extraño? O processo flui naturalmente ou cada membro, via de regra, se identifica com função específica no processo de criação?

T.E.: Não temos uma regra, algumas funções acabam por ser trocadas devido ao que vai fluindo com a criação. Se algum de nós traz um esboço de uma música, acabamos todos por imergir nessa idéia, lapidando até chegar num consenso. É claro que algumas funções acabam naturalmente sendo mais específicas devido às habilidades de cada integrante, mas não é uma regra.


R.P. Atualmente, a agenda da banda tem sido bastante agitada. Além de concluir a participação no projeto Gravando Curitiba, o Te Extraño foi classificado para uma das últimas eliminatórias do Kaiser Sound, cuja participação foi interrompida por razões supervenientes à vontade da banda. Como vocês encaram e avaliam a participação nestes dois eventos?

T.E: A participação no evento Gravando Curitiba foi perfeita, com certeza um grande apoio a nossa banda. Além de gravarmos o CD, fomos bem divulgados pela mídia, fizemos um ótimo show no TUC, ainda vamos colher frutos deste projeto por um bom tempo. Quanto ao Kaiser Sound, tem sido um concurso de bandas muito bem divulgado, com uma produção muito boa, felizmente ganhamos uma das eliminatórias, fomos elogiados por todos os presentes no evento, com uma ótima repercussão, o que até aí já foi uma grande vitória para nós, mesmo com essa nossa impossibilidade de participar da semifinal foi uma ótima experiência.

R.P. Ainda sobre o projeto Gravando Curitiba, vocês poderiam falar um pouco sobre as canções que compõem o EP e se há alguma previsão para a data de veiculação deste trabalho?
 
T.E: Ainda não temos uma data para veiculação deste EP, mas já estamos em processo de finalização. Duas destas músicas já podem ser conferidas em nosso myspace, (www.myspace.com/espacoteextrano), Cardumes de Cetim e Florais. As outras músicas serão First Class, A Fuga e Rendez-Vous. O processo de gravação serve pra gente como um laboratório, onde a criação só finaliza após a mixagem final. Estamos satisfeitos com o resultado e esperamos surpreender o público com novidades. 

R.P. Também de modo recente, o Te Extraño passou por modificações em sua formação, com a entrada de Úrsula Lorenzon nos backings e Leonardo Bokermann no baixo, no lugar de Marcelo Esturilho. Quanto à participação de Úrsula, já estava na meta da banda a inclusão de mais uma pessoa para cuidar especificamente desta função? Enfim, quais as contribuições criativas que a banda vislumbra com esta nova formação?

T.E: A Úrsula Lorenzon já vinha participando da banda antes mesmo de nossa estréia, desde então ela vem agregando as mais diversas funções de acordo com a necessidade de cada música, e isto cresceu de tal forma que ela acabou naturalmente se tornando uma integrante oficial da banda pois sua participação é primordial ao nosso trabalho. Além de backing vocal, a Úrsula Lorenzon toca guitarra, percussão, teclado e tem participado de todo o processo criativo. O Leonardo Bokermann no baixo acabou por dar uma nova energia a banda, ele já era nosso amigo e é um ótimo músico, logo no primeiro ensaio já rolou uma ótima química, e também tem participado do processo criativo.

R.P. A cena musical indenpendente de Curitiba, hoje, começa a pulsar com mais vivacidade, tendo em vista os diversos projetos estruturados e o louvável empenho das novas bandas que a compõem, como Pão de Hamburguer, O Trilho, Trem Fantasma e o próprio Te Extraño. Gradativamente, estamos abandonando a reprodução para dar espaço à criação de novas vozes, sons e cores. Como a banda vislumbra este novo momento da cena curitibana? De fato, tais aspectos negativos estão sendo superados?

T.E: Temos curtido este novo momento da cena curitibana, pois é a cena da qual temos participado e conseguido várias oportunidades em pouco tempo de banda. De um modo geral, achamos que o nível dos trabalhos, com relação a gravações, shows, equipamentos, está bem superior comparados a outras épocas que presenciamos. Mas Curitiba sempre foi assim, muitos sons e cores.
R.P Para encerrar, quais são os planos futuros da banda com esta "reabastecida" formação e com este aprimorado cenário musical?

T.E: Compor mais, tocar mais, se divertir mais... Acho que é isso, a gente ama música e quanto mais pudermos compartilhar isso com mais pessoas, melhor.

Todas as fotos que compõem esta matéria foram registradas pelo fotógrafo Marco Stammer
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Já ouviu Te Extraño hoje? Não???? Eis, então, uma boa oportunidade para tanto!
Ouça as canções disponíveis no Myspace: http://www.myspace.com/espacoteextrano

Quer conhecer ainda mais a banda? Siga o Te Extraño no Twitter: @t_extrano
O Te Extraño também possui um espaço virtual onde é possível tomar contato de notícias sobre a banda, fotos e letras das canções. Acessem: http://www.teextrano.wordpress.com

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